{"id":3175,"date":"2024-12-21T11:24:16","date_gmt":"2024-12-21T11:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/21\/margareth-menezes-e-no-ambiente-da-cultura-que-a\/"},"modified":"2024-12-21T11:24:17","modified_gmt":"2024-12-21T11:24:17","slug":"margareth-menezes-e-no-ambiente-da-cultura-que-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/21\/margareth-menezes-e-no-ambiente-da-cultura-que-a\/","title":{"rendered":"Margareth Menezes: &#8216;\u00c9 no ambiente da cultura que a"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>A arte, quando realmente livre, \u00e9 parte central da resist\u00eancia pol\u00edtica a ditaduras e ao autoritarismo. &#8220;A express\u00e3o art\u00edstica vem da inspira\u00e7\u00e3o, existe esse ambiente livre de express\u00e3o. \u00c9 do ser humano. Nesse ambiente da cultura, pela pr\u00f3pria liberdade, \u00e9 que a resist\u00eancia \u00e0s ditaduras habita. Porque \u00e9 preciso resistir a algo que vai e compromete a vida humana.&#8221;<\/p>\n<p>A frase \u00e9 da ministra da Cultura, Margareth Menezes, em entrevista exclusiva ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>. Para ela, a\u00a0classe art\u00edstica \u00e9 parte fundamental na luta contra a extrema direita, que tentou articular um golpe de Estado no Brasil.<\/p>\n<p>A ministra celebra a possibilidade do Brasil ter novamente, com o filme <em>Ainda Estou Aqui<\/em>, um representante no Oscar. A obra gira em torno justamente das consequ\u00eancias da ditadura no pa\u00eds e da resist\u00eancia ao regime militar.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 hoje n\u00f3s estamos recolhendo ecos daquele momento onde milhares de pessoas foram mortas, assassinadas. Temos hoje um filme que est\u00e1 bastante falado, <em>Ainda Estou Aqui<\/em>, que conta de uma certa forma o impacto disso na vida de uma fam\u00edlia. Ent\u00e3o n\u00e3o queremos isso para n\u00f3s, o Brasil n\u00e3o precisa disso&#8221;, explica a ministra.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso parabenizar o Walter Salles, parabenizar a Fernanda Torres, o Selton Mello, a Fernanda Montenegro, toda a equipe. A gente ver ser reconhecido, estamos nas p\u00e1ginas do <em>The New York Times<\/em>. Ent\u00e3o isso para o Brasil, para n\u00f3s brasileiros e para n\u00f3s que somos do setor, trabalhamos com isso, \u00e9 engrandecedor&#8221;, completa.<\/p>\n<p>A ministra tamb\u00e9m faz um balan\u00e7o da situa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura (Minc) durante os dois primeiros anos do governo Lula, faz uma proje\u00e7\u00e3o para a pasta para 2025 e celebra a premia\u00e7\u00e3o de Vini J\u00fanior como melhor jogador do mundo pela Fifa, conquista que, segundo ela, \u00e9 um importante reconhecimento na luta contra o racismo.<\/p>\n<p>&#8220;O Vini est\u00e1 de parab\u00e9ns, \u00e9 muito corajoso por parte dele, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de car\u00e1ter tamb\u00e9m, uma quest\u00e3o da verve da pessoa, do sentimento, n\u00e9? \u00c9 se colocar nesse lugar de ser uma pessoa que denuncia o racismo. \u00c9 muito importante, porque voc\u00ea d\u00e1 exemplo de resist\u00eancia, exemplo de combate, que mobiliza, e ele \u00e9 uma pessoa que tem uma representatividade internacional&#8221;, conclui.\u00a0<\/p>\n<p><div class=\"youtube-embed\" data-video_id=\"0rBCgiH0JNc\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#039;\u00c9 no ambiente da cultura que a resist\u00eancia \u00e0s ditaduras habita&#039;, diz Margareth Menezes\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0rBCgiH0JNc?feature=oembed&#038;enablejsapi=1\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista completa:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: Tivemos conhecimento recentemente da tentativa de atentado contra o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes por parte de militares, em uma tentativa de golpe de Estado com o envolvimento, inclusive, de ex-ministros de Bolsonaro. H\u00e1 ind\u00edcios da participa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ex-presidente. Os artistas sempre estiveram na vanguarda no enfrentamento a ditadura militar brasileira. Hoje, a cultura ainda \u00e9 parte fundamental na luta contra o autoritarismo da extrema direita?