quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioPOLITICAPara a direita brasileira, que defende sequestro de Maduro os fins justificam...

Para a direita brasileira, que defende sequestro de Maduro os fins justificam os meios, avalia cientista política

0:00

Enquanto lideranças políticas progressistas condenaram a atuação do governo de Donald Trump no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado (3), a direita brasileira teve postura distinta. Figuras como os pretensos presidenciáveis Ratinho Junior (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) celebraram a ação. A cientista política Priscila Lapa afirma que a postura não surpreende.

Lapa participou, nesta segunda-feira (5), da segunda edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, e lembrou que outros episódios nos últimos tempos já renderam posições semelhantes. Muda o cenário, mas a forma de atuação é a mesma.

“No Brasil, nos últimos anos, a gente viu isso no 8 de janeiro, não é novidade: pessoas entendendo que os fins justificam os meios. Para a extrema direita, as lideranças, e a opinião pública vinculada a essa corrente ideológica, é plenamente justificável: o que estava em jogo era algo maior. Esse discurso de que o fim justifica os meios já está normalizado”, apontou.

O ataque estadunidense a Maduro, na prática, inaugurou o ano eleitoral no Brasil. A Venezuela já era, há anos, um tema recorrente nas discussões políticas no país, e isso tende a ser ainda mais presente até outubro, quando será eleito o presidente, governadores, senadores e deputados para os próximos quatro anos.

“Essa questão da Venezuela reacendeu, desde o fim de semana, essa questão da polarização política, essas narrativas políticas que já vêm demarcando fortemente a opinião pública brasileira, e isso vai ser um combustível muito forte, até porque essa não é uma crise que tende a se resolver de forma imediata”, destacou Lapa.

Para a cientista política, a postura do governo brasileiro, que condenou o sequestro, foi coerente. Ela lembrou que Lula se juntou a outros líderes internacionais que cobraram de Maduro transparência no processo eleitoral venezuelano em 2024, mas não defendeu interferência externa no país vizinho. Desta vez, o discurso seguiu o mesmo caminho. Além disso, a posição de defesa da soberania foi a mesma adotada quando o Brasil foi alvo da ira de Trump.

“Esse discurso da soberania, inclusive, foi o que reposicionou o governo brasileiro, o presidente Lula, com a opinião pública, na crise do tarifaço com o Trump. Para alguns parecia uma aposta meio intangível, falar de soberania, mas foi esse discurso que resgatou a popularidade do presidente e abriu possibilidade de negociação com menos desvantagens para o Brasil”, apontou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR