{"id":8842,"date":"2025-07-10T11:24:10","date_gmt":"2025-07-10T11:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/07\/10\/quase-60-dos-trabalhadores-no-para-vivem-na-informalidade\/"},"modified":"2025-07-10T11:24:13","modified_gmt":"2025-07-10T11:24:13","slug":"quase-60-dos-trabalhadores-no-para-vivem-na-informalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/07\/10\/quase-60-dos-trabalhadores-no-para-vivem-na-informalidade\/","title":{"rendered":"Quase 60% dos trabalhadores no Par\u00e1 vivem na informalidade"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Feira do Marco em Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u2013 Foto: Eraldo Paulino<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), no in\u00edcio de 2025, o Par\u00e1 \u00e9 o estado com o maior percentual de trabalho informal entre indiv\u00edduos ocupados do Brasil, com quase 60%. Dentro do cen\u00e1rio da informalidade, quase a metade trabalha por conta pr\u00f3pria e 33% trabalham sem carteira assinada. O levantamento foi feito com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio contrasta com a arrecada\u00e7\u00e3o do estado, que vem batendo v\u00e1rios recordes nos \u00faltimos anos. O estado at\u00e9 registrou crescimento na arrecada\u00e7\u00e3o e na renda per capita em 2024, mas segue com uma das piores distribui\u00e7\u00f5es de renda do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o do PIB [Produto Interno Bruto] pelo estado, inclusive, coloca o Par\u00e1 numa perspectiva de crescimento m\u00e9dio acima de 3% at\u00e9 2028. Isso \u00e9 acima da m\u00e9dia brasileira\u201d, pontua Everson Costa, t\u00e9cnico do Dieese. Segundo ele, a proje\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 otimista e realista, mas \u00e9 necess\u00e1rio, entre outras pol\u00edticas p\u00fablicas, \u201cum trato no olhar atento ao mundo do trabalho local\u201d.<\/p>\n<p>Everson tamb\u00e9m problematiza o fato de que Bel\u00e9m tem uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada no estado, apesar de n\u00e3o deter o maior PIB, que pertence a Parauapebas, por conta dos royalties da minera\u00e7\u00e3o. \u201cO que ainda incomoda nesse processo \u00e9 que, embora ela tenha a maior parte da popula\u00e7\u00e3o do estado, ela tamb\u00e9m det\u00e9m uma camada significativa da informalidade. N\u00f3s fechamos 2024 com cerca de 300 mil pessoas na informalidade s\u00f3 aqui na capital paraense, dentro de um universo de pessoas ocupadas na casa ali de 700 a 800 mil pessoas\u201d, relata. Segundo esses dados, cerca de 40% do mercado de trabalho paraense, na capital, \u00e9 informal.<\/p>\n<p>O estudo do Dieese aponta ainda que, no estado, 47% dos informais s\u00e3o trabalhadores por conta pr\u00f3pria e 33% s\u00e3o empregados sem carteira.\u00a0No caso de Bel\u00e9m, segundo Ivan Duarte, presidente\u00a0 do Sindicato dos Empregados no Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os do Estado do Par\u00e1, nem o advento da COP30 melhorou a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cPara 2025, n\u00f3s t\u00ednhamos uma perspectiva de uma gera\u00e7\u00e3o de emprego a partir de mar\u00e7o. Para nossa surpresa, j\u00e1 estamos em julho, com as obras quase conclu\u00eddas, e a gera\u00e7\u00e3o de emprego, o mercado formal com carteiras assinadas, at\u00e9 o presente momento, n\u00e3o surgiu de fato e de direito\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 o que testemunhou Ivaneide Lima, que participa, desde o final do ano passado, de cursos de capacita\u00e7\u00e3o para a COP30, para o trabalho de camareira, recepcionista e outras fun\u00e7\u00f5es importantes para a rede hoteleira. Contudo, at\u00e9 hoje, ela n\u00e3o conseguiu uma proposta de trabalho legal. <\/p>\n<p>\u201cPara minha decep\u00e7\u00e3o, as vagas que surgiram n\u00e3o acompanham o alto custo para os h\u00f3spedes de fora. S\u00f3 pintaram vagas tempor\u00e1rias, com uma carga hor\u00e1ria absurda, e sem uma perspectiva clara de que eu poderia continuar ap\u00f3s a COP. O meu trabalho com venda de bombons em festas \u00e9 mais neg\u00f3cio pra mim\u201d, avalia.<\/p>\n<p>A manicure Morgana Valadares \u00e9 uma das que prefere trabalhar por conta pr\u00f3pria, apesar dos desafios com previd\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o financeira. \u201cEu n\u00e3o consigo me ver tendo que cumprir hor\u00e1rio numa empresa. At\u00e9 porque eu cumpro os meus hor\u00e1rios e o meu compromisso comigo mesma, com a minha fam\u00edlia, com os meus filhos. Mas trabalhar para uma empresa, me desgastar, me desdobrar, me dedicar, como eu j\u00e1 fiz, eu n\u00e3o quero\u201d, desabafa. <\/p>\n<p>Morgana guarda na mem\u00f3ria a reiterada falta de reconhecimento, as humilha\u00e7\u00f5es pelas quais passou e a falta de um retorno financeiro para tamanho esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>A Reforma Trabalhista de 2017, do governo Michel Temer, prometia reduzir a informalidade ao flexibilizar as leis. Mas, segundo o Dieese, o efeito foi oposto: o mercado ficou mais precarizado. \u201cNesse processo todo, a gente acaba tendo outro ambiente. O capital n\u00e3o reduz a margem de lucro e acaba fazendo com que a flexibiliza\u00e7\u00e3o, que foi prometida com a reforma trabalhista, n\u00e3o aconte\u00e7a\u201d, argumenta Everson Costa, do Dieese. <\/p>\n<p>Ele lembra que havia um discurso muito difundido de que o Custo Brasil era alto e que a reforma iria abrir milh\u00f5es de vagas e desburocratizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cNada disso aconteceu. Hoje em dia, a gente convive, n\u00e3o s\u00f3 com o mercado de trabalho mais precarizado, mas com os trabalhadores muito mais desprotegidos.\u201d, conclui.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/10\/quase-60-dos-trabalhadores-no-para-vivem-na-informalidade\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Feira do Marco em Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u2013 Foto: Eraldo Paulino Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), no in\u00edcio de 2025, o Par\u00e1 \u00e9 o estado com o maior percentual de trabalho informal entre indiv\u00edduos ocupados do Brasil, com quase 60%. 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