{"id":3047,"date":"2024-12-17T11:24:21","date_gmt":"2024-12-17T11:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/17\/apos-seculo-de-luta-contra-usinas-e-familia-sueca-povo\/"},"modified":"2024-12-17T11:24:21","modified_gmt":"2024-12-17T11:24:21","slug":"apos-seculo-de-luta-contra-usinas-e-familia-sueca-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/17\/apos-seculo-de-luta-contra-usinas-e-familia-sueca-povo\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s s\u00e9culo de luta contra usinas e fam\u00edlia sueca, povo"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Fogos de artif\u00edcio foram lan\u00e7ados da Terra Ind\u00edgena (TI) Potiguara de Monte-mor, no norte da Para\u00edba, em 5 de dezembro. Cacica Cal, como \u00e9 chamada Claudecir Braz, neste momento estava em Bras\u00edlia. Ao lado de outras lideran\u00e7as ind\u00edgenas e do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), assinou e recebeu o documento de homologa\u00e7\u00e3o da TI, reivindicado h\u00e1 ao menos quatro d\u00e9cadas pelo seu povo.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Um sonho esperado por tantos anos, por tantas pessoas que iniciaram esse processo e que hoje j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais entre n\u00f3s. Em carne, n\u00e9, mas em esp\u00edrito est\u00e3o. Foi uma alegria imensur\u00e1vel&#8221;, comenta cacica Cal, integrante da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos e Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Nordeste, Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo (Apoinme). \u00a0<\/p>\n<p>Composta pelas aldeias Monte-mor, Jaragu\u00e1, Ibiquara, Lagoa Grande e Tr\u00eas Rios, a TI Potiguara de Monte-mor foi identificada e delimitada pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai) em 2004. Tr\u00eas anos depois, 400 Potiguara ocuparam a sede da Funai em Jo\u00e3o Pessoa (PB) e pressionaram pela assinatura da portaria declarat\u00f3ria pelo ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Tarso Genro. Em 2009, foi feita a demarca\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos 7.530 hectares e, ao longo dos \u00faltimos 15 anos, os ind\u00edgenas aguardaram a canetada da homologa\u00e7\u00e3o, etapa final do processo demarcat\u00f3rio. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\">&#13;<br \/>\nClaudecir Braz, cacica da aldeia Monte-mor, durante Tor\u00e9, ritual sagrado dos Potiguara \/ Leandro Ramos e Ednalvo Nascimento \/ Comunidade Potiguara de Monte-mor<\/p>\n<p>An\u00edbal Cordeiro Campos, cacique da aldeia Jaragu\u00e1, nem estava esperando. &#8220;Porque j\u00e1 tinha ido v\u00e1rias vezes a Bras\u00edlia receber a homologa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pudemos ser garantidos&#8221;, explica. An\u00edbal foi um dos que se frustrou quando, durante o Acampamento Terra Livre em abril, o presidente demarcou apenas duas das seis terras esperadas pelo movimento ind\u00edgena.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Agora conseguimos&#8221;, sorri o cacique, sem desfazer uma express\u00e3o preocupada. &#8220;Mas o risco de vida que estamos correndo agora&#8230; Porque tem que tirar os posseiros de dentro da \u00e1rea. Queira ou n\u00e3o queira&#8221;, defende. Segundo Campos, h\u00e1 cerca de 150 pequenos posseiros brancos apenas em sua aldeia. \u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, mas quando veio a not\u00edcia da terra homologada, j\u00e1 vieram com outros olhos. Pensaram que nunca ia ser homologada e que nunca iam sair do territ\u00f3rio. E agora t\u00eam a certeza de que v\u00e3o sair&#8221;, avalia An\u00edbal. \u00a0<\/p>\n<p>O <strong>Brasil de Fato<\/strong> questionou o Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas (MPI) mais de uma vez sobre a quantidade de n\u00e3o-ind\u00edgenas que devem ser retirados da \u00e1rea, quando e como ser\u00e1 feita a desintrus\u00e3o, mas n\u00e3o teve resposta at\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria. Caso venha, o texto ser\u00e1 atualizado. \u00a0<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da TI Potiguara de Monte-mor \u00e9 particular. Localizado nos munic\u00edpios de Marca\u00e7\u00e3o (PB) e Rio Tinto (PB), ao territ\u00f3rio tem 10.966 habitantes. Quem