{"id":2665,"date":"2024-12-03T13:24:05","date_gmt":"2024-12-03T13:24:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/03\/a-danca-dos-orixas-manifestacao-artistica-brasileira-une\/"},"modified":"2024-12-03T13:24:06","modified_gmt":"2024-12-03T13:24:06","slug":"a-danca-dos-orixas-manifestacao-artistica-brasileira-une","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/03\/a-danca-dos-orixas-manifestacao-artistica-brasileira-une\/","title":{"rendered":"\u2018A dan\u00e7a dos orix\u00e1s\u2019: manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica brasileira une"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia n\u00e3o acontece em apenas um m\u00eas. Isa Soares, mulher negra e m\u00e3e solo, sabia disso quando chegou \u00e0 Argentina no fim dos anos 1970. Para quem n\u00e3o sabe, a Argentina \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o que se identifica como predominantemente branca, apesar de ter um passado afro vis\u00edvel em sua cultura \u2014 basta perguntar de onde vem o tango.\u00a0<\/p>\n<p>O apagamento cultural foi t\u00e3o bem-sucedido por aqui que ainda hoje \u00e9 t\u00edmida a representatividade de pessoas negras na m\u00eddia, nos teatros e at\u00e9 no futebol. Basta aparecer algu\u00e9m com cabelos um pouco mais encaracolados para que as pessoas fiquem surpresas e at\u00e9 curiosas com algo que consideram muito distante.\u00a0<\/p>\n<p>Mas foi por meio da Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s \u2013 uma fus\u00e3o da dan\u00e7a tradicional dos terreiros com a moderna, hoje mais popular na Argentina pelas m\u00e3os e p\u00e9s de Isa Soares \u2013 que essa cosmovis\u00e3o ancestral p\u00f4de ser conhecida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como toda boa hist\u00f3ria, essa come\u00e7a com um caso de amor. Uma baiana, nascida no litoral de Maragogipe, mudou-se para S\u00e3o Paulo, onde conheceu um argentino militante exilado pela ditadura, com quem se casou.\u00a0<\/p>\n<p>Com a abertura democr\u00e1tica no pa\u00eds, decidiram se mudar para a Argentina. Era primavera, mas, em vez de flores, Isa encontrou espinhos. Nesse trajeto de acompanhar o marido, ficou para tr\u00e1s trabalho, universidade, fam\u00edlia e amigos. Em solo estrangeiro, Isa e o marido tamb\u00e9m se tornaram estrangeiros um para o outro. E tudo desandou.\u00a0<\/p>\n<p>:: Receba not\u00edcias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::\u00a0<\/p>\n<p>Professora, mas analfabeta nesse novo idioma, ela perdeu seus direitos ao se separar do marido. Depois, teve um outro relacionamento, que lhe deu o seu primeiro e \u00fanico filho, e onde tamb\u00e9m se viu no papel de m\u00e3e solteira.<\/p>\n<p>Um detalhe de bastidores: foram meses at\u00e9 encontrar Isa, que, neste momento, est\u00e1 fazendo uma pausa sem prazo para retomar as aulas, a fim de realizar sonhos que havia deixado de lado pela arte. Poucos sabem onde ela est\u00e1. \u201cPassei 40 anos sem f\u00e9rias, porque fazia cursos no ver\u00e3o e no inverno. Criei meu filho ausente, sem me dar conta disso\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Foi em Buenos Aires, numa regi\u00e3o mais vulner\u00e1vel do bairro La Boca, que ela passou boa parte de sua vida.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Quando cheguei, n\u00e3o via pessoas negras. N\u00e3o porque n\u00e3o existissem, mas porque todos trabalhavam \u00e0 noite, em bares, cantando e dan\u00e7ando&#8221;, lembra.\u00a0<\/p>\n<p>Assim como Isa, outros imigrantes que chegaram \u00e0 Argentina na \u00e9poca come\u00e7aram a trabalhar com suas pr\u00f3prias culturas, fazendo delas uma forma de vida e trazendo mais elementos da cultura afro para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como sempre teve um corpo muito bem preparado e atl\u00e9tico, Isa decidiu estudar teatro ao chegar na Argentina, onde passou a treinar os corpos dos atores. Depois, passou a se dedicar \u00e0 dan\u00e7a, um in\u00edcio que precisou de muita resili\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Aluguei uma sala na avenida Corrientes (uma das principais da cidade) e comecei a divulgar, ligando incansavelmente para o jornal Clar\u00edn, que tinha uma agenda gratuita. A cada dia, falava com algu\u00e9m novo, fazia panfletos e distribu\u00eda para todos. Trabalhei muito ali&#8221;, conta.