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Margareth Menezes:<\/strong> Olha, quando a gente vai para o hist\u00f3rico da cultura no Brasil, o Minist\u00e9rio da Cultura est\u00e1 completando 40 anos. Nesses 40 anos, o Minist\u00e9rio da Cultura foi desmontado por tr\u00eas vezes. E, geralmente, no hist\u00f3rico desse desmonte, eram governos de direita. Voc\u00ea n\u00e3o pode travar o acontecimento cultural, porque ele vem da inspira\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o art\u00edstica vem da inspira\u00e7\u00e3o. Existe esse ambiente livre de express\u00e3o. \u00c9 do ser humano.<\/p>\n<p>Nesse ambiente da cultura, pela pr\u00f3pria liberdade, \u00e9 que a resist\u00eancia \u00e0s ditaduras habita. Porque \u00e9 preciso resistir a algo que vai e compromete a vida humana, porque se pensa diferente, porque se expressa diferente. Ent\u00e3o, \u00e9 razo\u00e1vel at\u00e9 que o artista, o mundo art\u00edstico, tenha a defesa da liberdade democr\u00e1tica. E tudo que investe contra isso n\u00f3s sensibilizamos a luta para garantir o ambiente para o acontecimento da cultura.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, isso \u00e9 muito sintom\u00e1tico. Dentro das ditaduras, os artistas, principalmente a juventude, s\u00e3o os mais perseguidos, os que mais s\u00e3o mortos, ent\u00e3o \u00e9 muito delicado. A gente ainda, nesses tempos de agora, ter que conviver ainda com uma tentativa de golpe, com a tentativa de submeter a popula\u00e7\u00e3o brasileira a um regime ditatorial, que nada mais \u00e9 do que garantir uma perman\u00eancia de uma vis\u00e3o restrita dos direitos sociais, direitos \u00e0 cultura, ent\u00e3o voc\u00ea restringe para uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o e escraviza e submete as outras. Somos um pa\u00eds de 210 milh\u00f5es de habitantes, cada regi\u00e3o tem a sua maneira de se manifestar, de reagir. Temos a\u00ed um componente de diversidade cultural imensa que comp\u00f5e essa sociedade.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil voc\u00ea querer imprimir s\u00f3 uma maneira de viver, de performar com a vida no pa\u00eds com essa dimens\u00e3o. Voc\u00ea imagina, o preju\u00edzo que \u00e9 isso. At\u00e9 hoje n\u00f3s estamos ainda recolhendo ecos daquele momento onde milhares de pessoas foram mortas, assassinadas. Temos hoje um filme que est\u00e1 bastante falado, <em>Ainda Estou Aqui<\/em>, que conta de uma certa forma o impacto disso na vida de uma fam\u00edlia. Ent\u00e3o n\u00e3o queremos isso para n\u00f3s, o Brasil n\u00e3o precisa disso. Eu acho muito importante a gente defender o ambiente democr\u00e1tico, em que cabem os pensamentos diferentes, cabe direita, cabe esquerda. \u00c9 preciso e importante a gente preservar a democracia, o direito \u00e0 fala e ao contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea citou o filme de Walter Salles e essa \u00e9 justamente a nossa pr\u00f3xima pergunta. Recentemente, Fernanda Torres foi indicada ao Globo de Ouro 2025 como Melhor Atriz por <em>Ainda Estou Aqui<\/em>. A atriz e o filme tamb\u00e9m concorrem a uma indica\u00e7\u00e3o in\u00e9dita no Oscar. Esse reconhecimento refor\u00e7a a excel\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o brasileira e a for\u00e7a da nossa cultura no cen\u00e1rio global?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil voltou a frequentar de novo esses grandes festivais. O cinema brasileiro, o audiovisual brasileiro, de alguma forma sempre teve um reconhecimento, \u00e9 um audiovisual que tem ao longo de sua hist\u00f3ria, mesmo com as nossas dificuldades, com o pa\u00eds ainda formando desenvolvimento de uma certa forma, ainda fortalecendo o setor das artes, especialmente do audiovisual, mas que sempre foi visto a sua produ\u00e7\u00e3o com um destaque perante o mundo. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante essa retomada.