{"id":3138,"date":"2024-12-20T05:24:12","date_gmt":"2024-12-20T05:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/20\/trabalhar-no-natal-a-luta-por-dignidade-nas-jornadas\/"},"modified":"2024-12-20T05:24:13","modified_gmt":"2024-12-20T05:24:13","slug":"trabalhar-no-natal-a-luta-por-dignidade-nas-jornadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/20\/trabalhar-no-natal-a-luta-por-dignidade-nas-jornadas\/","title":{"rendered":"Trabalhar no Natal: a luta por dignidade nas jornadas"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>O Natal \u00e9 uma das datas mais simb\u00f3licas do calend\u00e1rio, marcada por reencontros, celebra\u00e7\u00f5es e momentos de pausa para compartilhar com a fam\u00edlia. Mas, para milhares de trabalhadores brasileiros, essa realidade est\u00e1 distante. A rotina imposta pela escala 6&#215;1 \u2013 que exige seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso \u2013 impede que muitos vivenciem o esp\u00edrito natalino em casa.<\/p>\n<p>\u201cEu sou vendedora h\u00e1 17 anos e sempre trabalhei no com\u00e9rcio. A escala \u00e9 desumana. Quando eu folgo, fico cansada, sem disposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 quero dormir\u201d, desabafa uma vendedora, que trabalha em um shopping, e preferiu n\u00e3o se identificar por medo de repres\u00e1lias.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cVejo meu filho quando chego do trabalho e vejo minha esposa s\u00f3 quando vou dormir. Vou trabalhar no dia 24\/12 e n\u00e3o terei tempo nem de preparar um chester para a minha fam\u00edlia\u201d, completa.<\/p>\n<p>A realidade descrita pela trabalhadora n\u00e3o \u00e9 isolada. Em Minas Gerais, setores como com\u00e9rcio, servi\u00e7os e ind\u00fastria s\u00e3o os que mais empregam sob a escala 6&#215;1. Vigilantes, balconistas, operadores de m\u00e1quinas e comerci\u00e1rios compartilham relatos semelhantes, destacando o impacto da jornada exaustiva em suas vidas pessoais.<\/p>\n<p>:: Receba not\u00edcias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::<\/p>\n<p>\u201cEstou h\u00e1 oito meses como frentista. Quando consegui a vaga, n\u00e3o sabia que ia ficar t\u00e3o exausto. Tenho s\u00f3 um dia para descansar na semana, mas nem descanso direito porque preciso resolver outras coisas\u201d, conta outro trabalhador, tamb\u00e9m sob anonimato, pois tamb\u00e9m temeu repres\u00e1lias do dono do posto de combust\u00edveis onde ele trabalha.\u00a0<\/p>\n<p>Ele relata o impacto emocional da rotina.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho filhos ainda, mas penso se teria tempo para dedicar a eles. J\u00e1 mal consigo ficar com minha noiva. Quando chego em casa, vou direto para o quarto, nem vejo minha av\u00f3 direito\u201d, continua.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Impacto e resist\u00eancia<\/p>\n<p>F\u00e1bio Bezerra, do Sindicato de Docentes do Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica de Minas Gerais (Sindcefet-MG), destacou em entrevista ao Brasil de Fato MG, a import\u00e2ncia de se mobilizar contra retrocessos nos direitos trabalhistas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEssas jornadas exaustivas n\u00e3o s\u00e3o apenas uma quest\u00e3o de sa\u00fade, mas de dignidade. \u00c9 necess\u00e1rio organizar a categoria e lutar por condi\u00e7\u00f5es melhores\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A escala 6&#215;1 \u00e9 regulamentada pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), que obriga um dia de descanso para cada seis trabalhados. Contudo, muitos trabalhadores argumentam que o modelo \u00e9 incompat\u00edvel com uma vida equilibrada. Entre as propostas para substituir a escala est\u00e1 o revezamento de finais de semana e a ado\u00e7\u00e3o de jornadas 5&#215;2, hoje mais comuns em escrit\u00f3rios.<\/p>\n<p>O influenciador e vereador eleito pelo Psol no Rio de Janeiro, Rick Azevedo, \u00e9 uma das vozes mais ativas contra a escala 6&#215;1. Ele afirmou, em entrevista ao Brasil de Fato, que apenas juntos os trabalhadores v\u00e3o conseguir garantir respeito e dignidade para quem sustenta o pa\u00eds com seu trabalho.<\/p>\n<p>\u201cEssas jornadas exaustivas prejudicam a sa\u00fade f\u00edsica e mental dos trabalhadores, que mal t\u00eam tempo para si ou para suas fam\u00edlias. Estamos organizando atos em v\u00e1rios estados para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a urg\u00eancia dessa causa\u201d, afirma o jovem, que tamb\u00e9m \u00e9 criador do movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT).<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Um Natal de reflex\u00e3o<\/p>\n<p>Para muitos, o Natal deste ano ser\u00e1 mais um dia comum, marcado pelo cansa\u00e7o e pela dist\u00e2ncia. A vendedora entrevistada resume o sentimento.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhamos para sustentar o pa\u00eds nas costas, mas n\u00e3o temos tempo para nossas pr\u00f3prias fam\u00edlias. Essa escala precisa mudar. Quem a defende \u00e9 porque n\u00e3o trabalha dessa forma.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Perspectiva de mudan\u00e7a<\/p>\n<p>Tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC), de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL), para proibir a escala 6&#215;1. Em Minas Gerais, uma audi\u00eancia p\u00fablica realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na sexta-feira (13) debateu sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada.\u00a0<\/p>\n<p>Durante o encontro, o economista e pesquisador no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Diogo Santos afirmou que \u201co nome dessa PEC n\u00e3o \u00e9 PEC contra escala 6&#215;1, \u00e9 a PEC da fam\u00edlia. A gente n\u00e3o quer trabalhar menos, a gente quer trabalhar melhor\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), tamb\u00e9m neste m\u00eas, a vereadora Iza Louren\u00e7a (PSOL) protocolou um projeto de lei (PL) para acabar com a escala 6&#215;1 para trabalhadores que prestam servi\u00e7os \u00e0 prefeitura. A proposta agora ser\u00e1 apreciada pelas comiss\u00f5es da CMBH.\u00a0<\/p>\n<p class=\"editor\" rel=\"editor\" itemprop=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Ana Carolina Vasconcelos<\/p>\n<p><\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2024\/12\/19\/trabalhar-no-natal-a-luta-por-dignidade-nas-jornadas-exaustivas-da-escala-6x1\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal \u00e9 uma das datas mais simb\u00f3licas do calend\u00e1rio, marcada por reencontros, celebra\u00e7\u00f5es e momentos de pausa para compartilhar com a fam\u00edlia. Mas, para milhares de trabalhadores brasileiros, essa realidade est\u00e1 distante. 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