{"id":6676,"date":"2025-05-01T09:24:14","date_gmt":"2025-05-01T09:24:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/05\/01\/informalidade-e-inflacao-diminuem-impacto-da-melhora-no-mercado-de-trabalho-brasil-de-fato\/"},"modified":"2025-05-01T09:24:16","modified_gmt":"2025-05-01T09:24:16","slug":"informalidade-e-inflacao-diminuem-impacto-da-melhora-no-mercado-de-trabalho-brasil-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/05\/01\/informalidade-e-inflacao-diminuem-impacto-da-melhora-no-mercado-de-trabalho-brasil-de-fato\/","title":{"rendered":"informalidade e infla\u00e7\u00e3o diminuem impacto da melhora no mercado de trabalho \u2013 Brasil de Fato"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>O Brasil tem hoje uma das menores taxas de desemprego de sua hist\u00f3ria. De acordo com dados divulgados na quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 7% dos trabalhadores brasileiros est\u00e3o desocupados \u2013 \u00edndice 0,9 ponto mais alto do que a m\u00ednima hist\u00f3rica alcan\u00e7ada em novembro do ano passado e o menor para essa \u00e9poca do ano j\u00e1 registrado desde 2012.<\/p>\n<p>Estatisticamente, a situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho brasileiro \u00e9 t\u00e3o boa que alguns economistas indicam que o pa\u00eds vive o que alguns manuais de teoria econ\u00f4mica chamam de \u201cpleno emprego\u201d. Os n\u00fameros, entretanto, camuflam uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00e3o favor\u00e1vel assim ao trabalhador, ainda muito afetado pela informalidade e a precariedade dos trabalhos dispon\u00edveis no Brasil<\/p>\n<p>\u201cPleno emprego n\u00e3o \u00e9 emprego pleno\u201d, resumiu o economista Pedro Faria, doutor em hist\u00f3ria pela Universidade de Cambridge. \u201cN\u00e3o \u00e9 porque todos os trabalhadores est\u00e3o empregados que todos est\u00e3o vivendo a plenitude do trabalho.\u201d<\/p>\n<p>O chamado \u201cpleno emprego\u201d \u00e9 conceitualmente alcan\u00e7ado quando o desemprego cai a um patamar t\u00e3o baixo que quase j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais trabalhadores em busca de trabalho num pa\u00eds, por exemplo. Nesta hip\u00f3tese, para \u201cconvencer\u201d trabalhadores a aceitar um emprego, os empres\u00e1rios precisam elevar sal\u00e1rios a tal ponto que isso come\u00e7a a criar efeitos colaterais para a economia, como a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que h\u00e1 um entendimento de que, no caso brasileiro, a economia atinge o \u201cpleno emprego\u201d quando o percentual de desocupados baixa \u00e0 casa dos 6% \u2013 algo que aconteceu entre 2012 e 2014 e que voltou a acontecer no final de 2024.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico do IBGE indica evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da taxa de desemprego no Brasil \u2013 Reprodu\u00e7\u00e3o\/IBGE<\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim como Faria, ele refor\u00e7ou que a situa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica n\u00e3o significa uma realidade ideal para o trabalhador, principalmente no caso brasileiro. \u201cEstar em situa\u00e7\u00e3o de pleno emprego n\u00e3o significa que a economia n\u00e3o tem problemas no setor no mercado de trabalho. No Brasil, ainda existe um alto n\u00edvel de informalidade e boa parte do emprego gerado \u00e9 de menor renda\u201d, explicou Weiss.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em mar\u00e7o, 38% dos trabalhadores brasileiros ocupados tinham um trabalho informal \u2013 ou seja, n\u00e3o tinham garantidos direito como f\u00e9rias e 13\u00ba sal\u00e1rio ou eram aut\u00f4nomos sem qualquer registro. A taxa \u00e9 a menor j\u00e1 registrada, tirando aquela alcan\u00e7ada na pandemia, em que informais foram os que mais perderam trabalho.<\/p>\n<p>Ainda assim, \u00e9 alta comparada \u00e0 de outros pa\u00edses: nos EUA e na Alemanha, por exemplo, ela gira em torno de 10%.<\/p>\n<p>Nesses pa\u00edses, a renda que o trabalhador obt\u00e9m com o trabalho tamb\u00e9m \u00e9 bem maior que o brasileiro, apesar do rendimento tamb\u00e9m estar em patamar recorde. De acordo com o IBGE, um trabalhador brasileiro ganha em m\u00e9dia R$ 3.410 por m\u00eas \u2013 maior valor j\u00e1 medido pelo instituto desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2012. Isso, entretanto, est\u00e1 abaixo do rendimento de trabalhadores chilenos e mexicanos, por exemplo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1001\" height=\"621\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/rendimento-1001x570.