<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Dan\u00e7a tem suas origens nos povos africanos iorub\u00e1s<\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o demorou para que a sala estivesse lotada e at\u00e9 aulas em campos de futebol ela come\u00e7ou a dar, criando uma gera\u00e7\u00e3o de professores de dan\u00e7a afro, incluindo professores argentinos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">A Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s<\/p>\n<p>&#8220;A dan\u00e7a brasileira \u00e9 o teatro dos negros, \u00e9 uma cultura completa: vestu\u00e1rio, fala, dan\u00e7a e canto. N\u00e3o \u00e9 folclore&#8221;, diz Isa.\u00a0<\/p>\n<p>Para explicar melhor, essa dan\u00e7a tem suas origens nos povos africanos iorub\u00e1s, acompanhadas de cantos rituais, e mistura plasticidade, dramaticidade e religiosidade, elementos presentes nos rituais do Candombl\u00e9, uma religi\u00e3o de matriz africana com mais de 400 divindades, conhecidas como orix\u00e1s.\u00a0<\/p>\n<p>Essas dan\u00e7as pertencem ao espa\u00e7o ritual religioso, sendo manifesta\u00e7\u00f5es praticadas nos terreiros, conhecidos como \u201cterrenos sagrados\u201d. Mas, ao serem mescladas com a dan\u00e7a moderna, chegam a outros espa\u00e7os, por meio da simbologia dos orix\u00e1s e dos elementos da natureza que cada orix\u00e1 representa.<\/p>\n<p>Ao trazer essa dan\u00e7a para a Argentina, Isa foi al\u00e9m, criando uma metodologia pr\u00f3pria. \u201cMinha paix\u00e3o pela dan\u00e7a, minha forma de entender o corpo. Minha dan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 igual a de Salvador. Fiz uma abstra\u00e7\u00e3o e criei uma metodologia minha\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">A Semente Plantada em Buenos Aires<\/p>\n<p>Para ela, a Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s \u00e9 uma forma \u00fanica de se conectar com a ancestralidade, em que os orix\u00e1s revivem momentos importantes e se conectam \u00e0 energia original dos elementos da natureza.\u00a0<\/p>\n<p>Sua metodologia ajudou as pessoas a entenderem suas pr\u00f3prias ra\u00edzes. \u201cQualquer pessoa pode ter um Orix\u00e1, mesmo que o cabelo n\u00e3o seja igual ao meu, que o nariz seja diferente, ou que n\u00e3o fale portugu\u00eas ou portunhol\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>O que a maestra nunca imaginou foi que seu trabalho iria se expandir tanto<\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Algumas pessoas se perguntavam: \u201cmas, por que eu gosto tanto disso?\u201d\u00a0 E Isa respondia, olhando nos rostos: \u201cveja sua testa, seu nariz normal, mas observe sua boca. Tem algo ali. O corpo est\u00e1 dizendo uma coisa e a mente outra. Esse cabelo que voc\u00ea tem. O corpo fala muito mais do que imaginamos\u201d. A explica\u00e7\u00e3o era assim, de forma pr\u00e1tica, sem teorizar.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Por que a Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s?<\/p>\n<p>O que a maestra nunca imaginou foi que seu trabalho iria se expandir tanto. Ainda mais porque \u00e9 uma dan\u00e7a muitas vezes associada a preconceitos, como uma magia negra, algo ex\u00f3tico e distante da realidade de muitos.\u00a0<\/p>\n<p>Mas, no fundo, sabia que sua miss\u00e3o seria de transforma\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando pela mente das pessoas. \u201cFui 98% expl\u00edcita em minha abordagem: na fala, na corre\u00e7\u00e3o do corpo, etc.\u00a0 Transmiti muita paix\u00e3o pelo meu trabalho. A t\u00e9cnica pode ser ensinada, mas a paix\u00e3o n\u00e3o\u201d, conta Isa.