quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioSAÚDEQue 2026 seja um ano de barulho, presença e luta!

Que 2026 seja um ano de barulho, presença e luta!

0:00

Nos aproximamos da virada do ano. A passagem de 2025 para 2026 não será apenas troca de calendário. É o primeiro passo dentro de um ano que coloca o Brasil diante do maior confronto político e moral de sua história recente: o enfrentamento direto ao neofascismo. Depois de anos de ataques às instituições, de campanhas de ódio e de um projeto sistemático de destruição social – protagonizado por Bolsonaro e Temer em seus períodos frente a presidência e, mais recentemente pelo Congresso Inimigo do Povo – o país entra em 2026 sabendo que a batalha agora é existencial. Não se trata mais de um debate programático; é um novo capítulo do embate da civilização contra a barbárie.

É preciso dizer com todas as letras: a extrema direita não está isolada, e tampouco representa uma minoria exótica. A direita brasileira, em toda a sua estrutura — dos partidos tradicionais às figuras “moderadas” — assumiu o mesmo alinhamento ideológico, a mesma plataforma e a mesma estratégia: desmontar direitos, atacar a democracia, criminalizar movimentos sociais e reabilitar discursos autoritários. Já não cabe fantasia de centro-direita liberal: quem não se opõe ao fascismo, o sustenta. Não há um caminho do meio.

A eleição geral confirmará esse conflito. Não será uma disputa entre agendas econômicas ou de estilos políticos; será o enfrentamento de projetos de país, onde de um lado estarão a esquerda e o campo democrático tentando preservar o mínimo de humanidade, e do outro, um bloco inteiro disposto a avançar sobre liberdade, diversidade, soberania e dignidade nacional.

Esse cenário exige do campo progressista — e de todos que ainda preservam um mínimo espírito de fraternidade e humanidade — uma postura radicalmente ativa. É hora de abandonar ilusões conciliadoras. O ano de 2026 demandará mobilização permanente nas ruas e nas redes, desde os mais distantes descampados entre os campos, águas e florestas, até os espaços urbanos das comunidades, desde a periferia até o centro. O avanço autoritário se alimenta do medo e do silêncio; por isso a resposta precisa ser barulho, presença e luta.

Democracia não se defende da sala de estar. Democracia se defende ombro a ombro, no enfrentamento ao discurso de ódio, na recusa às fake news, na organização comunitária e na exposição da violência política que tenta vestir-se de normalidade institucional. Não basta votar, será necessário vigiar o processo eleitoral, denunciar abusos, multiplicar informação, ocupar espaços públicos e transformar indignação em ação coletiva.

É verdade, encerramos este ano cansados, mas não derrotados. Há força na união e há história na resistência. O novo ano pede coragem para abandonar disputas pequenas dentro do próprio campo progressista. Principalmente para construir pontes entre movimentos sociais, setores populares das igrejas e matrizes espirituais, trabalhadores urbanos e rurais, povos originários, juventudes, coletivos de gênero e diversidade, comunidades tradicionais e coletivos populares.

Este não será um ano para espectadores. Será um ano para quem tem lado, coragem e clareza histórica. Não há mais espaço para neutralidade, hesitação ou cálculo eleitoral pequeno. O neofascismo avança organizado, armado e articulado — e só será contido por um povo igualmente organizado, mobilizado e de pé. Cabe a cada um de nós transformar indignação em força, e força em ação: ocupar ruas, derrotar mentiras, enfrentar o ódio, defender o voto e garantir que a democracia permaneça viva.

O novo ano exige presença real, voz firme e compromisso inegociável com o Brasil que queremos construir. Entre a barbárie que se anuncia no cio permanente da cadela do fascismo e o futuro que desejamos com passadas firmes na direção da utopia, a escolha é simples: lutar. E lutar agora.

*Corbari é jornalista, comunicador popular e militante do Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA) e Via Campesina.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Google search engine

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR