{"id":8483,"date":"2025-06-28T07:24:16","date_gmt":"2025-06-28T07:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/mais-da-metade-dos-creditos-de-carbono-da-amazonia-esta-contaminada-pela-mineracao\/"},"modified":"2025-06-28T07:24:26","modified_gmt":"2025-06-28T07:24:26","slug":"mais-da-metade-dos-creditos-de-carbono-da-amazonia-esta-contaminada-pela-mineracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/mais-da-metade-dos-creditos-de-carbono-da-amazonia-esta-contaminada-pela-mineracao\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos cr\u00e9ditos de carbono da Amaz\u00f4nia est\u00e1 \u2018contaminada\u2019 pela minera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Marcas globais como Ifood, Uber, Spotify e Google desembolsaram milh\u00f5es de d\u00f3lares para neutralizar suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa com projetos que, na pr\u00e1tica, podem n\u00e3o ter garantia de integridade clim\u00e1tica. Um levantamento exclusivo da\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em>\u00a0revela que mais da metade (61%) de todo o cr\u00e9dito de carbono vendido da Amaz\u00f4nia brasileira est\u00e1 em \u00e1reas tamb\u00e9m destinadas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, segundo dados da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o 40,1 milh\u00f5es de toneladas de carbono potencialmente \u201csujo\u201d vendidas \u2013 uma quantidade\u00a0maior do que o Brasil inteiro emite para a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o anual de eletricidade\u00a0\u2013 de um total de 65,8 milh\u00f5es de toneladas comercializadas. Esse montante comprometido foi negociado por 31 projetos, todos baseados no mecanismo\u00a0REDD+, criado no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o do Clima da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). O objetivo \u00e9 preservar o estoque de carbono florestal, que passa a ter um valor financeiro: cada cr\u00e9dito equivale a uma tonelada de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) que deixou de ser emitida em raz\u00e3o do suposto desmatamento evitado.\u00a0<\/p>\n<p>Mais de 3,6 mil empresas, entidades e organiza\u00e7\u00f5es internacionais, incluindo nomes globais do varejo, avia\u00e7\u00e3o, tecnologia e mercado financeiro, compraram esses cr\u00e9ditos de carbono, incluindo algumas mineradoras, como a Vale e a Sigma.<\/p>\n<p>Esta reportagem parte da base de dados do projeto\u00a0<em>Carbono Opaco<\/em>, desenvolvida em parceria entre a<strong>\u00a0<\/strong><em>InfoAmazonia\u00a0<\/em>e o Centro Latinoamericano de Jornalismo Investigativo (CLIP), que mapeou todos os projetos REDD+ e empresas que atuam nesse segmento do mercado volunt\u00e1rio de carbono no Brasil, Peru e Col\u00f4mbia. A\u00a0<em>InfoAmazonia\u00a0<\/em>foi respons\u00e1vel pelo levantamento dos dados brasileiros. A base completa ser\u00e1 publicada em julho.<\/p>\n<p>Nossa an\u00e1lise identificou 114 projetos de carbono REDD+ no pa\u00eds, dos quais 73 est\u00e3o sobrepostos totalmente, parcialmente ou tocam o limite de \u00e1reas destinadas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o. Entre esses, 31 j\u00e1 comercializaram cr\u00e9ditos (30 pela Verra, maior certificadora do mundo, e um pela colombiana Cercarbono).\u00a0<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"700\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/embed\/?map_id=210935\" title=\"MapaCarbonoMineracao\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p>H\u00e1 casos em que a minera\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi autorizada e, mesmo assim, os cr\u00e9ditos continuam sendo emitidos. Em outros, projetos de carbono foram abandonados para dar lugar \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio. H\u00e1 tamb\u00e9m \u00e1reas em que o desmatamento j\u00e1 comprometeu a integridade da floresta \u2013 condi\u00e7\u00e3o essencial para a gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos. Alguns projetos avan\u00e7am em terras ind\u00edgenas com garimpo ativo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos diante de uma economia altamente destrutiva de um lado, que \u00e9 a minera\u00e7\u00e3o, e de uma suposta economia verde do outro, ambas explorando o mesmo territ\u00f3rio\u201d, afirma a pesquisadora Marcela Vecchione Gon\u00e7alves, do N\u00facleo de Altos Estudos Amaz\u00f4nicos da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), que tamb\u00e9m foi consultora cient\u00edfica desta reportagem. \u201cUma mesma \u00e1rea est\u00e1 sendo usada como ativo financeiro para captar investimentos tanto da ind\u00fastria da minera\u00e7\u00e3o quanto do mercado de carbono, o que \u00e9 absolutamente incompat\u00edvel\u201d, completa.<\/p>\n<p>Os cr\u00e9ditos deveriam ser vendidos para que as empresas neutralizem parte das suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, compensando-as com a conserva\u00e7\u00e3o das florestas tropicais. Essas transa\u00e7\u00f5es s\u00e3o citadas em relat\u00f3rios de sustentabilidade e ESG (ambiental, social e governan\u00e7a) das companhias, ajudando a atrair investimentos e acessar financiamentos verdes.<\/p>\n<p>Cerca de 40% dos processos de minera\u00e7\u00e3o em conflito com \u00e1reas de cr\u00e9ditos de carbono est\u00e3o em fase de pesquisa, est\u00e1gio que permite escava\u00e7\u00e3o e supress\u00e3o vegetal. Outros 21% s\u00e3o pedidos para instala\u00e7\u00e3o de garimpo e pelo menos 33 (3,8%) possuem concess\u00e3o do Estado para lavra, etapa que autoriza a opera\u00e7\u00e3o completa da mina. A subst\u00e2ncia mais procurada nas \u00e1reas de cr\u00e9ditos de carbono \u00e9 o ouro, com ao menos 239 pedidos registrados na ANM. Outros 134 processos s\u00e3o para bauxita e 68 para cassiterita.\u00a0<\/p>\n<p>O Par\u00e1 lidera o ranking de conflito entre minera\u00e7\u00e3o e mercado de carbono, com 12 \u00e1reas identificadas, seguido pelo Amazonas, com 8, e Rond\u00f4nia, com 6. Os projetos fazem parte do chamado mercado volunt\u00e1rio de carbono \u2014 sistema n\u00e3o regulado que permite que empresas comprem cr\u00e9ditos, sem que isso conte para as metas oficiais dos pa\u00edses no \u00e2mbito dos acordos clim\u00e1ticos da ONU.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver uma proibi\u00e7\u00e3o legal para que projetos de carbono e de minera\u00e7\u00e3o ocupem o mesmo espa\u00e7o, especialistas consideram as duas atividades ambiental e climaticamente incompat\u00edveis. A l\u00f3gica dos projetos de carbono, especialmente os de REDD+, \u00e9 evitar emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e garantir a conserva\u00e7\u00e3o florestal a longo prazo, enquanto a da minera\u00e7\u00e3o, por sua natureza, implica em emiss\u00f5es significativas e na supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>A nova\u00a0Lei n\u00ba 15.042\/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es (SBCE), prev\u00ea que \u00e1reas que geram cr\u00e9ditos de carbono permane\u00e7am protegidas de futuros desmatamentos, sob pena de violar dois crit\u00e9rios. Um deles \u00e9 o de adicionalidade, que significa que a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de CO\u2082 s\u00f3 aconteceu por causa do projeto e n\u00e3o teria ocorrido no cen\u00e1rio normal, sem interven\u00e7\u00e3o. Ou seja, o projeto s\u00f3 pode gerar cr\u00e9ditos se comprovar que evitou um desmatamento ou degrada\u00e7\u00e3o florestal que era prov\u00e1vel e plaus\u00edvel sem suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O outro \u00e9 o de perman\u00eancia, que prev\u00ea que as redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es ou o carbono estocado na floresta precisam ser mantidos ao longo do tempo, evitando que o carbono volte para a atmosfera por desmatamento, degrada\u00e7\u00e3o ou outros fatores futuros. Projetos devem garantir que os benef\u00edcios clim\u00e1ticos sejam duradouros e est\u00e1veis.<\/p>\n<p>A lei tamb\u00e9m refor\u00e7a a obrigatoriedade de que povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais sejam consultados previamente antes da implanta\u00e7\u00e3o de projetos de carbono, de forma livre e informada, conforme estabelece a\u00a0Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho\u00a0(OIT) e os protocolos de consulta pr\u00f3prios de cada povo.<\/p>\n<p>Vecchione lembra que a integridade clim\u00e1tica firmada no Acordo de Paris, em 2015, n\u00e3o se limita apenas \u00e0 adicionalidade ou \u00e0 perman\u00eancia no tempo das redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es. Inclui tamb\u00e9m um compromisso expl\u00edcito com a integridade socioambiental. \u201cO pre\u00e2mbulo do Acordo deixa claro que as a\u00e7\u00f5es contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica devem respeitar os direitos humanos, incluindo os dos povos ind\u00edgenas e das comunidades locais, al\u00e9m de promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza. Isso n\u00e3o \u00e9 acess\u00f3rio, est\u00e1 escrito no texto-base do Acordo de Paris\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-depois-de-vender-milhares-de-creditos-area-e-desmatada-para-atender-demanda-por-minerais-estrategicos\">Depois de vender milhares de cr\u00e9ditos, \u00e1rea \u00e9 desmatada para atender demanda por minerais estrat\u00e9gicos<\/h4>\n<p>Pelo menos seis projetos de carbono identificados em \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o foram suspensos ap\u00f3s a constata\u00e7\u00e3o de irregularidades pela certificadora Verra. Alguns deles venderam milh\u00f5es de cr\u00e9ditos antes das \u00e1reas come\u00e7arem a ser desmatadas para projetos de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Projeto Ma\u00edsa REDD+, no munic\u00edpio de Moju, no Par\u00e1, vendeu 635 mil cr\u00e9ditos de carbono para 317 compradores, incluindo para revendedoras, e para marcas famosas, como Uber, Google, Giorgio Armani, AstraZeneca, TIM, entre outras.<\/p>\n<p>Em 2022, a\u00a0Ma\u00edsa Agropecu\u00e1ria desistiu do projeto de carbono\u00a0e rompeu contrato para preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, que era de 30 anos, para colocar minera\u00e7\u00e3o e fazendas no local. Desde ent\u00e3o, o desmatamento nessa \u00e1rea disparou e, em 2023, a ANM emitiu cinco autoriza\u00e7\u00f5es para minera\u00e7\u00e3o de terras raras, elementos estrat\u00e9gicos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, em toda a \u00e1rea antes destinada ao projeto de carbono. No total, mais de 6,4 mil hectares de florestas j\u00e1 foram desmatados na propriedade desde 2022.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>Em junho de 2023, uma opera\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho resgatou 16 pessoas em\u00a0condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o\u00a0na\u00a0propriedade do projeto Ma\u00edsa. Os trabalhadores foram encontrados realizando a derrubada de 477 hectares de floresta nativa. Em 2024, o Ibama multou a Ma\u00edsa Agropecu\u00e1ria em R$ 3,6 milh\u00f5es por ter realizado desmatamento na \u00e1rea sem autoriza\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n<p>Desenvolvido pela Biof\u00edlica em parceria com a Ma\u00edsa Agropecu\u00e1ria, o projeto prometia preservar mais de 28 mil hectares de floresta por pelo menos 30 anos, entre 2012 e 2052, mas foi encerrado por\u00a0\u201cdesequil\u00edbrio financeiro, em raz\u00e3o dos pre\u00e7os de venda dos cr\u00e9ditos de carbono\u201d, segundo a Ma\u00edsa Agropecu\u00e1ria argumentou para a Rep\u00f3rter Brasil, ap\u00f3s o resgate dos trabalhadores na fazenda. O status do projeto, de acordo com a plataforma Verra, \u00e9 \u201cinativo\u201d.<\/p>\n<p>A Uber, por exemplo, recebeu cr\u00e9ditos do projeto Ma\u00edsa, adquiridos por meio da empresa de consultoria ambiental Anaconda Carbon S.A,\u00a0para neutralizar 1.545 toneladas de CO2\u00a0das suas opera\u00e7\u00f5es no M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Equador, Panam\u00e1 e Rep\u00fablica Dominicana.\u00a0<\/p>\n<p>O Banco Votorantim (BV) utilizou 140 mil cr\u00e9ditos de carbono do projeto Ma\u00edsa para neutralizar emiss\u00f5es dos carros financiados pelo banco. J\u00e1 o Google neutralizou cinco toneladas de CO2 do seu projeto Google Cloud. A longa lista inclui companhias como a farmac\u00eautica AstraZeneca e a telef\u00f4nica TIM.