<\/p>\n<p>Por isso, durante suas aulas, n\u00e3o se aprendia apenas os passos de dan\u00e7a, mas tamb\u00e9m a hist\u00f3ria por tr\u00e1s deles. \u201cSempre que ensino um movimento, paro para contar a hist\u00f3ria daquele passo.\u201d\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O Projeto Ir\u00f3 B\u00e0rad\u00e9 em Ros\u00e1rio<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o da Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s na Argentina \u00e9 not\u00e1vel. Hoje, \u00e9 poss\u00edvel encontrar aulas gratuitas em diversos centros culturais municipais. Al\u00e9m de coordenadora da \u00e1rea de Culturas Afro-Americanas no Centro Cultural Ricardo Rojas, na Universidade de Buenos Aires, Isa levou essa cosmovis\u00e3o para outras cidades, como Ros\u00e1rio, localizada na prov\u00edncia de Santa F\u00e9.\u00a0<\/p>\n<p>E foi esse conhecimento de uma cosmovis\u00e3o distinta que encantou a bailarina, comunicadora e professora e coordenadora do departamento de Comunica\u00e7\u00e3o, Cultura e Territ\u00f3rio da Universidade de Ros\u00e1rio (UNR), especializada em tradu\u00e7\u00f5es culturais de dan\u00e7as afro americanas, Maria Laura Covarlan, ou Lali, como ela gosta de ser chamada.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o uma pausa para contar um pouco da hist\u00f3ria da Lali. Quando tinha 23 anos, j\u00e1 havia decidido que n\u00e3o seria bailarina. Mas, em uma viagem para o norte da Argentina, se reconectou com suas ra\u00edzes por meio do folclore.\u00a0<\/p>\n<p>Foi nesse momento que percebeu que o seu caminho deveria continuar por meio da dan\u00e7a. Nesse mesmo per\u00edodo, ao passar por Buenos Aires, conheceu Isa Soares por interm\u00e9dio de um grupo de Murga. Ela n\u00e3o estava \u00e0 procura dos Orix\u00e1s, mas de algo que a distanciasse da dan\u00e7a cl\u00e1ssica que praticava at\u00e9 ent\u00e3o. Foi com Isa que encontrou um modo muito particular de dan\u00e7ar, algo que mudou sua vis\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Isa Soares ajudou a disseminar a cultura afro americana pela Argentina<\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Tempos depois, a partir de Buenos Aires, Isa come\u00e7ou a se deslocar por diferentes contextos da Argentina. Em 2003, ela passou a viajar mensalmente para Ros\u00e1rio para ministrar semin\u00e1rios, onde prop\u00f4s a Lali a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o para acolher todas as pessoas que tinham o desejo de dan\u00e7ar.\u00a0<\/p>\n<p>Assim nasceu o projeto Ir\u00f2 B\u00e0rad\u00e9, que h\u00e1 20 anos vem semeando a Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s em Ros\u00e1rio. \u201cCom isso, em 2004 comecei a transmiti-la, ainda muito novata, mas j\u00e1 com duas viagens \u00e0 Bahia no curr\u00edculo. A proposta do grupo come\u00e7ou com Isa e se fortaleceu com a colabora\u00e7\u00e3o de outra brasileira, T\u00e2nia Bispo\u201d, conta Lali.\u00a0<\/p>\n<p>Para ela, essa dan\u00e7a envolve toda a ess\u00eancia afro, com seus tambores, e traz consigo uma sensa\u00e7\u00e3o libertadora, quase cat\u00e1rtica. Al\u00e9m disso, ocupa o espa\u00e7o do entretenimento.\u00a0<\/p>\n<p>Lali comenta que a dan\u00e7a carrega consigo uma mem\u00f3ria de ancestralidade e resist\u00eancia, com poss\u00edveis tradu\u00e7\u00f5es culturais. Uma dessas tradu\u00e7\u00f5es est\u00e1 ligada \u00e0 hist\u00f3ria da ditadura na Argentina, uma ferida ainda recente e dolorosa.\u00a0<\/p>\n<p>Por isso, nas marchas de 24 de mar\u00e7o (dia em que se comemora o \u201cDitadura, nunca mais\u201d), o Grupo Ir\u00f3 B\u00e0rad\u00e9 tem um papel significativo, levando a Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s para um espa\u00e7o de mem\u00f3ria e luta.