sexta-feira, outubro 30, 2026
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Em Minas Gerais, seguimos o conselho de dona Lindu: teimamos e vencemos!

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O Brasil é um país que vale a pena. Vale a pena amar, defender e, sobretudo, lutar por ele. Digo isso com a convicção de quem testemunhou, nas últimas semanas, uma das mais bonitas demonstrações de participação popular da nossa história recente. Vi a juventude ocupar as ruas, pessoas idosas fazerem questão de ir às urnas e milhares de brasileiros redescobrirem a força da própria voz. Vi a política voltar a despertar entusiasmo e reunir gerações em torno do futuro do país.

No dia 4 de outubro, cercada de amigos e tomada por muitas emoções, recebi a notícia da minha reeleição como deputada estadual, com mais de 85 mil votos. Mas a alegria daquela conquista dividia espaço com uma grande preocupação: Lula terminava o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, com quase 600 mil votos a menos.

Tínhamos apenas três semanas para mudar esse cenário. Naqueles dias, me lembrei de um conselho que dona Lindu deu a Lula quando ele ainda era menino: “Teima, meu filho, teima!”. E nós teimamos. Porque a esperança também precisa de coragem para insistir.

Como presidenta estadual do PT e coordenadora da campanha em Minas, vivi de perto a intensidade desse processo. Foram dias de decisões urgentes e muito trabalho para reorganizar nossas forças. Precisávamos compreender onde havíamos perdido votos, enfrentar a abstenção, ampliar o diálogo com os indecisos e fortalecer nossa presença nos territórios.

Mas essa reconstrução havia começado antes do segundo turno. A campanha de Patrus Ananias ao Governo de Minas cumpriu um papel fundamental na recuperação da confiança do nosso campo político. Companheiro de tantas décadas de caminhada, Patrus colocou mais uma vez sua história, sua generosidade e sua coerência a serviço do povo mineiro, defendendo um projeto comprometido com a justiça social e a dignidade da nossa gente.

Seus mais de 3 milhões de votos expressaram a força de uma candidatura que ajudou a reoxigenar a autoestima petista e progressista em Minas Gerais. Nossa militância voltou a levantar suas bandeiras com orgulho e a acreditar na construção de novos caminhos. A eleição de Marília Campos para o Senado e o crescimento da nossa bancada na Assembleia Legislativa também foram frutos desse esforço coletivo.

Foi essa energia que encontramos no segundo turno. 

Nas redes sociais, com a contribuição importante de Janones e de milhares de pessoas espalhadas pelo país, a campanha ganhou novas linguagens. Vídeos feitos em casa, mensagens compartilhadas em grupos de família e conteúdos criativos ajudaram a enfrentar a desinformação e ampliar o debate público. As redes alimentavam as ruas, e as ruas davam ainda mais vida à mobilização digital.

Em Minas, trabalhamos para transformar essa disposição em organização. Mobilizamos lideranças, prefeitos, vereadores, sindicatos e movimentos sociais. Intensificamos o diálogo com o interior, as comunidades rurais e os trabalhadores. Falamos da vida concreta das pessoas: da água que chega ou falta, do Pronaf, da comida na mesa e do atendimento no posto de saúde. Também atuamos para enfrentar a abstenção e garantir condições para que a população pudesse votar, especialmente onde as distâncias e os custos do transporte dificultam esse direito.

Foram três semanas intensas, de muito trabalho e pouco descanso. Mas havia algo extraordinário acontecendo diante dos nossos olhos: um verdadeiro reencantamento pela política. Depois de tantos anos vivenciando os discursos de ódio, rebatendo a desinformação e lidando com as tentativas de desacreditar da participação popular, vimos brasileiros e brasileiras recuperarem o prazer de estar juntos, de discutir os rumos do país e de participar das decisões sobre seu futuro.

E Minas deu a virada

No dia 25 de outubro, Lula passou de 43,33% dos votos válidos no primeiro turno para 50,43% no segundo, vencendo em 528 municípios mineiros. Foram mais de 1,1 milhão de votos conquistados em apenas três semanas. Minas Gerais voltou a caminhar ao lado de Lula e teve um papel decisivo na sua recondução à Presidência da República.

Houve estratégia, planejamento e muito trabalho. Tenho orgulho de ter participado dessa construção e profunda gratidão a cada liderança, militante e voluntário que assumiu uma tarefa. Foi o povo brasileiro, com sua inteligência, criatividade e disposição, que protagonizou uma das mais impressionantes mobilizações políticas dos últimos tempos.

Saio dessa experiência com a confiança renovada no futuro do PT em Minas e na capacidade de participação do nosso povo. O desafio agora é manter essa energia viva. O autoritarismo continua à espreita, a violência política exige enfrentamento e a democracia precisa ser cultivada todos os dias. O entusiasmo das ruas e das redes deve continuar presente nas comunidades, nos movimentos sociais e na construção das políticas públicas.

Volto àquela noite de 4 de outubro, quando tudo parecia tão difícil, e penso nas belezas que encontramos pelo caminho. Nos jovens nas ruas, nos idosos nas urnas, nas bandeiras tremulando pelas cidades mineiras e em tantas pessoas que redescobriram a alegria de participar da vida política.

Penso também no conselho de dona Lindu. Teimar é uma sabedoria de quem conhece as dificuldades da vida e aprendeu a não entregar o futuro ao desânimo.

Em Minas Gerais, teimamos e vencemos. E foi o povo que fez a história.

Leninha é bióloga, mestre em Desenvolvimento Social (Unimontes) e está em seu segundo mandato como deputada estadual. É uma mulher negra, periférica e trabalhadora e constrói sua trajetória de vida e luta a partir das bases populares, com raízes profundas no Norte de Minas. É a primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e atual presidenta do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais (PT MG).

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Leia outros artigos de Leninha em sua coluna no jornal Brasil de Fato.

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Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

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