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">ANM autoriza minera\u00e7\u00e3o de ouro e cobre em \u00e1rea de projeto de carbono<\/h4>\n<p>A cientista social Fabrina Furtado, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), voz cr\u00edtica ao mercado de carbono no Brasil, diz que esse mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es \u201ctem falhas estruturais\u201d, que v\u00e3o desde d\u00favidas sobre a efetiva posse das \u00e1reas dos projetos a quest\u00f5es conceituais, como a de que o livre mercado de carbono seria a sa\u00edda para o clima, o que, segundo ela, permite que empresas e governos deixem de enfrentar as reais causas da crise clim\u00e1tica, como a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o desmatamento ligado ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA sua origem \u00e9 falha, na l\u00f3gica de que o mercado vai solucionar um problema que o mercado criou. N\u00e3o \u00e9 esse mecanismo que vai combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, nem vai reduzir o desmatamento\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Furtado estuda os impactos dos projetos REDD h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e aponta que o sistema, longe de reduzir emiss\u00f5es, tem funcionado como um instrumento de flexibiliza\u00e7\u00e3o para grandes emissores, como mineradoras e petroleiras.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"991\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1-991x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-712608 lazy\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1-290x300.webp 290w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1-991x1024.webp 991w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1-768x794.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1-750x775.webp 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1-1140x1178.webp 1140w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-01-_2_-1486x1536-1.webp 1486w\" data-sizes=\"(max-width: 991px) 100vw, 991px\"\/><\/figure>\n<p>Maior emissor de cr\u00e9ditos em \u00e1rea sob risco de minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, o projeto de carbono\u00a0Florestal Santa Maria\u00a0(FSM-REDD+), no munic\u00edpio de Colniza (MT), tem ao menos sete autoriza\u00e7\u00f5es para pesquisa de ouro e cobre dentro de seus limites, segundo dados da ANM. Os pedidos est\u00e3o em nome das mineradoras\u00a03A Mining\u00a0e Nexum Resources, que comunicaram in\u00edcio das atividades de minera\u00e7\u00e3o formalmente \u00e0 ag\u00eancia entre fevereiro e maio deste ano.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo dados dispon\u00edveis na plataforma p\u00fablica da certificadora Verra, o projeto j\u00e1 emitiu\u00a08 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos, comercializados com mais de 300 compradores diretos.<\/p>\n<p>O projeto FSM-REDD+ foi desenvolvido pela Florestal Santa Maria S.A , controlada pela Bela Alian\u00e7a Agroneg\u00f3cios. Ele promete manter intactos at\u00e9 2039 mais de 17,7 mil hectares de floresta nativa no chamado \u201carco do desmatamento\u201d, uma das regi\u00f5es mais amea\u00e7adas da Amaz\u00f4nia brasileira. Mas toda essa \u00e1rea tamb\u00e9m est\u00e1 registrada para minera\u00e7\u00e3o, o que, segundo especialistas, pode colocar a perman\u00eancia do projeto em risco, caso a minera\u00e7\u00e3o avance.<\/p>\n<p>Em abril, a ANM\u00a0autorizou um garimpo de ouro\u00a0em uma \u00e1rea total de 9,8 mil hectares, que ocupa 1,3 mil hectares do projeto de carbono FSM. A autoriza\u00e7\u00e3o foi concedida \u00e0\u00a0Cooperativa Mista dos Garimpeiros de Peixoto de Azevedo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/bdf-20250627-185242-ae5584-800x570.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-712610 lazy\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/bdf-20250627-185242-ae5584-300x225.webp 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/bdf-20250627-185242-ae5584-768x576.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/bdf-20250627-185242-ae5584-750x536.webp 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/bdf-20250627-185242-ae5584-800x570.webp 800w\" data-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma das sete autoriza\u00e7\u00f5es para pesquisa de ouro na \u00e1rea do projeto FSM | Fonte: ANM\/Verra<\/figcaption><\/figure>\n<p>No relat\u00f3rio de risco enviado \u00e0 Verra em 2012, os respons\u00e1veis pelo projeto FSM minimizaram a chance de um poss\u00edvel avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>\u201c<\/em>Acredita-se que a quantidade de recursos minerais dispon\u00edveis na fazenda FSM n\u00e3o justifica investimentos em minera\u00e7\u00e3o<em>\u201d,\u00a0<\/em>escreveram. Na \u00e9poca, a minera\u00e7\u00e3o foi considerada como risco zero para o projeto.<\/p>\n<p>A lista de beneficiados do FSM \u00e9 diversa: inclui a Boeing e a mineradora Vale, que utilizaram esses cr\u00e9ditos para compensar suas emiss\u00f5es e promover metas de neutralidade de carbono. Entre as compradoras desses cr\u00e9ditos, tamb\u00e9m est\u00e1 a\u00a0Moss Earth, a maior comercializadora de cr\u00e9ditos do Brasil. Apesar das autoriza\u00e7\u00f5es para minera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, o projeto\u00a0segue ativo\u00a0na plataforma Verra.<\/p>\n<p>A mineradora Vale informou \u00e0 reportagem que a neutraliza\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es da sua cadeia do projeto FSM-REDD+ foram adquiridos por terceiros \u201cem nome da Vale\u201d \u2013 sem revelar a identidade do terceiro \u2013 para compensar as emiss\u00f5es de dois eventos patrocinados pela companhia, a Confer\u00eancia Internacional Vale Amaz\u00f4nia e o estande da Vale na Feira da Ind\u00fastria do Par\u00e1 (FIPA). Segundo a empresa, \u201ca Vale n\u00e3o teve participa\u00e7\u00e3o nem responsabilidade sobre essa transa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Conflitos sociais e grilagem de terras<\/h4>\n<p>Segundo Marcela Vecchione, essa financeiriza\u00e7\u00e3o da floresta imobiliza territ\u00f3rios na Amaz\u00f4nia para que sejam exclusivamente destinados a estes projetos, e restringe o uso tradicional da terra praticado pelos povos e comunidades locais. \u201cAs pessoas perdem autonomia em suas \u00e1reas, mudam seus modos de vida para atender aos requisitos de um projeto de carbono que, muitas vezes, n\u00e3o gera benef\u00edcio algum para elas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Por outro lado, segundo a pesquisadora, quase nada muda nas cadeias produtivas. \u201cAs empresas anunciam as compensa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o est\u00e3o mudando nada nas formas e escalas de produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o existe redu\u00e7\u00e3o, existe uma compensa\u00e7\u00e3o que \u00e9 falha no objetivo de reduzir as emiss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Nas terras ind\u00edgenas (TIs) Kayap\u00f3 e Munduruku, onde existem projetos registrados na Cercarbono, a reportagem identificou \u00e1reas de garimpo ilegal ativo sobrepostas \u00e0s \u00e1reas destinadas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de carbono.\u00a0<\/p>\n<p>O\u00a0Ipixuna REDD+ Project, \u00fanico projeto da certificadora colombiana com cr\u00e9ditos comercializados, est\u00e1 na TI Ipixuna, no Amazonas, que comercializou 50 mil cr\u00e9ditos. Nessa \u00e1rea, existem tr\u00eas processos de minera\u00e7\u00e3o ativos na borda da terra ind\u00edgena. Na ANM, os tr\u00eas pedidos foram notificados sobre a interfer\u00eancia no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na TI Munduruku, onde existem quatro projetos de carbono desenvolvidos pela empresa Indigenous Carbon LLC, os\u00a0projetos dividiram a comunidade. Apesar de ter o consentimento da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Pusuru, parte dos ind\u00edgenas alegam n\u00e3o terem sido consultados sobre os projetos. Eles apontam descumprimento do Protocolo de Consulta Munduruku, que estabelece que todas as aldeias devem ser consultadas. Mesmo assim, o projeto foi registrado na empresa certificadora e figura como ativo.<\/p>\n<p>Segundo a defensora p\u00fablica Andreia Macedo Barreto, do Par\u00e1, os projetos de carbono t\u00eam gerado uma nova frente de grilagem e conflitos fundi\u00e1rios. \u201cO pano de fundo de tudo \u00e9 a terra\u201d, diz Barreto. A Defensoria mant\u00e9m desde 2023 um projeto chamado \u201cCombate \u00e0 Grilagem do Carbono\u201d,\u00a0que recebeu o Pr\u00eamio Innovare, e resultou no bloqueio de matr\u00edculas suspeitas em \u00e1reas de floresta p\u00fablica usadas por projetos de carbono.<\/p>\n<p>A defensora relatou\u00a0diversos conflitos nas comunidades associados aos projetos de carbono, incluindo divis\u00f5es internas, disputas financeiras e restri\u00e7\u00f5es ao uso do territ\u00f3rio. Andreia Barreto destaca a disparidade dos benef\u00edcios sociais oferecidos \u00e0s comunidades, que geralmente recebem menos dinheiro do que as empresas comercializadoras.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o de projetos de carbono com \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, a defensora p\u00fablica foi enf\u00e1tica: \u201cA minera\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente incompat\u00edvel com um projeto de carbono. Voc\u00ea n\u00e3o pode prometer conserva\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, ter autoriza\u00e7\u00e3o oficial para escavar, derrubar floresta e abrir minas no mesmo territ\u00f3rio\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Ela lembra ainda que o poder econ\u00f4mico da minera\u00e7\u00e3o dificulta qualquer enfrentamento: \u201c\u00c9 um sistema muito mais estruturado, com apoio de Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, que recebem os royalties da minera\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, o mercado de carbono ainda \u00e9 nebuloso, mal fiscalizado e com muita gente fingindo que entende como ele funciona\u201d, disse.<\/p>\n<p>A defensora ressalta que as m\u00e9tricas de c\u00e1lculos dos projetos de carbono pressup\u00f5em o desmatamento de uma \u00e1rea, que \u00e9 o que valoriza o cr\u00e9dito por desmatamento evitado no mecanismo REDD+. \u201cO que a gente v\u00ea hoje \u00e9 um sistema que se retroalimenta da desgra\u00e7a do desmatamento. Se o desmatamento acabar, acabam tamb\u00e9m os projetos de cr\u00e9dito de carbono\u201d, concluiu.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-norsul-usou-creditos-para-limpar-operacoes-de-mineradoras-nbsp\">Norsul usou cr\u00e9ditos para limpar opera\u00e7\u00f5es de mineradoras\u00a0<\/h4>\n<p>A Companhia de Navega\u00e7\u00e3o Norsul est\u00e1 entre as maiores compradoras de cr\u00e9ditos de carbono de \u00e1reas em conflito com a minera\u00e7\u00e3o. Ao todo, a empresa declarou a neutraliza\u00e7\u00e3o de 354,8 mil toneladas de CO\u2082 \u00e0 Verra. Esses cr\u00e9ditos serviram para compensar as emiss\u00f5es de grandes mineradoras que utilizam o servi\u00e7o de cabotagem, como Vale, Hydro, ArcelorMittal e Braskem.<\/p>\n<p>A Norsul se apresenta\u00a0como a primeira empresa de navega\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a alcan\u00e7ar a neutraliza\u00e7\u00e3o total das emiss\u00f5es, por meio do programa \u201cCabotagem Carbono Neutro\u201c. A companhia usou cr\u00e9ditos gerados pelos projetos Ma\u00edsa, que foi suspenso e inativado pela Verra, e dos projetos Jari\/Amap\u00e1 e Jari\/Par\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>Os projetos Jari, no Amap\u00e1 e no Par\u00e1, desenvolvidos pela Jari Celulose em parceria com a Biof\u00edlica Ambipar, venderam 2,9 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos de carbono. Em 2023, uma parte do projeto no Par\u00e1 foi\u00a0suspensa por suspeitas de grilagem de \u00e1reas p\u00fablicas e falta de consulta adequada \u00e0s comunidades\u00a0que vivem na regi\u00e3o, segundo investiga\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Procuradoria do Estado do Par\u00e1. Uma\u00a0auditoria da certificadora Verra identificou contradi\u00e7\u00f5es sobre as disputas fundi\u00e1rias\u00a0na \u00e1rea e a aus\u00eancia de consulta \u00e0s comunidades. O projeto segue ativo na certificadora, que aguarda esclarecimentos dos proponentes do projeto.