quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioCULTURANovos dados expõem a degradação do Pampa e impulsionam medidas de preservação...

Novos dados expõem a degradação do Pampa e impulsionam medidas de preservação — Brasil de Fato

0:00

O bioma Pampa voltou ao centro das discussões ambientais com o lançamento da nova Coleção 10 de mapas e dados sobre cobertura e uso da terra no Brasil do MapBiomas, na quinta-feira (9). Também foi aberta a consulta pública para a Carta do Bioma Pampa, promovida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) em parceria com o Consórcio Brasil Verde – Governadores pelo Clima.

De acordo com o estudo do MapBiomas, 45,6% do Pampa estavam ocupados por algum tipo de uso antrópico em 2024, com predominância da agricultura (41%) e da silvicultura (4%), além de outros, como áreas urbanas e mineração. O percentual supera os 44,5% de vegetação nativa ainda preservada, tornando o Pampa o segundo bioma brasileiro com o menor percentual de cobertura de vegetação nativa, atrás somente da Mata Atlântica.

Entre 1985 e 2024, a área de uso humano cresceu 76%, alcançando 8,8 milhões de hectares, avanço que ocorreu sobre 3,8 milhões de hectares de vegetação nativa suprimidos. A vegetação campestre, típica do bioma, foi a mais afetada. Os campos nativos perderam 30,3% de sua extensão nesse período, a maior redução proporcional entre todos os biomas brasileiros.

De acordo com o estudo do MapBiomas, 45,6% do Pampa estavam ocupados por algum tipo de uso antrópico em 2024 – Foto: Mariza Rigo | Foto: Mariza Rigo

“Esse nível de transformação das paisagens do Pampa demanda uma reflexão sobre o futuro do bioma. A vegetação nativa é importante para o equilíbrio ecológico, além de proteger o bioma contra os efeitos das mudanças climáticas”, comenta Heinrich Hasenack, coordenador da pesquisa no Pampa do MapBiomas.

Outro dado relevante é o baixo nível de proteção legal do bioma, já que, atualmente, apenas 3% do território Pampa estão inseridos em unidades de conservação, o menor índice entre os biomas brasileiros. 

Para o pesquisador Eduardo Vélez, o fato de a vegetação campestre do Pampa não ter a mesma exuberância das florestas tropicais acaba contribuindo para que a perda dessa vegetação nativa não tenha o mesmo impacto na percepção da sociedade que o desmatamento das florestas provoca.

“Entretanto, a importância ecológica dos campos é equivalente à das florestas, sendo cruciais para a conservação do solo, o controle da erosão, a infiltração da água no solo e a existência de polinizadores, dentre tantos outros serviços ecossistêmicos relevantes”, explica.

Governo do estado abre consulta pública

No mesmo dia em que os dados foram divulgados, o governo estadual anunciou a inclusão do bioma no Código Estadual do Meio Ambiente (Lei 15.434/2020) e publicou o Decreto nº 58.190/2025, que regulamenta a conservação, proteção, recuperação e uso sustentável do Pampa. Os anúncios ocorreram durante a Conferência do Bioma Pampa, parte do 12º Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas (FGMC).

Além disso, foi aberta a consulta pública da Carta do Bioma Pampa, documento elaborado pela Sema em parceria com o Consórcio Brasil Verde e o Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas. A carta reúne propostas e compromissos do Rio Grande do Sul para a conservação do bioma e será levada à COP30, em 2025, em Belém (PA).

O Pampa se estende por 83,3 milhões de hectares entre Argentina, Brasil e Uruguai, ocupando 4,7% do território sul-americano. No Brasil, está presente exclusivamente no Rio Grande do Sul, onde representa cerca de 63% da área do estado. O bioma é caracterizado por vegetação herbácea composta por gramíneas e ervas que variam entre 5 e 50 centímetros, abrigando centenas de espécies de plantas e animais, muitas delas ameaçadas de extinção.

Com 9% de sua área coberta por água, a maior proporção entre os biomas brasileiros, o Pampa abriga importantes sistemas hídricos, como a Laguna dos Patos e as lagoas Mirim e Mangueira. Essas características reforçam o papel estratégico do bioma para a regulação climática e a segurança hídrica no Sul do país.

Google search engine

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR