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Agência Minas Gerais | Governo auxilia no pós-mineração, buscando a recuperação ambiental e a reutilização de áreas

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A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) conduz, em Minas Gerais, o Programa de Reconversão Ambiental para recuperação e fechamento de minas, iniciativa que reúne diretrizes voltadas à recuperação de áreas degradadas pela mineração, ao enfrentamento de passivos ambientais e à definição de novos usos para esses territórios. A proposta orienta a atuação do estado no pós-mineração e busca garantir que o encerramento das atividades ocorra de forma planejada, segura e alinhada ao desenvolvimento dos municípios.

Ao estabelecer parâmetros técnicos e institucionais, o programa incorpora o planejamento antecipado, a recuperação ambiental progressiva e a avaliação do uso futuro das áreas mineradas como parte do próprio ciclo da atividade mineral. O fechamento de minas torna-se uma etapa estratégica, com impacto direto na organização do território.

“Estamos falando de legado. Esses territórios precisam ser reestruturados e reinseridos na dinâmica dos municípios. O fechamento de mina não pode significar abandono, mas sim uma nova etapa, com usos definidos e benefícios para a sociedade”, afirma o diretor de Gestão de Barragens e Mineração da Feam, Roberto Junio Gomes.

A estrutura do programa está organizada em cinco frentes de atuação, que abrangem desde a recuperação ambiental ainda durante a operação das minas até a gestão de áreas paralisadas ou abandonadas, além da promoção de novos usos e do fortalecimento da governança e da gestão de dados.

Os avanços já se refletem na prática. Em 2025, a Feam acompanhou 130 áreas em processo de fechamento e recuperação ambiental no estado, das quais mais de 20 já receberam a Declaração de Recuperação Ambiental, indicando que estão aptas para novos usos.

Do fechamento ao uso futuro

A reconversão ambiental propõe uma mudança de perspectiva ao tratar as áreas mineradas como territórios com potencial de transformação, capazes de abrigar novas funções econômicas, sociais e ambientais. Em Nova Lima, esse movimento já pode ser observado em projetos que exemplificam essa transição, como o Nova Vila, desenvolvido pela AngloGold Ashanti, que transforma antigas áreas de mineração em um bairro multifuncional, com espaços culturais, áreas de convivência, comércio, serviços e moradias. A proposta também preserva estruturas históricas, integrando memória e novos usos ao território.

“O projeto foi construído com base na escuta da comunidade e na valorização do território. A ideia é transformar essa área em um espaço aberto, com lazer, cultura e oportunidades para a população”, destaca o diretor de Comunicação, Comunidade e Relações Governamentais da empresa, Fernando Cláudio.

Já o projeto Uso Futuro, conduzido pela Vale S.A., prevê a transformação da área da Mina de Águas Claras em um grande espaço de convivência e lazer, com atividades esportivas, eventos e integração com a natureza.

Segundo a gerente geral de Geotecnia da Vale, Angélica Silva, o processo ocorre de forma gradual e com foco na segurança. “A estabilização das estruturas é a base de todo o processo. A partir disso, a ideia é liberar os espaços progressivamente, permitindo que a população passe a utilizar essas áreas com segurança, enquanto o projeto avança”, explica.

Áreas que se transformaram em referência

A reconversão ambiental pode ser observada, na prática, em diferentes regiões de Minas Gerais, onde antigos territórios minerados foram transformados, ao longo do tempo, em espaços de uso coletivo e referência para o estado.

É o caso do Instituto Inhotim, em Brumadinho, e do Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, ambos implantados em áreas anteriormente impactadas pela mineração e que, hoje, se consolidam como exemplos históricos de recuperação ambiental associada a novos usos voltados ao lazer, à cultura e à preservação.

Essas experiências ajudam a demonstrar, na prática, o potencial de transformação desses territórios e dialogam com iniciativas mais recentes, como o Aquabeat, em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que reúne parque aquático, áreas de lazer e atividades recreativas, ampliando as possibilidades de uso desses espaços.

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