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Dentro da \u00e1rea dos dois projetos da Jari Celulose, existem 116 processos de minera\u00e7\u00e3o registrados, incluindo pedidos para explorar ouro, cassiterita, cobre, bauxita, entre outros, e em diferentes fases de concess\u00e3o na ANM. Entre 2014 e 2024, a \u00e1rea dos projetos Jari registrou 39,5 mil hectares de desmatamento, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"991\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1-991x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-712611 lazy\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1-290x300.webp 290w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1-991x1024.webp 991w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1-768x794.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1-750x775.webp 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1-1140x1178.webp 1140w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-03-_4_-1486x1536-1.webp 1486w\" data-sizes=\"(max-width: 991px) 100vw, 991px\"\/><\/figure>\n<p>\u00c0\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em>, a Vale informou que \u201cn\u00e3o possui rela\u00e7\u00e3o com o Projeto Ma\u00edsa ou adquiriu cr\u00e9ditos de carbono provenientes desse projeto\u201d. A mineradora afirma que o pr\u00f3prio nome \u201c\u00e9 mencionado nos registros de aposentadoria da Verra em fun\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de neutraliza\u00e7\u00e3o realizada pela empresa Norsul\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00e9ditos na cadeia de compensa\u00e7\u00f5es alem\u00e3<\/h4>\n<p>A alem\u00e3\u00a0Zukunftswerk eG, especializada em solu\u00e7\u00f5es de neutraliza\u00e7\u00e3o de carbono, adquiriu 162 mil cr\u00e9ditos de sete projetos de carbono com interfer\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o, incluindo os projetos Jari no Par\u00e1 e Amap\u00e1, Ma\u00edsa, Fortaleza Ituxi e do projeto Rio Preto-Jacund\u00e1 \u2013 esse \u00faltimo \u00e9 um dos mais desmatados entre os projetos de carbono analisados pela\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>Os cr\u00e9ditos adquiridos pela Zukunftswerk eG foram utilizados por vin\u00edcolas, gr\u00e1ficas, empresas de alimentos e redes de varejo de moda alem\u00e3s, como a Peek &amp; Cloppenburg (P&amp;C). Tr\u00eas dos sete projetos de REDD+ que atendem a Zukunftswerk t\u00eam participa\u00e7\u00e3o da Biof\u00edlica Ambipar, uma das maiores desenvolvedoras de projetos de carbono no Brasil.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em>, a Zukunftswerk eG afirmou que \u201cn\u00e3o tinha conhecimento de que os projetos mencionados se sobrep\u00f5em a \u00e1reas legalmente designadas para minera\u00e7\u00e3o\u201d. A consultoria informou que n\u00e3o adquire cr\u00e9ditos dos projetos FSM e Fortaleza Ituxi desde 2020, e afirmou que tem deixado de adquirir cr\u00e9ditos de projetos REDD+ \u201cdevido \u00e0 crescente incerteza na estimativa das redu\u00e7\u00f5es reais de emiss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>A Zukunftswerk destacou que seu processo incluiu a checagem de registro na Verra, auditorias de terceiros e reuni\u00f5es com a Biof\u00edlica na Alemanha antes da aquisi\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos. A empresa reconhece que os conflitos com a minera\u00e7\u00e3o levantam riscos sobre a integridade ambiental dos cr\u00e9ditos e afirmou que, caso surjam novas evid\u00eancias de irregularidades, ir\u00e1 aconselhar seus clientes a revisar suas estrat\u00e9gias de compensa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe houver um risco cr\u00edvel e documentado de que uma \u00e1rea florestal possa ser legalmente desmatada para minera\u00e7\u00e3o, isso compromete o valor ambiental do cr\u00e9dito. Em nossa opini\u00e3o, tais riscos devem ser divulgados, abordados de forma transparente pelos desenvolvedores de projetos e refletidos em processos de certifica\u00e7\u00e3o independentes\u201d, informou a consultoria.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-maior-desenvolvedora-de-carbono-tem-11-projetos-em-conflito-com-mineracao-nbsp\">Maior desenvolvedora de Carbono tem 11 projetos em conflito com minera\u00e7\u00e3o\u00a0<\/h4>\n<p>A Carbonext, considerada a maior desenvolvedora de projetos de carbono no Brasil, participou de pelo menos 11 projetos de carbono na Amaz\u00f4nia com algum tipo de interfer\u00eancia sobre \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o. Entre eles, est\u00e3o os projetos Unitor, Fortaleza Ituxi e Evergreen,\u00a0suspensos no ano passado\u00a0por suspeitas de grilagens de terras e explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira.<\/p>\n<p>Parte dessas \u00e1reas est\u00e1 destinada para minera\u00e7\u00e3o de ouro, cassiterita e ferro. Mais de 200 empresas usaram cr\u00e9ditos desses tr\u00eas projetos, incluindo Spotify, o banco Ita\u00fa, a locadora de carros Localiza e a mineradora Sigma, que explora l\u00edtio para baterias de carros el\u00e9tricos. Juntos, os tr\u00eas projetos da Carbonext venderam mais de 4 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos de carbono no mercado volunt\u00e1rio.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"991\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1-991x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-712612 lazy\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1-290x300.webp 290w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1-991x1024.webp 991w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1-768x794.