\u00a0<\/p>\n<p>Desde o ano passado, o Brasil foi homenageado em festivais importantes. Dentro do Minist\u00e9rio da Cultura, n\u00f3s reatamos a comunica\u00e7\u00e3o com a Ancine, a Secretaria de Audiovisual tamb\u00e9m tem feito a\u00e7\u00f5es importantes e \u00e9 muito importante para n\u00f3s ver um filme brasileiro nesse momento chegar aonde est\u00e1 chegando.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso parabenizar o Walter Salles, parabenizar a Fernanda Torres, o Selton Mello, a Fernanda Montenegro, toda a equipe. Estamos nas p\u00e1ginas do <em>The New York Times<\/em>. Ent\u00e3o isso para o Brasil, para n\u00f3s, brasileiros, e para n\u00f3s, que somos do setor, trabalhamos com isso, \u00e9 engrandecedor.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s n\u00e3o queremos parar a\u00ed, queremos que mais filmes brasileiros sigam esse caminho e n\u00f3s estamos trabalhando internamente, tanto na quest\u00e3o de fortalecer o setor nas \u00e1reas t\u00e9cnicas, lutar pela conquista do VOD [Video on Demand], das regulamenta\u00e7\u00f5es, em conson\u00e2ncia tamb\u00e9m com o setor, para abrir mais possibilidades da cota de telas, de telas para o cinema nacional interna e externamente, fazendo acordos de colabora\u00e7\u00e3o bilateral para o audiovisual brasileiro. Ent\u00e3o, n\u00f3s queremos cada vez ver mais esse acontecimento. E tamb\u00e9m torcer para que ela consiga e que <em>Ainda Estou Aqui<\/em> seja um filme exitoso. Mas ainda tudo que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo \u00e9 muito positivo, que a gente consiga trazer esses pr\u00eamios para o Brasil.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Estamos chegando a dois anos de mandato do presidente Lula. Gostaria de iniciar perguntando sobre a gest\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura at\u00e9 aqui. Qual o balan\u00e7o que voc\u00ea faz?<\/strong><\/p>\n<p>O balan\u00e7o que eu fa\u00e7o \u00e9 um balan\u00e7o positivo do Minist\u00e9rio da Cultura, porque nos \u00faltimos dois anos, n\u00f3s tivemos uma miss\u00e3o muito importante, muito complexa naqueles primeiros momentos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura. \u00c9 preciso colocar isso tamb\u00e9m como uma das nossas metas cumpridas em 2023, porque realmente o que houve de desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas, desconex\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura com as secretarias de municipais e estaduais, a desconex\u00e3o tamb\u00e9m do di\u00e1logo com o setor cultural, em todas as \u00e1reas das artes. Al\u00e9m de fazer essa remontagem, porque reconstruir \u00e9 muito mais dif\u00edcil que come\u00e7ar algo do zero.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o essa retomada nos custou tamb\u00e9m toda uma aten\u00e7\u00e3o, todo um desdobramento de querer fazer, porque \u00e9 muito simples a gente ficar aqui dentro trancado, mas a gente foi pra rua. O Minist\u00e9rio da Cultura lan\u00e7ou um projeto chamado Circula Minc, onde gestores do Minc percorreram todos os estados, nos reunimos com todo o setor, com os secret\u00e1rios de cultura, retomando essa liga\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o isso foi muito importante para isso que viria depois, que foi a execu\u00e7\u00e3o da lei emergencial Paulo Gustavo, que foi uma conquista do setor durante a pandemia e que n\u00e3o conseguiu ser executada durante a pandemia, porque o governo passado, o presidente passado, vetou a execu\u00e7\u00e3o da lei emergencial.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00f3s atravessamos a pandemia sem uma pol\u00edtica p\u00fablica e sem nenhum tipo de socorro. O setor cultural foi o primeiro que parou, o setor art\u00edstico cultural, de promo\u00e7\u00e3o de eventos, o primeiro que parou e o \u00faltimo que voltou a circular. Ent\u00e3o [durante] todo esse processo n\u00f3s passamos sem nenhum socorro direto. Foi preciso a Lei Aldir Blanc 1, que foi o Congresso Nacional que socorreu, e a lei Paulo Gustavo, que tamb\u00e9m foi criada nessas mesmas circunst\u00e2ncias, mas que s\u00f3 foi executada em 2023.