<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Por meio dessa modalidade art\u00edstica, \u00e9 poss\u00edvel entender que a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds<\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p>A argentina Betina Pellegrini, que foi uma das alunas do Grupo Ir\u00f3 B\u00e0rad\u00e9, hoje compartilha e difunde essa dan\u00e7a. Professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e de express\u00e3o corporal, a bailarina de dan\u00e7a afro americana tem aproximadamente 18 anos de pr\u00e1tica na dan\u00e7a dos Orix\u00e1s, sendo 13 deles dedicados ao ensino cont\u00ednuo. \u201cQuando conheci essas dan\u00e7as, foi uma descoberta que mudou minha vida\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela conta que, por meio dessa modalidade art\u00edstica, foi poss\u00edvel entender que a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds vai al\u00e9m da imigra\u00e7\u00e3o italiana e europeia. Tamb\u00e9m comenta a import\u00e2ncia de vivenciar e de conhecer as fontes dessa cultura em primeira m\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor mais que eu tenha me formado com refer\u00eancias afro-brasileiras, o ensino aut\u00eantico exige um conhecimento profundo da cultura original, e n\u00e3o apenas de sua vers\u00e3o traduzida\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um compromisso e uma responsabilidade que carrego com muito respeito\u201d, avalia.\u00a0<\/p>\n<p>Por isso, ela foi algumas vezes a Salvador, na Bahia, para entender como essa dan\u00e7a se desenvolve dentro dos espa\u00e7os religiosos e todo o contexto que a envolve.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Expans\u00e3o Internacional<\/p>\n<p>A Dan\u00e7a dos Orix\u00e1s tem promovido o deslocamento de bailarinos, praticantes e professores em forma\u00e7\u00e3o \u00e0 Salvador. S\u00e3o pessoas que, assim como Betina e Lali, buscam se conectar com a fonte da dan\u00e7a dentro do contexto afro-brasileiro, sem medi\u00e7\u00f5es ou tradu\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Uma das pessoas que desempenha um papel importante nesse processo de acolher esses bailarinos \u00e9 a professora da Escola de Dan\u00e7a da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Beatriz Gonzales. Ela possui uma pesquisa premiada sobre a t\u00e9cnica da dan\u00e7a afro-brasileira de Mercedes Baptista, que, na d\u00e9cada de 1960, assim como outros mestres, come\u00e7ou a mesclar a dan\u00e7a tradicional dos terreiros com a dan\u00e7a adaptada ao contexto urbano.<\/p>\n<p>Em Salvador, os alunos buscam conhecer a base religiosa que d\u00e1 contexto \u00e0 dan\u00e7a. Para Beatriz, a religiosidade e a dan\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o compartimentos separados. O que existe, segundo ela, \u00e9 a pr\u00e1tica e a n\u00e3o-pr\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA evoca\u00e7\u00e3o das energias da natureza \u00e9 algo que todos podem experimentar. Quando algu\u00e9m se conecta e se identifica com essa energia, est\u00e1 se conectando com a pr\u00f3pria energia da vida\u201d, frisa.<\/p>\n<p>Segundo ela, muitos estudantes, especialmente do Chile e da Argentina, v\u00eam para o Brasil, durante o carnaval, para participar de aulas em Salvador. Beatriz tamb\u00e9m viaja com frequ\u00eancia para ensinar em outros pa\u00edses e observa que h\u00e1 uma grande demanda por essa dan\u00e7a, o que confirma que todo o esfor\u00e7o dos pioneiros que come\u00e7aram a disseminar essa cultura realmente valeu a pena.<\/p>\n<p class=\"editor\" rel=\"editor\" itemprop=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Ana Carolina Vasconcelos<\/p>\n<p><\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2024\/12\/02\/a-danca-dos-orixas-manifestacao-artistica-brasileira-une-cultura-e-religiosidade\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia n\u00e3o acontece em apenas um m\u00eas. Isa Soares, mulher negra e m\u00e3e solo, sabia disso quando chegou \u00e0 Argentina no fim dos anos 1970. 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