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1-750x775.webp 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1-1140x1178.webp 1140w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/MAPA-04-_5_-1486x1536-1.webp 1486w\" data-sizes=\"(max-width: 991px) 100vw, 991px\"\/><\/figure>\n<p>Em 2022, a petroleira Shell investiu R$ 200 milh\u00f5es na empresa para desenvolvimento de projetos de carbono na Amaz\u00f4nia. Em 2023, a\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em><strong>\u00a0<\/strong>revelou que a Carbonext firmou contratos com comunidades ind\u00edgenas que foram considerados abusivos\u00a0por autoridades e comunidades locais.<\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m avan\u00e7a sobre projetos de carbono que ainda n\u00e3o chegaram ao mercado. Em Paragominas, no Par\u00e1, o Ybyr\u00e1 REDD+ Project, criado pela\u00a0Carbonext e a Coopercarbon, cooperativa focada no agroneg\u00f3cio, promete proteger mais de 76 mil hectares de floresta amaz\u00f4nica distribu\u00eddos em 74 propriedades rurais.\u00a0<\/p>\n<p>No papel, a \u00e1rea \u00e9 apresentada como um ativo ambiental para gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono que pode atender ao agroneg\u00f3cio. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, est\u00e1 sobreposta a 84 processos miner\u00e1rios, sendo que pelo menos quatro deles foram oficialmente autorizados pela ANM para explora\u00e7\u00e3o de bauxita, utilizada na produ\u00e7\u00e3o do alum\u00ednio.\u00a0<\/p>\n<p>As concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas do projeto Ybyr\u00e1 pertencem \u00e0 mineradora Hydro e \u00e0 Companhia Brasileira de Alum\u00ednio (CBA), do Grupo Votorantim. Em julho de 2024, em uma dessas \u00e1reas, a ANM prorrogou o prazo para que a Hydro inicie a lavra \u2014 ou seja, a retirada efetiva do min\u00e9rio \u2014 justamente na \u00e1rea declarada como \u201cprotegida\u201d para fins de compensa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Procurada pela\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em>, a Carbonext informou que adota um processo rigoroso de checagem fundi\u00e1ria e miner\u00e1ria antes de iniciar qualquer projeto de carbono. Em casos de risco identificado, \u201c\u00e9 elaborado parecer t\u00e9cnico especializado, que avalia a sobreposi\u00e7\u00e3o geoespacial entre \u00e1reas do projeto e direitos miner\u00e1rios\u201d. Segundo a Carbonext, informa\u00e7\u00f5es sobre esses riscos s\u00e3o devidamente comunicadas \u00e0s certificadoras.<\/p>\n<p>Sobre o Projeto Ybyr\u00e1, a empresa afirma que \u00e1reas com maior risco de minera\u00e7\u00e3o foram exclu\u00eddas e que os processos miner\u00e1rios pr\u00f3ximos \u201cest\u00e3o h\u00e1 mais de 40 anos sem in\u00edcio de lavra, com sucessivos pedidos de prorroga\u00e7\u00e3o\u201d, o que, na avalia\u00e7\u00e3o da Carbonext, reduz o risco de impacto sobre a perman\u00eancia do carbono.\u00a0<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos projetos Unitor, Ituxi e Evergreen,\u00a0investigados\u00a0pela Pol\u00edcia Federal, a Carbonext disse ter atuado apenas como prestadora de servi\u00e7os t\u00e9cnicos, sem papel de desenvolvedora, e que rescindiu os contratos assim que soube das investiga\u00e7\u00f5es. A empresa tamb\u00e9m afirmou que mant\u00e9m canais de comunica\u00e7\u00e3o abertos com compradores e que aplica mecanismos de buffer (uma reserva de cr\u00e9ditos) para mitigar eventuais riscos futuros.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-biofilica-diz-que-areas-de-mineracao-sao-instrumentos-formais-contra-especulacao-nbsp\">Biof\u00edlica diz que \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o \u2018s\u00e3o instrumentos formais contra especula\u00e7\u00e3o\u2019\u00a0<\/h4>\n<p>Em\u00a0nota, a Biof\u00edlica Ambipar, afirmou que todas as iniciativas de REDD+ que desenvolve seguem rigor t\u00e9cnico \u201cem conformidade com as exig\u00eancias das certificadoras e da legisla\u00e7\u00e3o vigente\u201d. A desenvolvedora dos projetos de carbono Ma\u00edsa e Jari afirmou que \u201cos requerimentos miner\u00e1rios citados s\u00e3o apenas instrumentos formais e preventivos para proteger o territ\u00f3rio contra especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, e nunca foram convertidos em lavra\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o projeto Ma\u00edsa, a empresa informou que ele foi encerrado em 2022, antes do desmatamento ocorrer na \u00e1rea e das den\u00fancias de irregularidades. \u201cTodos os cr\u00e9ditos emitidos foram produzidos dentro das melhores pr\u00e1ticas e verificados por auditorias independentes, permanecendo v\u00e1lidos e em conformidade com os padr\u00f5es estabelecidos \u00e0 \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ANM disse que n\u00e3o h\u00e1 norma espec\u00edfica que regulamente a coexist\u00eancia entre projetos de carbono e concess\u00f5es miner\u00e1rias na mesma \u00e1rea, ressaltando que \u201cos recursos minerais pertencem \u00e0 Uni\u00e3o, independente da titularidade da terra\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A ANM destacou que toda atividade de minera\u00e7\u00e3o depende de licenciamento ambiental e que, atualmente, n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de consulta pr\u00e9via sobre a exist\u00eancia de projetos de carbono nas \u00e1reas requeridas, nem integra\u00e7\u00e3o formal com entidades certificadoras dos projetos de carbono.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-verra-diz-que-mineracao-pode-levar-a-exclusao-de-areas-e-anulacao-de-creditos-nbsp\">Verra diz que minera\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 exclus\u00e3o de \u00e1reas e anula\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos\u00a0<\/h4>\n<p>A Verra, principal certificadora mundial de cr\u00e9ditos de carbono, afirmou \u00e0\u00a0<em>InfoAmazonia\u00a0<\/em>que possui mecanismos para lidar com casos em que projetos de compensa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica se sobrep\u00f5em a \u00e1reas com concess\u00f5es miner\u00e1rias. \u201cAntes que os cr\u00e9ditos possam ser emitidos, os projetos passam por um processo de valida\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o de precis\u00e3o, durante o qual a Verra analisa quest\u00f5es como direitos sobre a terra e poss\u00edveis sobreposi\u00e7\u00f5es com \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Anne Thiel, porta-voz da certificadora.