<\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos que fazer primeiro essa liga\u00e7\u00e3o, para depois fazer essa inje\u00e7\u00e3o, e a\u00ed conseguimos que 98% das cidades, 100% dos estados, abrissem essa conex\u00e3o para receber essa inje\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a primeira parte da lei Aldir Blanc. Foi uma inje\u00e7\u00e3o imensa de fomento direto do governo federal para os estados de capitais no ano 2023 e o processo de execu\u00e7\u00e3o, de lan\u00e7amento de editais das secretarias e dos estados tamb\u00e9m t\u00eam um timing de prepara\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tamb\u00e9m criamos assist\u00eancias para esses momentos. O Minist\u00e9rio da Cultura criou uma diretoria espec\u00edfica para prestar assist\u00eancia a essas cidades devido a todo o processo de inani\u00e7\u00e3o, praticamente podemos dizer assim, dessa conex\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Cultura.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00f3s tivemos tamb\u00e9m outras pol\u00edticas tamb\u00e9m importantes: a retomada da Funarte [Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes], a retomada do Iphan [Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional], do Ibram [Instituto Brasileiro de Museus], direitos autorais, fomos de novo buscar o protagonismo que o Brasil tinha na pauta de direitos autorais, a defesa dos direitos do setor cultural em v\u00e1rias leis, retomamos a\u00ed a busca de marcos importantes, o marco regulat\u00f3rio do fomento. Tamb\u00e9m teve a regulamenta\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Cultura, n\u00f3s sa\u00edmos catando tudo que era pertinente ao ambiente cultural para conseguir fazer essa reprograma\u00e7\u00e3o, reorganiza\u00e7\u00e3o interna das finan\u00e7as do Minist\u00e9rio da Cultura. Reinstitucionalizamos todos os conselhos de todas as \u00e1reas, tudo isso foi feito nesse primeiro ano.<\/p>\n<p>No segundo ano, em 2024, n\u00f3s continuamos no refinamento dessas execu\u00e7\u00f5es, tivemos alguns gargalos, porque sofremos reten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de or\u00e7amento importante no ano passado. N\u00f3s come\u00e7amos fortes, e depois n\u00f3s tivemos um corte no or\u00e7amento, como todo o governo teve que ser adequado desde o ano passado a toda essa essa arquitetura para a gente dar conta desse desse organismo fiscal. E n\u00f3s temos que colaborar.\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo assim, em 2024 tivemos entregas important\u00edssimas. A 4\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Cultura, tinha dez anos que n\u00e3o tinha confer\u00eancia cultural no Brasil com delegados. Foram cinco mil delegados representantes dos setores e dos estados e das cidades participando. Foi muito importante. N\u00f3s escolhemos ali propostas para formatar o novo Plano Nacional de Cultura e a regulamenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desse nosso sistema. Conseguimos a aprova\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o, conseguimos a cota de tela de volta para o cinema brasileiro ter espa\u00e7o nas telas de cinemas do Brasil.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m n\u00f3s tivemos o G20, que foi uma grande miss\u00e3o. O G20 foi a grande entrega do Brasil e do Minist\u00e9rio da Cultura tamb\u00e9m, porque para o ambiente que n\u00f3s chegamos aqui e encontramos, ter a possibilidade, a capacidade de executar um G20 e fazer a entrega na dimens\u00e3o que n\u00f3s fizemos, conseguindo assinar a carta e declara\u00e7\u00e3o dos ministros, que j\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas G20s passados, n\u00e3o tinha sido conseguido assinar ainda&#8230; E colocar a cultura na carta principal dos presidentes do G20, como compromisso de olhar a cultura como uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o e de combate ao desequil\u00edbrio clim\u00e1tico e combate a fome e a mis\u00e9ria. Isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa simples de fazer. Al\u00e9m do que fizemos