cruza desavisado a ponte que sai do centro de Rio Tinto para uma \u00e1rea mais perif\u00e9rica pode n\u00e3o notar que passou a pisar em territ\u00f3rio ind\u00edgena. \u00a0<\/p>\n<p>Urbanizada, a aldeia Monte-mor inclui, em meio a s\u00edmbolos Potiguara, um galp\u00e3o de f\u00e1brica desativada, casar\u00f5es e chal\u00e9s de est\u00e9tica europeia, com tijolos maci\u00e7os aparentes. S\u00e3o marcas do principal conflito dos ind\u00edgenas pelo seu territ\u00f3rio: a cidade foi erguida e dominada pela fam\u00edlia sueca Lundgren, que ali instalou a Companhia de Tecidos Rio Tinto e, d\u00e9cadas mais tarde, arrendou terras para usinas de cana de a\u00e7\u00facar. S\u00e3o numerosos os n\u00e3o-ind\u00edgenas que vivem na regi\u00e3o. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O dom\u00ednio da Cia de Tecidos\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com o Relat\u00f3rio Circunstanciado de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o (RCID) da TI publicado em 1997 h\u00e1 registros de presen\u00e7a Potiguara no litoral paraibano desde o s\u00e9culo 17. No come\u00e7o do s\u00e9culo 20, no entanto, os ind\u00edgenas conheceram os Lundgren. \u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Da jaqueira at\u00e9 ali&#8221;, aponta An\u00edbal, &#8220;tinham 150 casas de palha. Numa maldita noite a companhia tocou fogo nessas casas. Muitos morreram e muitos correram&#8221;. A sua av\u00f3, Ant\u00f4nia, era crian\u00e7a. &#8220;Os pais dela, os irm\u00e3os dela, morreram queimados. Minha av\u00f3 contava&#8221;, diz. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/9bea5f2d884ddb3a9f31a226775c6382.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nCacique da aldeia Jaragu\u00e1, An\u00edbal Cordeiro defende que posseiros sejam indenizados e retirados da TI \/ Leandro Ramos e Ednalvo Nascimento \/ Comunidade Potiguara de Monte-mor<\/p>\n<p>No lugar da aldeia, foi erguida uma vila oper\u00e1ria. &#8220;Fizeram essas casas e come\u00e7aram a empregar os \u00edndios. Aquele que n\u00e3o queria morrer, ficava para ser empregado da companhia. A terra n\u00e3o \u00e9 dela&#8221;, contou Vado Ribeiro, antigo cacique da aldeia Monte-mor, em depoimento dado em 2002 \u00e0 Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB). Importante lideran\u00e7a Potiguara, Vado morreu dois anos ap\u00f3s a entrevista.\u00a0<\/p>\n<p>A fam\u00edlia sueca, que fundou tamb\u00e9m as Casas Pernambucanas, instalou a f\u00e1brica em 1918. O objetivo foi abrir o empreendimento &#8220;em terras distantes e de dif\u00edcil acesso, de modo a evitar interfer\u00eancias externas de cunho oficial ou sindical sobre as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de mando nos seus dom\u00ednios&#8221;, aponta o antrop\u00f3logo Est\u00eav\u00e3o Martins Palitot, no artigo <em>Os Potiguara de Monte-mor e a cidade de Rio Tinto: a mobiliza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como reescrita da hist\u00f3ria<\/em>. \u00a0<\/p>\n<p>O coronel Frederico Lundgren, cuja est\u00e1tua faz parte da paisagem de Rio Tinto, representou o ponto m\u00e1ximo da autoridade centralizadora da fam\u00edlia sobre a popula\u00e7\u00e3o, composta pelos ind\u00edgenas e os cerca de 20 mil trabalhadores trazidos de outros estados. O coronel &#8220;enfeixava todas as rela\u00e7\u00f5es em torno de si&#8221;, escreve Palitot: &#8220;Tudo na cidade pertencia \u00e0 f\u00e1brica, do trabalho \u00e0 moradia, do lazer \u00e0 religi\u00e3o, pois at\u00e9 as igrejas e os prost\u00edbulos eram propriedade da companhia&#8221;. \u00a0<\/p>\n<p>Na metade da d\u00e9cada de 1970, a Companhia de Tecidos Rio Tinto entrou em crise, demitiu trabalhadores em massa e tomou a decis\u00e3o que faz com que a regi\u00e3o seja, at\u00e9 hoje, rodeada de monocultura de cana. Chegam as usinas Agroind\u00fastria Camaratuba, do grupo Miriri, Rio Vermelho Agropastoril Mercantil S.A e Japung\u00fa. A f\u00e1brica t\u00eaxtil fecha definitivamente nos anos 1990.\u00a0<\/p>\n<p>Questionado sobre a luta por demarca\u00e7\u00e3o, An\u00edbal opina que &#8220;a primeira a\u00e7\u00e3o&#8221; quem fez foi um ind\u00edgena conhecido por Z\u00e9 Soares. Em 1983, ele e outros quatro mataram o administrador da fazenda Rio Vermelho, da empresa t\u00eaxtil. \u201cA cia de tecidos ainda estava rodando, a todo vapor mesmo. Mas aconteceu. Foi o primeiro conflito, em Lagoa Grande\u201d, narra An\u00edbal. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Uma edi\u00e7\u00e3o de 1989 do jornal <em>O Momento<\/em>, dispon\u00edvel no acervo do Instituto Socioambiental (ISA), noticia que \u201ca v\u00edtima foi abatida a golpes de foice, fac\u00e3o, machado e faca-peixeira&#8221; e que um policial militar escapou por pouco. A mat\u00e9ria informa que o juiz transferiu o julgamento dos acusados para Jo\u00e3o Pessoa (PB), pois em Rio Tinto os jurados se sentiam intimidados pela popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/2a7ecb41faaa08d1446dbc7d47172640.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nJornal <em>O momento<\/em> diz que ind\u00edgenas acusados de matar administrador da fazenda em 1983 n\u00e3o seriam julgados em Rio Tinto \/ Acervo ISA<\/p>\n<p>\u00c9 \u201cSeu Vicentinho\u201d, no entanto, o nome citado por ind\u00edgenas ouvidos pela reportagem como \u201caquele que come\u00e7ou a luta\u201d &#8211; ao menos o ciclo mais recente dela. Vicente Jos\u00e9 da Silva foi cacique da aldeia Jaragu\u00e1 e, em 1985, articulou algumas fam\u00edlias para iniciar o processo de retomada de suas terras, na \u00e9poca dominadas pelas usinas de cana. \u00a0<\/p>\n<p>Do alto do seu cerca de 1 metro e meio de altura, Seu Vicente \u201cn\u00e3o abaixava a cabe\u00e7a para latifundi\u00e1rio, n\u00e3o\u201d, descreve cacique An\u00edbal. Na \u00e9poca com 14 anos, An\u00edbal se juntou ao grupo que se organizou para entrar nas \u00e1reas, arrancar os canaviais e fazer ro\u00e7a de alimentos.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSeu Vicente chamou a gente para a igreja, para n\u00f3s se reunir e fazer o planejamento para tomar nossa terra de volta\u201d, relata An\u00edbal. No in\u00edcio, a ades\u00e3o foi pouca, j\u00e1 que o medo da companhia era muito. Mesmo assim, foram em frente. \u201cAcompanhei desde o come\u00e7o. Mas vi a vit\u00f3ria, n\u00e9? Eles n\u00e3o viram, porque Deus chamou, n\u00e9, mas eu estou aqui para contar a hist\u00f3ria e ver\u201d, diz An\u00edbal.\u00a0<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo 27 de dezembro, os Potiguara comemoram a homologa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio com uma festa em frente \u00e0 Igreja Nossa Senhora dos Prazeres. Foi ali a primeira reuni\u00e3o para organizar as retomadas que se expandiram ao longo das d\u00e9cadas seguintes. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/be1638a03d0146c2fb8b5330543599d5.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nEm frente \u00e0 Igreja Nossa Senhora dos Prazeres ocorreu a primeira reuni\u00e3o em 1985 para planejar as retomadas de terra \/ Gabriela Moncau<\/p>\n<p>Dona Bilui, como \u00e9 conhecida Maria dos Prazeres Bezerra, tem hoje 63 anos e participou das ocupa\u00e7\u00f5es de terra junto com sua m\u00e3e, dona Lu\u00edsa, que foi uma respeitada anci\u00e3 Potiguara. \u00a0<\/p>\n<p>\u201cA gente ficava n\u00e9, porque era uma briga. A gente n\u00e3o queria perder o lado da gente. A gente ficava de noite, n\u00e3o era s\u00f3 uma pessoa, eram muitas pessoas. Ficava l\u00e1 vigiando, porque era muito arriscado n\u00e9?\u201d, rememora Bilui, gesticulando em uma cadeira de balan\u00e7o em sua casa, localizada em \u00e1rea reconquistada desta forma pelos ind\u00edgenas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAqui mesmo eram as barracas. L\u00e1 na mata tinha umas casas da fazenda l\u00e1 que o povo ficava tudo acampado l\u00e1\u201d, lembra dona Bilui. \u201cA\u00ed a luta foi crescendo, crescendo. As viagens para Bras\u00edlia, a gente n\u00e3o sabe nem da soma, porque foram muitas viagens. E nada de sair, mas, gra\u00e7as a Deus, agora saiu\u201d, sorri, olhando para cima.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/e5939230df28e0fd21a62e5cc600178b.