<\/p>\n<p>Segundo a Verra, se uma concess\u00e3o miner\u00e1ria estiver ativa no momento do registro do projeto de carbono, a \u00e1rea em quest\u00e3o tende a ser exclu\u00edda do escopo do projeto. J\u00e1 se a minera\u00e7\u00e3o for autorizada ap\u00f3s o registro ou emiss\u00e3o dos cr\u00e9ditos, \u201co projeto provavelmente ter\u00e1 que excluir essa parcela e assumir, de forma conservadora, que toda a emiss\u00e3o realizada na \u00e1rea foi perdida\u201d. Em casos assim, a certificadora considera que h\u00e1 uma \u201crevers\u00e3o inevit\u00e1vel\u201d \u2014 ou seja, a floresta que deveria estar protegida foi desmatada \u2014, o que pode levar at\u00e9 \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do projeto. \u201cOs riscos principais em um cen\u00e1rio como esse s\u00e3o que o n\u00famero de concess\u00f5es ativas resulte em revers\u00e3o e poss\u00edvel t\u00e9rmino do projeto\u201d, completou a representante da Verra.<\/p>\n<p>A certificadora afirma que possui \u201crequisitos robustos de salvaguardas ambientais e sociais\u201d para garantir que os projetos n\u00e3o gerem impactos negativos \u00e0s comunidades ou \u00e0 natureza. No entanto, pondera que os impactos da minera\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o s\u00e3o responsabilidade do proponente do projeto\u201d, a menos que este tamb\u00e9m seja o detentor da concess\u00e3o miner\u00e1ria, algo que considera improv\u00e1vel. \u201cAinda assim, se uma concess\u00e3o \u00e9 concedida ou se torna ativa em uma \u00e1rea de projeto, isso pode alterar a base de c\u00e1lculo da integridade ambiental dos cr\u00e9ditos emitidos\u201d.<\/p>\n<p>Sobre os casos citados pela reportagem \u2013 como os projetos Ma\u00edsa, Jari, Fortaleza Ituxi e Unitor, que sofreram suspens\u00f5es ou est\u00e3o sob investiga\u00e7\u00e3o \u2013, a Verra afirmou que apenas o Ma\u00edsa foi oficialmente encerrado, a pedido do pr\u00f3prio desenvolvedor. Neste caso, os cr\u00e9ditos de reserva do projeto, chamado de buffer, foram cancelados, e a empresa respons\u00e1vel dever\u00e1 repor os cr\u00e9ditos.\u00a0<\/p>\n<p>Os demais casos seguem em an\u00e1lise de forma confidencial, e a certificadora informou que \u201ca Verra n\u00e3o comenta sobre projetos que est\u00e3o sob revis\u00e3o aberta\u201d, afirmou a certificadora.<\/p>\n<p>Questionada sobre a possibilidade de cancelar retroativamente cr\u00e9ditos j\u00e1 vendidos quando surgem evid\u00eancias de viola\u00e7\u00f5es socioambientais graves, a Verra respondeu que esse tipo de revis\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e est\u00e1 previsto em seu regulamento.\u00a0<\/p>\n<p>Especificamente sobre o projeto FSM-REDD+, que teve parte de sua \u00e1rea liberada recentemente para garimpo de ouro, a Verra disse que espera que os respons\u00e1veis incluam o epis\u00f3dio no pr\u00f3ximo relat\u00f3rio de monitoramento. Ainda assim, informou que ir\u00e1 revisar as informa\u00e7\u00f5es e poder\u00e1 abrir uma investiga\u00e7\u00e3o com base em seu procedimento de queixas. \u201cNosso processo de reclama\u00e7\u00f5es nos permite lidar com den\u00fancias a qualquer momento\u201d, afirmou. (leia respostas da Verra na \u00edntegra)<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-empresas-explicam-aquisicao-dos-creditos\">Empresas explicam aquisi\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos<\/h4>\n<p>O banco Ita\u00fa adquiriu novos cr\u00e9ditos para compensar as emiss\u00f5es de 2022 originalmente do projeto Ituxi, suspenso por irregularidades. A institui\u00e7\u00e3o financeira alega que, na \u00e9poca das aquisi\u00e7\u00f5es, o projeto estava em conformidade com os requisitos do banco.<\/p>\n<p>\u201cO projeto em quest\u00e3o, no qual a Carbonext foi o proponente respons\u00e1vel pela submiss\u00e3o na plataforma, passou por esse processo [de certifica\u00e7\u00e3o] e por auditoria externa, obtendo tamb\u00e9m registro no Verra, al\u00e9m de rating A no Sylvera [empresa de classifica\u00e7\u00e3o de projetos de carbono], em linha com as melhores pr\u00e1ticas de dilig\u00eancia do mercado quanto a quest\u00f5es t\u00e9cnicas e de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono. Em raz\u00e3o dos acontecimentos mencionados por voc\u00eas aqui, \u00e0 \u00e9poca o Ita\u00fa decidiu recompensar as emiss\u00f5es de 2022 que se referiam a esse projeto, cerca de 25 mil toneladas de carbono, por meio da aquisi\u00e7\u00e3o de novos cr\u00e9ditos de outros projetos\u201d, informou a assessoria do Ita\u00fa-Unibanco.<\/p>\n<p>O iFood informou que, desde 2022, n\u00e3o realiza novas aquisi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9ditos de carbono, concentrando seus esfor\u00e7os em a\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de descarboniza\u00e7\u00e3o. \u201cAs compensa\u00e7\u00f5es realizadas anteriormente contaram com a atua\u00e7\u00e3o de consultorias especializadas e utilizaram cr\u00e9ditos de projetos certificados por entidades internacionalmente reconhecidas\u201d, afirmou a plataforma de entregas.<\/p>\n<p>\u201cEntre 2021 e 2023, o iFood adquiriu cr\u00e9ditos de carbono de projetos como Ma\u00edsa, Jari e Fortaleza Ituxi, por meio de fornecedores como Eccaplan e Moss, e esses projetos n\u00e3o fazem mais parte do portf\u00f3lio da empresa\u201d, disse, em nota.<\/p>\n<p>A locadora de carros Localiza disse \u201cque n\u00e3o foi informada acerca da sobreposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas com registros de minera\u00e7\u00e3o na ANM ao adquirir os cr\u00e9ditos de carbono do projeto Fortaleza Ituxi\u201d. Ap\u00f3s as irregularidades da \u00e1rea, \u201crealizou uma nova compra de cr\u00e9ditos de outro projeto para sua substitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A a ArcelorMittal Brasil informou que n\u00e3o teve participa\u00e7\u00e3o na compra dos cr\u00e9ditos de carbono dos projetos Ma\u00edsa e Jari, e que \u201ca aquisi\u00e7\u00e3o foi feita por uma empresa terceirizada, a Norsul, para compensar emiss\u00f5es do transporte mar\u00edtimo, sem ci\u00eancia pr\u00e9via da ArcelorMittal\u201d. A empresa confirmou ter adquirido uma pequena quantidade de cr\u00e9ditos (equivalente a cinco toneladas de CO2) do projeto FSM-REDD, no Mato Grosso, e afirmou que adota um programa de gest\u00e3o de fornecedores com auditorias,\u00a0<em>due diligence<\/em>\u00a0e monitoramento para assegurar o cumprimento de legisla\u00e7\u00f5es e protocolos internos.