Nesta segunda-feira (5), Brasília se uniu a outras cidades do país que realizaram manifestações em solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela. Convocados por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, manifestantes se concentraram no Museu Nacional da República e seguiram até a Embaixada do país norte-americano para denunciar a invasão e sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama e deputada Cilia Flores e alertar para o risco de intervenção semelhante no processo eleitoral brasileiro de 2026.
A mobilização reuniu uma ampla frente de organizações sindicais, estudantis e populares. Estiveram presentes a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Comitê Anti-imperialista Abreu e Lima, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o Movimento Brasil Popular, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), entre outros. As entidades destacaram a defesa da soberania dos povos latino-americanos, a autodeterminação e a rejeição a qualquer forma de ingerência estrangeira na região.
“O que acontece hoje na Venezuela é um sintoma da crise estrutural do capitalismo e do imperialismo estadunidense em degradação”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) Cláudio Mendonça. “Eles tentam se apropriar dos recursos naturais, mas sobretudo buscam reconfigurar a América Latina como seu novo quintal geopolítico”, contextualizou.
A manifestação denunciou a violação da soberania e do direito internacional. “O direito internacional está sendo destruído. Essa agressão abre uma Caixa de Pandora, um novo paradigma nas relações internacionais, em que o império já não respeita mais nada e nem ninguém”, enfatizou Diego Dhiel, do Movimento Brasil Popular.
“É um recado claro para Cuba, Brasil, Colômbia, México, Nicarágua, países com governos soberanos que não aceitam ordens de Washington”, observou Dhiel.
Recursos naturais são centrais
A análise sobre o interesse estratégico dos EUA nos recursos naturais do povo venezuelano também foi unânime na manifestação. “O que está acontecendo é uma intervenção imperialista com o intuito de roubar as riquezas e a soberania do povo venezuelano”, pontuou a vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Distrito Federal, Maria Eduarda Ramos.
“Trump falou claramente sobre os interesses em controlar o petróleo venezuelano e aqui no Brasil também nós temos as terras raras, temos recursos estratégicos, a Colômbia também, então, é o interesse claramente dos Estados Unidos de se apropriar do território sul-americano, se apropriar das riquezas estratégicas e eles precisam dessas riquezas para se manter, como o poder hegemônico, poder econômico da região”, observou Judite Santos do Movimentos de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Defesa da soberania
A diretora da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) Jodette Amorim relacionou a ação atual a um histórico de intervenções como o apoio dos EUA para golpes militares em países da região. “Essa é uma agressão a todos nós, latino-americanos, depois da Venezuela vão tentar colocar as patas em outros países como eles já tentaram fazer na época da ditadura”.
“Esse é o momento de defender a Venezuela e defender o nosso território também, ou seja, os latino-americanos têm que defender a América Latina, porque eles não estão só agredindo a Venezuela, estão agredindo todos nós”, destacou a professora.

Impacto nas eleições brasileiras
Uma possível interferência dos EUA no processo eleitoral brasileiro que ocorre em outubro deste ano também foi destacado na manifestação.
O presidente do Andes citou as interferências dos EUA em eleições em Honduras, Bolívia e Chile, e fez um alerta direto sobre outubro: “Os Estados Unidos vão, através do seu braço político no Brasil, que é o bolsonarismo, tentar intervir nas eleições”. Para Mendonça, a derrota da extrema direita brasileira significará também uma derrota para o projeto imperialista.
Na avaliação de Dhiel o momento é de alerta. “Se a gente não permanecer alerta, no próximo período o Brasil pode ser o próximo alvo do ataque e nós temos eleições esse ano. Eles têm as big techs como aliadas, o Instagram, o Facebook, o WhatsApp, entre outras ferramentas, que eles já estão manipulando para tentar colocar a narrativa do império, que é uma narrativa fraudulenta”.
“É importante deixar claro que o governo na Venezuela não está destituído e vamos continuar defendendo que o Maduro é o presidente legítimo da Venezuela e que queremos a sua soltura imediata”, enfatizou Judite Santos.
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