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-682558 lazy\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/rendimento-300x186.png 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/rendimento-768x476.png 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/rendimento-750x536.png 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/rendimento-1001x570.png 1001w\" data-sizes=\"(max-width: 1001px) 100vw, 1001px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico do IBGE indica evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do rendimento m\u00e9dio do trabalhador no Brasil \u2013 Reprodu\u00e7\u00e3o\/IBGE<\/figcaption><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Problema estat\u00edstico<\/h4>\n<p>Juliane Furno, economista e professora de economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), acrescenta \u00e0 discuss\u00e3o sobre o pleno emprego brasileiro limita\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria estat\u00edstica de desemprego.<\/p>\n<p>Ela explica que o pleno emprego ocorre, primeiramente, quando a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 especialmente baixa. Essa taxa, entretanto, \u00e9 medida com base em entrevistas que nem sempre conseguem captar a real condi\u00e7\u00e3o do trabalhador.<\/p>\n<p>\u201cO IBGE pergunta a um entrevistado: \u2018voc\u00ea exerceu alguma atividade remunerada, pelo menos uma vez, na semana?\u2019 Se a pessoa disser que sim, ela \u00e9 considerada ocupada\u201d, explicou ela. \u201cEsse m\u00e9todo subestima o real contingente de pessoas desempregadas.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"901\" height=\"540\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/informalidade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-682561 lazy\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/informalidade-300x180.png 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/informalidade-768x460.png 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/informalidade-750x536.png 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/informalidade.png 901w\" data-sizes=\"(max-width: 901px) 100vw, 901px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico do IBGE indica evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da taxa de informalidade no Brasil \u2013 Reprodu\u00e7\u00e3o\/IBGE<\/figcaption><\/figure>\n<p>Marcelo Manzano, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da institui\u00e7\u00e3o (Cesit), confirma o problema.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m dos informais, no Brasil, h\u00e1 muitos trabalhadores subocupados estatisticamente contando como empregados. S\u00e3o pessoas que trabalham, mas menos horas do que gostariam, provavelmente porque a renda delas \u00e9 menor do que a necess\u00e1ria para suas necessidades\u201d, acrescentou. \u201cAinda temos os desalentados, que s\u00e3o os que n\u00e3o procuram trabalham porque, \u00e0s vezes, n\u00e3o t\u00eam dinheiro para o \u00f4nibus.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, o Brasil tinha at\u00e9 o final de mar\u00e7o 15,9% dos trabalhadores subocupados e outros 2,8% desalentados. Eles n\u00e3o engrossam a fila dos desempregados, mas s\u00e3o \u201csintomas de um mercado de trabalho extremamente doente\u201d, segundo Manzano.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Realidade al\u00e9m dos n\u00fameros<\/h4>\n<p>L\u00facia Garcia, economista e especialista em mercado de trabalho do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), diz que a realidade do trabalhador brasileiro est\u00e1 bem pior do que mostram os n\u00fameros.<\/p>\n<p>Ela disse que a reforma trabalhista de 2017 e outras op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas assumidas pelo Brasil nos \u00faltimos anos, priorizando o setor econ\u00f4mico agroexportador, fragilizaram a situa\u00e7\u00e3o do trabalhador. Hoje, a flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 tamanha que, apesar de empregado, um trabalhador n\u00e3o sabe quando trabalha, quanto ganhar\u00e1 no m\u00eas e se ter\u00e1 trabalho no m\u00eas seguinte.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos com trabalho imprevis\u00edvel, inst\u00e1vel, insuficiente e, acima de tudo, gerido de uma forma algor\u00edtmica\u201d, disse ela, citando os mais de 2 milh\u00f5es de trabalhadores que prestam servi\u00e7os contratados por plataformas digitais, como aplicativos de entrega. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para se animar com n\u00famero de PIB e desempenho econ\u00f4mico porque, da forma como eles s\u00e3o obtidos hoje, eles n\u00e3o trazem bem-estar.\u201d<\/p>\n<p>Em entrevista ao <em>Conex\u00e3o BdF<\/em>, do <strong>Brasil de Fato<\/strong>, Pedro Tourinho, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Jorge Duprat Figueiredo de Seguran\u00e7a e Medicina do Trabalho (Fundacentro), disse na segunda-feira (28) que o trabalhador brasileiro sente-se t\u00e3o pressionado pelas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho que o pa\u00eds vive uma\u00a0 \u201cepidemia de adoecimento mental\u201d.\u00a0 Em 2024, o pa\u00eds registrou 470 mil afastamentos relacionados a transtornos como depress\u00e3o e ansiedade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA press\u00e3o que massacra o trabalhador hoje est\u00e1 relacionada a cobran\u00e7as de metas irrealiz\u00e1veis, a baixa clareza nas tarefas, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio frequentes nos ambientes de trabalho e \u00e0s quest\u00f5es dos hor\u00e1rios e jornadas de trabalho\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luis Oreiro, economista e professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), ratifica cen\u00e1rio descrito por Garcia e Tourinho. Para ele, apesar do \u201cpleno emprego\u201d, o trabalhador est\u00e1 pior hoje do que estava h\u00e1 dez anos. \u201cHoje os trabalhadores est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o pior do que estavam em 2012 ou 2013, quando a taxa de desemprego era at\u00e9 maior\u201d, afirmou.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Solu\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>Oreiro afirma que o Brasil precisa avan\u00e7ar em sua reindustrializa\u00e7\u00e3o para tentar melhorar a qualidade de vida do seu trabalhador. Segundo o professor, \u00e9 na ind\u00fastria que um trabalhador consegue um emprego est\u00e1vel e com remunera\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA economia tem que continuar crescendo e, fundamentalmente, se reindustrializar para absorver essa m\u00e3o de obra que est\u00e1 em setores de baixa produtividade nos setores de produtividade mais alta, mas que n\u00e3o exigem um n\u00edvel t\u00e3o grande de educa\u00e7\u00e3o formal\u201d, afirmou. \u201cA ind\u00fastria consegue absorver m\u00e3o de obra com um n\u00edvel m\u00e9dio de escolaridade em atividades com n\u00edvel de produtividade mais alto.\u201d<\/p>\n<p>Na quarta (30), o Minist\u00e9rio do Trabalho divulgou que a economia brasileira j\u00e1 gerou 654 mil postos de trabalho com carteira assinada em 2025. O setor de servi\u00e7os foi o que mais criou empregos, com 362 mil postos abertos. A ind\u00fastria vem em seguida, criando 153 mil vagas.<\/p>\n<p>Weiss pondera que a melhora do rendimento do trabalhador, a queda da informalidade e a redu\u00e7\u00e3o do desemprego s\u00e3o fatos inquestion\u00e1veis. Para ele, o trabalhador n\u00e3o sente todas essas melhoras por conta da infla\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 em alta, e tamb\u00e9m por conta de uma \u201cbatalha de comunica\u00e7\u00e3o\u201d em que agentes da direita minimizam avan\u00e7os.<\/p>\n<p>O professor, entretanto, concorda que o mercado de trabalho brasileiro tem muito o que melhorar. \u201cVoc\u00ea tem que ter uma ind\u00fastria mais forte e servi\u00e7os de alta tecnologia, de valor agregado, de maior produtividade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m defende uma revis\u00e3o de pontos da reforma trabalhista para fortalecer a import\u00e2ncia de sindicatos em negocia\u00e7\u00f5es. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) chegou a prometer isso em sua campanha de 2022. Weiss, por\u00e9m, n\u00e3o v\u00ea espa\u00e7o no Congresso Nacional para pautas neste sentido.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a (29), dirigentes de pelo menos oito centrais sindicais se reuniram com Lula para lhe entregar uma carta de reivindica\u00e7\u00f5es do movimento sindical brasileiro. Entre os principais pontos, est\u00e3o o fim da jornada 6\u00d71, a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil e o fortalecimento dos sindicatos.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/01\/pleno-emprego-nao-e-emprego-pleno-informalidade-e-inflacao-diminuem-impacto-da-melhora-no-mercado-de-trabalho\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem hoje uma das menores taxas de desemprego de sua hist\u00f3ria. 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