<\/p>\n<p>Procurada pela\u00a0<em>InfoAmazonia<\/em>, a Moss informou que deixou de intermediar cr\u00e9ditos do projeto FSM-REDD e que, \u00e0 \u00e9poca das transa\u00e7\u00f5es, realizou as devidas dilig\u00eancias fundi\u00e1ria e miner\u00e1ria, sem identificar impedimentos. Sobre o projeto Fortaleza Ituxi REDD+, a empresa confirmou ter comercializado cr\u00e9ditos antes da suspens\u00e3o pela Verra em 2024, mas afirma ter comunicado os compradores institucionais ap\u00f3s o ocorrido, ressaltando que os cr\u00e9ditos j\u00e1 aposentados permanecem v\u00e1lidos.<\/p>\n<p>A Moss destacou, ainda, que os riscos fundi\u00e1rios e miner\u00e1rios s\u00e3o de responsabilidade dos desenvolvedores dos projetos e dos auditores independentes, e que a integridade dos cr\u00e9ditos \u00e9 garantida pelo mecanismo de buffer da Verra, que cobre eventuais perdas de perman\u00eancia. Atualmente, a empresa diz n\u00e3o atuar mais na intermedia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de terceiros e afirma revisar continuamente suas pol\u00edticas internas de governan\u00e7a e dilig\u00eancia pr\u00e9via.<\/p>\n<p>A Braskem, que tamb\u00e9m teve suas emiss\u00f5es compensadas por meio da Norsul, informou que \u201csolicitou esclarecimentos \u00e0 certificadora respons\u00e1vel pelo registro de tais projetos e \u00e0 detentora original dos cr\u00e9ditos (a Norsul)\u201d.<\/p>\n<p>O Banco Votorantim (BV) afirmou que adquiriu cr\u00e9ditos do projeto Ma\u00edsa em 2021, quando o projeto estava ativo e devidamente validado e verificado segundo os padr\u00f5es internacionais da certificadora Verra, sem que houvesse, \u00e0 \u00e9poca, qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o com processos miner\u00e1rios nas auditorias t\u00e9cnicas dispon\u00edveis. O BV informou ainda que, diante dos questionamentos recentes sobre projetos REDD+, tem conduzido revis\u00f5es internas cont\u00ednuas e est\u00e1 avaliando formas de compensar as emiss\u00f5es anteriormente neutralizadas com cr\u00e9ditos do Ma\u00edsa.<\/p>\n<p>A mineradora Hydro, que tem concess\u00e3o para minerar bauxita na \u00e1rea do projeto Ybyr\u00e1, informou que as \u00e1reas para minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o anteriores ao projeto de carbono. \u201cEntendemos que a responsabilidade de avaliar a compatibilidade de um projeto de carbono REDD+ com atividades existentes ou publicamente conhecidas (como atividades de minera\u00e7\u00e3o que podem ser verificadas na base de dados da ANM) na \u00e1rea do projeto recai sobre a entidade que desenvolve o projeto de carbono\u201d, afirmou a mineradora, que disse n\u00e3o ter sido \u201ccontatada pela empresa Carbonext, respons\u00e1vel pelo Projeto REDD+ Ybyr\u00e1\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A empresa de navega\u00e7\u00e3o Norsul informou que tomou conhecimento das poss\u00edveis irregularidades nos projetos de carbono Ma\u00edsa e Jari em junho de 2023 e, desde ent\u00e3o, suspendeu imediatamente o uso dos cr\u00e9ditos associados a essas \u00e1reas: \u201cquando a empresa tomou conhecimento das irregularidades, todos os cr\u00e9ditos associados a esses projetos foram suspensos e n\u00e3o s\u00e3o mais contabilizados nas pr\u00e1ticas de neutraliza\u00e7\u00e3o da Norsul\u201d, informou em nota \u00e0 reportagem. Segundo a Norsul, os cr\u00e9ditos haviam sido adquiridos junto \u00e0 Biof\u00edlica, com certifica\u00e7\u00e3o da Verra.<\/p>\n<p>A Uber informou que desde 2023 n\u00e3o utiliza mais cr\u00e9ditos de carbono da Anaconda Carbon. Questionada pela reportagem, a CBA disse que n\u00e3o vai se manifestar.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>InfoAmazonia\u00a0<\/em>tamb\u00e9m entrou em contato com todas as outras empresas citadas na reportagem, desenvolvedoras e compradores dos projetos de carbono: Google, Tim, Sigma Lithium, AstraZeneca, Ma\u00edsa Agroindustrial, Florestal Santa Maria, Boeing, Jari Celulose, Giorgio Armani, 3A Mining, Anaconda Carbon S.A. e Spotify. Mas n\u00e3o obtivemos retorno at\u00e9 esta publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>Esta reportagem foi produzida pela\u00a0<\/em><strong><em>Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia<\/em><\/strong><em>, com o apoio do\u00a0<\/em><strong><em>Instituto Serrapilheira<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Texto:\u00a0<\/strong>F\u00e1bio Bispo<br \/><strong>An\u00e1lise de dados:<\/strong>\u00a0Renata Hirota<br \/><strong>Visualiza\u00e7\u00e3o de dados:\u00a0<\/strong>Carolina Passos<br \/><strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Carolina Dantas<br \/><strong>Dire\u00e7\u00e3o editorial:<\/strong>\u00a0Juliana Mori<br \/>*\u00a0<em>Colaborou com a edi\u00e7\u00e3o Andr\u00e9s Berm\u00fadez Li\u00e9vano (<\/em><strong><em>CLIP<\/em><\/strong><em>)<\/em><\/p>\n<p><em>O trabalho da\u00a0<\/em><strong><em>InfoAmazonia<\/em><\/strong><em>\u00a0e do CLIP na constru\u00e7\u00e3o da base de dados foi apoiado pelo\u00a0<\/em><strong><em>Pulitzer Center<\/em><\/strong><em>.<\/em><em\/><\/p>\n<div class=\"article-source\">Conte\u00fado originalmente publicado em InfoAmazonia<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/27\/mais-da-metade-dos-creditos-de-carbono-da-amazonia-esta-contaminada-pela-mineracao\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcas globais como Ifood, Uber, Spotify e Google desembolsaram milh\u00f5es de d\u00f3lares para neutralizar suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa com projetos que, na pr\u00e1tica, podem n\u00e3o ter garantia de integridade clim\u00e1tica. 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