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nDona Bilui, ind\u00edgena Potiguara que participou das retomadas das \u00e1reas hoje homologadas \/ Gabriela Moncau<\/p>\n<p>\u201cEm 2003, a gente ocupou uma \u00e1rea maior para demandar a demarca\u00e7\u00e3o da aldeia Tr\u00eas Rios e, em 2005, a gente retomou todo esse territ\u00f3rio que voc\u00ea hoje passa e v\u00ea urbanizado, dentro da aldeia Monte-mor&#8221;, conta a cacica Cal. \u00a0<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m neste per\u00edodo que os ind\u00edgenas definiram coletivamente parar de pagar aluguel para a fam\u00edlia Lundgren. \u201cAs \u00e1reas de capoeira que tinha dentro da mata a gente era obrigado a pagar arrendamento \u00e0 Cia de Tecidos Rio Tinto. Veja que absurdo: eles invadem nosso territ\u00f3rio e ainda nos cobram para que possamos trabalhar e tirar nosso sustento\u201d, relata a cacica.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o sem conflito e amea\u00e7as de despejo: a partir da metade da d\u00e9cada de 2000, os ind\u00edgenas boicotaram o aluguel cobrado para que pudessem estar em sua pr\u00f3pria terra. Os outros moradores da cidade, no entanto, s\u00f3 conseguiram mudar essa condi\u00e7\u00e3o em 2022. H\u00e1 pouco menos de dois anos, o governo da Para\u00edba desapropriou dos Lundgren, no valor de R$ 23,5 milh\u00f5es, as resid\u00eancias de 700 fam\u00edlias de Rio Tinto. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O palacete\u00a0<\/p>\n<p>A resid\u00eancia dos pr\u00f3prios Lundberg, um palacete de tr\u00eas andares constru\u00eddo nos anos 1930, fica na aldeia Jaragu\u00e1 e est\u00e1 hoje abandonado. Por terem recebido ali alem\u00e3es que fugiram da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), boatos de uma suposta simpatia da fam\u00edlia ao regime nazista persistem at\u00e9 a atualidade. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/f4efb1689d22d2c75507596cf99f04dd.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nO luxuoso palacete abrigou a fam\u00edlia Lundgren; hoje os Potiguara planejam transform\u00e1-lo em museu \/ Gabriela Moncau<\/p>\n<p>Se dependesse do cacique An\u00edbal, o edif\u00edcio seria destru\u00eddo. \u201cEsse palacete foi constru\u00eddo em cima das cinzas do nosso povo\u201d, afirma. A inten\u00e7\u00e3o da comunidade, no entanto, \u00e9 fazer do pr\u00e9dio um museu sobre a hist\u00f3ria ind\u00edgena da regi\u00e3o. \u00a0<\/p>\n<p>\u201cTodo o terreno em volta onde voc\u00ea viu a cana de a\u00e7\u00facar n\u00e3o \u00e9 mais do fazendeiro. Hoje \u00e9 dos ind\u00edgenas. Em 2010 n\u00f3s colocamos para fora do nosso territ\u00f3rio o \u00faltimo fazendeiro que estava instalado aqui\u201d, atesta a cacica Cal.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cHoje, diferente do que os usineiros fizeram, n\u00f3s plantamos a cana de a\u00e7\u00facar. Mas com a responsabilidade de recuperar toda a \u00e1rea que eles ora destru\u00edram. Cada fam\u00edlia ind\u00edgena que tem seu peda\u00e7o de cana plantado tem obrigatoriamente que repor 20% da mata ciliar, de mata atl\u00e2ntica\u201d, explica. \u201cA gente teve o retorno das nascentes, da qualidade de vida que t\u00ednhamos perdido com a invas\u00e3o das usinas\u201d, conta Braz.\u00a0<\/p>\n<p>Vislumbrando os desafios ap\u00f3s a homologa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, cacique An\u00edbal pontua que \u00e9 preciso \u201cse preparar pelo futuro que queremos deixar para os nossos curumins [crian\u00e7a em tupi-guarani]. Que a terra n\u00f3s conseguimos. Agora eles que t\u00eam de cuidar dela. N\u00f3s j\u00e1 estamos cansados e a qualquer momento Deus pode chamar a gente, n\u00e9, tem que ter aqueles guerreiros para tomar conta\u201d. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"editor\" rel=\"editor\" itemprop=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Martina Medina<\/p>\n<p>            <img decoding=\"async\" style=\"padding-top: 15px; padding-bottom: 30px;\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/assets\/bannermaterias_bdf_apoiase2-a384c5310c6ea05a21fa2b6430a91910fe6851e5cb0cc93ede4eec26699272d3.png\"\/><br \/>\n    <\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/12\/17\/apos-seculo-de-luta-contra-usinas-e-familia-sueca-povo-potiguara-celebra-ti-homologada-e-quer-retirada-de-posseiros\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fogos de artif\u00edcio foram lan\u00e7ados da Terra Ind\u00edgena (TI) Potiguara de Monte-mor, no norte da Para\u00edba, em 5 de dezembro. 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