na confer\u00eancia, fizemos a entrega do G20 e continuamos com todas as outras pol\u00edticas tamb\u00e9m e os marcos regulat\u00f3rios e essas pautas todas s\u00e3o importantes para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mais uma coisa que \u00e9 importante dizer, que o Minist\u00e9rio da Cultura tem cumprido toda essa cartela de a\u00e7\u00f5es com 20% menos de servidores e \u00e9 preciso de gente, de m\u00e3o de obra para fazer. O pa\u00eds imenso, com 210 milh\u00f5es de habitantes, acontecimento cultural em todos os lugares e o sistema Minc \u00e9 imenso. Sem essa for\u00e7a de trabalho dos servidores, a dedica\u00e7\u00e3o dos diretores, dos gestores, secret\u00e1rios, todas as suas equipes, seria imposs\u00edvel entregar tudo isso que n\u00f3s entregamos. Ent\u00e3o, eu tenho que dizer que \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o positiva, encerrando o ano com tantas conquistas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ministra, a Lei Aldir Blanc tinha uma previs\u00e3o de R$ 3 bilh\u00f5es em 2024. No fim de novembro, o governo anunciou um corte de R$ 1,3 bilh\u00e3o no pacote de corte de gastos.\u00a0 Eu queria que voc\u00ea comentasse um pouco como isso pode afetar a classe art\u00edstica, e j\u00e1 incluindo uma nova pergunta dentro desse tema, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Executivo federal vai parar de mandar dinheiro para estados e munic\u00edpios que n\u00e3o usam os recursos e deixam a verba parada nos seus caixas. Essa \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o ao que foi visto recentemente na cidade de S\u00e3o Paulo, onde trabalhadores da cultura contemplados na Lei Aldir Blanc nunca chegaram a receber os recursos por parte da gest\u00e3o municipal?<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a pol\u00edtica Aldir Blanc, de incentivo \u00e0 cultura, essa pol\u00edtica t\u00e3o importante para n\u00f3s, jamais o Minist\u00e9rio da Cultura poderia perder essa oportunidade. N\u00f3s garantimos os R$ 15 bilh\u00f5es, que \u00e9 a coisa mais importante. N\u00e3o s\u00f3 como ministra, mas tamb\u00e9m como artista, ver que nunca no ambiente cultural n\u00f3s tivemos uma oportunidade de ter uma lei, um fomento espec\u00edfico para a cultura desse porte.<\/p>\n<p>N\u00f3s garantimos os 15 bilh\u00f5es, \u00e9 importante a gente dizer isso, o que mudou foi que para o gestor agora, para ter acesso ao pr\u00f3ximo pagamento, a pr\u00f3xima parcela que est\u00e1 garantida, \u00e9 preciso tamb\u00e9m comprovar 50 % de execu\u00e7\u00e3o desses recursos para que se possa ter acesso a pr\u00f3xima parcela. Ent\u00e3o, na verdade, essa requalifica\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da lei \u00e9 saud\u00e1vel para o gestor,\u00a0 porque vai ter mais tempo para qualificar os editais, o pr\u00f3prio setor vai ter mais tempo para se preparar sem a gente perder de vista que n\u00f3s tivemos os R$ 3,8 bilh\u00f5es da Paulo Gustavo e mais R$ 3 bilh\u00f5es da Aldir Blanc.\u00a0<\/p>\n<p>Existe a\u00ed um volume importante de fomento nos munic\u00edpios e nos estados. Foi importante tamb\u00e9m haver esse di\u00e1logo para a gente conseguir, da mesma maneira, auxiliar o governo, mas tamb\u00e9m sem perder essa conquista importante. N\u00f3s estamos vigilantes em rela\u00e7\u00e3o a isso. \u00c9 uma pol\u00edtica cultural, \u00e9 uma pol\u00edtica que ela acontece na hora, nas pontas, o insumo principal da cultura \u00e9 o ser humano.<\/p>\n<p>Temos dialogado com os f\u00f3runs, secret\u00e1rios, tanto municipais, como estaduais, para acalmar as pessoas, porque \u00e9 claro que existe um aspecto da pessoa, olhar e dizer &#8220;n\u00e3o, mudou&#8221;, mas como n\u00f3s j\u00e1 estamos estudando o comportamento da implementa\u00e7\u00e3o da lei, conseguimos criar dispositivo positivo para a execu\u00e7\u00e3o da lei e para ter acesso, porque \u00e9 razo\u00e1vel que os entes tamb\u00e9m tenham que executar o que tem l\u00e1.