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Via Campesina lança campanha por direitos LGBT+ nos territórios — Brasil de Fato

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“Sem LGBTI+ não há revolução.” Com essa afirmação, o Coletivo de Diversidade da Via Campesina reafirmou, nesta terça-feira (14) durante o 2º Congresso Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas, que a luta pela transformação social só é completa quando inclui todas as identidades e corpos do campo, das águas e das florestas.

Na programação da atividade que reúne mais de 2 mil mulheres em Brasília, o coletivo lançou a campanha com o objetivo de promover o enfrentamento às violências que afligem as populações LGBT+ nos territórios. 

A iniciativa busca conscientizar a base social do movimento sobre diversidade sexual e de gênero, o combate à violência e a integração da pauta LGBT+ nas lutas contra o agronegócio, nas pautas de reforma agrária, nos enfrentamentos ao hidro e mineronegócio e nas organizações camponesas que compõem a Via Campesina.

Para Maria Santos de Jesus, do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) e representante do Coletivo de Diversidade da Via Campesina, essa construção é histórica. “Historicamente, nós construímos nossas lutas, e a nossa bandeira de luta é mais do que identitária. Não estamos nas lutas nos organizando apenas para nos reconhecer, mas sim para a criação de ações efetivas contra as violências que afetam as populações LGBTI+ do campo, das águas, das florestas e das cidades.”

Maria Santos de Jesus, do MPA | Kawane Cândia

Para o Coletivo de Diversidade da Via Campesina ,a luta por soberania nos territórios é a afirmação do direito dos povos de decidirem sobre suas próprias vidas, modos de viver, de plantar, de amar e de resistir.

“O movimento camponês, as mulheres camponesas, se propõem a construir a revolução, a organizar as mulheres do campo. Portanto, a população LGBTI+ também é parte dessa luta revolucionária — contra o machismo, contra o patriarcado, contra o racismo. Nós existimos e, assim como o lema deste encontro, existimos porque lutamos”, completa.

De acordo com Valcilene Lobato, militante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) do Espírito Santo, é preciso avançar na luta pelos direitos da população LGBT+ nos territórios. “Vivemos  em uma sociedade patriarcal e LGBTfóbica, e nós, enquanto movimentos sociais, se não olharmos para essas violências, para esses padrões que a sociedade nos impõe, corremos o risco de reproduzi-los também dentro dos nossos movimentos.”

A campanha Basta de violência contra LGBTI+ do campo, das águas e das florestas contará com ações nos territórios e espaços de formação dos movimentos, além da produção de materiais educativos, como cartazes, cartilhas e ações conjuntas e coletivas de acolhimento e debate.

O Coletivo de Diversidade da Via Campesina reforçou, durante a atividade, que a transformação dos territórios passa também pela transformação das relações. A Via Campesina é uma organização internacional que contribui no alinhamento de um conjunto de lutas com camponesas, trabalhadores agrícolas, mulheres rurais e comunidades indígenas e negras da Ásia, África, América e Europa.

“Vivemos numa sociedade machista, capitalista, patriarcal e racista, que constrói a violência contra pessoas LGBTI+ e o conservadorismo de padrão e de família na sociedade. Nós dizemos sim para quem somos e não nos escondemos. Participamos sempre das atividades políticas nos campos, nas águas e nas florestas e ocupamos os espaços de luta”, completa Valcilene Lobato, militante do MMC.

O 2º Congresso do MMC iniciou nesta segunda-feira (13) e encerrou as atividades nesta quarta (15) com um ato político na Esplanada dos Ministérios em Brasília.

*Mayra Souza é integrante da direção nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e coletivo LGBTI + da Via Campesina.

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