<\/p>\n<p>O que o ministro Haddad falou n\u00e3o se refere apenas \u00e0 quest\u00e3o da pol\u00edtica da cultura, do fomento da cultura, mas uma observa\u00e7\u00e3o do governo. \u00c9 saud\u00e1vel que haja isso, \u00e9 uma maneira tamb\u00e9m que a gente vai fazer e cumprir esse processo econ\u00f4mico que n\u00f3s estamos atravessando, colaborar com o governo mais, deixar bem claro que n\u00f3s n\u00e3o perdemos uns R$ 15 milh\u00f5es e que n\u00f3s vamos adequar agora ao longo do pr\u00f3ximo ano como ser\u00e1 esse desdobramento, esse repasse mais com esse precedente de que cada ente tem que pelo menos executar 50% das suas parcelas que est\u00e3o j\u00e1 com os estados e munic\u00edpios.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Eu queria que a gente falasse um pouco das periferias, voc\u00ea citou no Dia da Nacional da Cultura a import\u00e2ncia de cria\u00e7\u00e3o de linhas especiais de patroc\u00ednio nas periferias, na regi\u00e3o norte e tamb\u00e9m nos territ\u00f3rios criativos. Eu queria que voc\u00ea explicasse pra gente como que isso deve funcionar.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Estamos neste momento fazendo um processo de corre\u00e7\u00e3o da lei incentivo, que \u00e9 a lei Rouanet, ent\u00e3o n\u00f3s criamos alguns programas para isso, devido ao hist\u00f3rico que n\u00f3s vimos de concentra\u00e7\u00e3o. N\u00f3s estamos com a vis\u00e3o de nacionaliza\u00e7\u00e3o, e essa vis\u00e3o de nacionaliza\u00e7\u00e3o n\u00f3s criamos alguns programas espec\u00edficos, a Rouanet Norte, que foi um dispositivo entre as estatais, conseguimos R$ 5 milh\u00f5es de cada uma, s\u00e3o R$ 25 milh\u00f5es para ser captados e injetados, executados por agentes culturais da regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p>Lan\u00e7amos recentemente a Rouanet Nordeste, que vem nesse mesmo formato. Criamos Rouanet Territ\u00f3rios, para fortalecer organiza\u00e7\u00f5es que trabalhem j\u00e1 no fortalecimento das manifesta\u00e7\u00f5es e de agentes culturais que trabalhem, por exemplo, o artesanato, a melhoria disso, a acelera\u00e7\u00e3o disso, porque tem v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es que j\u00e1 fazem isso, mas que falta o apoio.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos, atrav\u00e9s da Rouanet Territ\u00f3rios, trazendo o apoio de uma organiza\u00e7\u00e3o de uma empresa para apoiar essas organiza\u00e7\u00f5es que j\u00e1 trabalham na melhora, na qualifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. E Rouanet Juventude, que vai junto com a Shell, esse tamb\u00e9m programa maravilhoso para potencializar a forma\u00e7\u00e3o de novos agentes, exclusivamente para jovens. N\u00f3s estamos tamb\u00e9m lan\u00e7ando o Rouanet Favelas, para ser captado e aplicado em territ\u00f3rios de favelas de todo o Brasil. Estamos fazendo por partes, j\u00e1 fizemos dois e assim sucessivamente at\u00e9 conseguimos fazer abranger todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, estamos em di\u00e1logo com empresas, com novas empresas para que elas possam ter consci\u00eancia da oportunidade que \u00e9 investir em cultura, tanto usando a lei, mas como tamb\u00e9m por iniciativa pr\u00f3pria, que \u00e9 importante tamb\u00e9m que essa a\u00e7\u00e3o da iniciativa pr\u00f3pria comece a ser repercutida. A nossa representatividade tamb\u00e9m ativa a economia, voc\u00ea est\u00e1 trabalhando ali, fomentando trabalho, inclus\u00e3o, oportunidade para esse setor, que s\u00e3o milhares e milh\u00f5es de pessoas que trabalham no setor de cultura do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Em 22 de novembro, o governo brasileiro pediu desculpas ao povo negro pelo per\u00edodo da escravid\u00e3o. Como voc\u00ea recebeu esse an\u00fancio?<\/strong><\/p>\n<p>Esse an\u00fancio n\u00e3o tem como a gente, que \u00e9 sens\u00edvel a quest\u00e3o, n\u00e3o sentir uma certa emo\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo sabendo que \u00e9 uma retrata\u00e7\u00e3o que vem de uma certa forma tardiamente. Mas eu acho importante esses marcos acontecerem no Brasil. O dia 20 de novembro foi, pela primeira vez, feriado nacional no nosso pa\u00eds. \u00c9 importante reconhecer essas conquistas do povo negro, da comunidade afrodescendente brasileira, que prestou tantos servi\u00e7os positivos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional.\u00a0<\/p>\n<p>Acho muito importante haver esse marco, desse reconhecimento, porque n\u00e3o \u00e9 uma coisa que vira uma coisa institucional de verdade, mas nos ajuda nessa consci\u00eancia da luta, da necessidade da luta contra o racismo no Brasil. N\u00f3s temos dados a\u00ed assombrosos em rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o do preconceito, do assassinato de jovens negros, da quest\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Como que a cultura pode ser usada? Onde tem mais cultura tem menos viol\u00eancia, onde tem mais livros, tem menos armas, onde tem equipamentos culturais, voc\u00ea proporciona tamb\u00e9m ali aos jovens principalmente, outras oportunidades, ent\u00e3o n\u00f3s estamos trabalhando nesse sentido e queremos tamb\u00e9m tanto para os nossos policiais como tamb\u00e9m para as nossas comunidades, um ambiente melhor para viver.<\/p>\n<p>Estamos sim sens\u00edveis a isso e eu vejo que \u00e9 muito importante o governo ter feito essa a\u00e7\u00e3o. Institucionalizar esse perd\u00e3o, cada vez mais chamando a aten\u00e7\u00e3o de todos para uma luta, uma uni\u00e3o de for\u00e7as, que n\u00e3o \u00e9 luta s\u00f3 de pessoas negras, \u00e9 uma luta de todo ser humano. Eu costumo dizer que s\u00f3 \u00e9 contra a consci\u00eancia negra quem n\u00e3o tem consci\u00eancia humana, porque ainda no Brasil vamos falar sobre isso e mergulhar mais a fundo para essa corre\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea recebeu a vit\u00f3ria de Vini J\u00fanior no pr\u00eamio de melhor do mundo. O que esse feito representa na luta contra o racismo e para os jovens negros no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>O Vini est\u00e1 de parab\u00e9ns, \u00e9 muito corajoso por parte dele, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de car\u00e1ter tamb\u00e9m, uma quest\u00e3o da verve da pessoa, do sentimento. \u00c9 se colocar nesse lugar de ser uma pessoa que denuncia o racismo. \u00c9 muito importante, porque voc\u00ea d\u00e1 exemplo de resist\u00eancia, exemplo de combate, que mobiliza, e ele \u00e9 uma pessoa que tem uma representatividade internacional.\u00a0<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus que est\u00e1 sendo reconhecida a qualidade dele como jogador. Tamb\u00e9m \u00e9 uma pessoa que n\u00e3o \u00e9 omissa \u00e0s causas que dizem respeito a ele como cidad\u00e3o. Ele \u00e9 um homem negro, assume isso e luta para que todas as pessoas negras tenham tamb\u00e9m o direito ao respeito \u00e0 sua exist\u00eancia. Se coloca tamb\u00e9m como porta-voz dessa causa. Temos muito orgulho de ter uma pessoa da qualidade do Vini Jr., como outros jogadores tamb\u00e9m negros e n\u00e3o negros, que est\u00e3o nesse esporte que \u00e9 t\u00e3o amado pelo povo brasileiro e pelo povo do mundo.\u00a0<\/p>\n<p>O futebol, eu admiro, gosto tamb\u00e9m, queria parabenizar a Marta tamb\u00e9m, que foi premiada. \u00c9 muito importante a evolu\u00e7\u00e3o que o futebol feminino est\u00e1 tendo de um tempo pra c\u00e1 e que cada vez mais a gente apoie realmente os esportes no Brasil, a cultura do Brasil, o povo que consome a sua pr\u00f3pria cultura. N\u00f3s precisamos cada vez mais mostrar essa pot\u00eancia do povo brasileiro fortalecendo os nossos representantes.<\/p>\n<p class=\"editor\" rel=\"editor\" itemprop=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Thalita Pires<\/p>\n<p><\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/12\/21\/margareth-menezes-e-no-ambiente-da-cultura-que-a-resistencia-as-ditaduras-habita\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arte, quando realmente livre, \u00e9 parte central da resist\u00eancia pol\u00edtica a ditaduras e ao autoritarismo. &#8220;A express\u00e3o art\u00edstica vem da inspira\u00e7\u00e3o, existe esse ambiente livre de express\u00e3o. \u00c9 do ser humano. 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