{"id":2653,"date":"2024-12-03T01:24:13","date_gmt":"2024-12-03T01:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/03\/negritude-e-ancestralidade-marcam-o-cenario-do-samba-em-bh\/"},"modified":"2024-12-03T01:24:14","modified_gmt":"2024-12-03T01:24:14","slug":"negritude-e-ancestralidade-marcam-o-cenario-do-samba-em-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/12\/03\/negritude-e-ancestralidade-marcam-o-cenario-do-samba-em-bh\/","title":{"rendered":"Negritude e ancestralidade marcam o cen\u00e1rio do samba em BH"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>&#13;<br \/>\n\u201cQuem n\u00e3o gosta de samba, bom sujeito n\u00e3o \u00e9\u201d, j\u00e1 dizia Dorival Caymmi. O samba, de origem negra e pobre, segue sendo um espa\u00e7o de resist\u00eancia da cultura e da sabedoria negra. Em Belo Horizonte, o ritmo vive um momento de crescimento e populariza\u00e7\u00e3o, com o surgimento de espa\u00e7os, grupos e m\u00fasicos.\u00a0<\/p>\n<p>Mas nem sempre foi assim, como conta Carlos Alberto dos Santos, fundador do Bar do Cac\u00e1, uma das mais antigas casas de samba da cidade, com 35 anos de funcionamento.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente come\u00e7ou, n\u00e3o tinha esse espa\u00e7o, nem nenhum outro. A gente n\u00e3o sabia tocar, nem cantar direito, s\u00f3 gostava de samba e queria se divertir. Agora que eu estou fazendo aula de canto. Naquela \u00e9poca, o samba era grande no Rio, em S\u00e3o Paulo, aqui n\u00e3o\u201d, relembra.\u00a0<\/p>\n<p>Ele relembra que se apaixonou pelo samba ao ver Beth Carvalho, mas n\u00e3o encontrava locais voltados ao ritmo no munic\u00edpio. Foi quando, no fim da d\u00e9cada de 80, abriu, junto do irm\u00e3o e do cunhado, a casa que ainda resiste.\u00a0<\/p>\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, conforme ele conta, o samba s\u00f3 se popularizou. O espa\u00e7o vive cheio e recebe artistas locais, que surgiram desse crescimento. O samba se estruturou, sempre posicionado enquanto um movimento negro.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos destaques do Bar do Cac\u00e1 \u00e9 a parede verde e rosa, cores da Escola de Samba Mangueira, com caricaturas de grandes nomes do samba, lembrando sempre de quem veio primeiro.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\">&#13;<br \/>\nParede do bar do Cac\u00e1 \/ Portal Belo Horizonte<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Afro religiosidade\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m do respeito \u00e0 ancestralidade do samba e aos sambistas, um outro ponto chave no cen\u00e1rio do samba mineiro \u00e9 a religiosidade de matriz africana, raiz do samba.\u00a0<\/p>\n<p>Se no Cac\u00e1 o samba de roda \u00e9 o ritmo que predomina, no Samba da Meia Noite, o protagonismo \u00e9 do chamado samba de terreiro.\u00a0<br \/>&#13;<br \/>\nCom pontos \u2014 cantos voltados para Orix\u00e1s \u00a0 e entidades \u2014, atabaques e ritmo batido na palma da m\u00e3o, o Samba da Meia Noite acontece em espa\u00e7os abertos, como o Viaduto Santa Teresa, fazendo uma ode \u00e0 malandragem.\u00a0<\/p>\n<p>Jeferson Gomes, integrante do grupo, destaca a afro religiosidade como um dos diferenciais da roda, que existe desde 2012 e j\u00e1 enfrentou resist\u00eancia justamente por cantar e tocar para Orix\u00e1s e entidades.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA gente faz esse samba somente no corpo, na voz e no tambor, de uma forma genu\u00edna. N\u00f3s temos sambadeiras, que s\u00e3o as mulheres que mant\u00eam a roda viva; e os tocadores e as tocadoras que mant\u00e9m o batuque vivo. A gente dialoga se tornando um corpo s\u00f3. A proposta \u00e9 levar as nossas matrizes, a nossa for\u00e7a, a for\u00e7a do samba como ele \u00e9\u201d, comenta.\u00a0<\/p>\n<p>Hoje, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel chegar em uma roda de samba em BH que n\u00e3o toque ao menos um ponto de religi\u00f5es de matriz africana. Essa \u00e9 uma das mudan\u00e7as apontadas por Jeferson.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Protagonismo negro<\/p>\n<p>Afrocentrar \u00e9 palavra de ordem no movimento do samba em Belo Horizonte. Pessoas brancas n\u00e3o s\u00e3o proibidas, mas um consenso existente \u00e9 de que o samba \u00e9 um solo negro, onde o povo negro \u00e9 protagonista.\u00a0<\/p>\n<p>Com essa proposta, surgiu o Afrogalp\u00e3o, um dos mais recentes espa\u00e7os de samba da capital, voltado \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o da negritude, onde ocorrem eventos como a Resenha dos Pretos e o Samba de Ag\u00f4.\u00a0<\/p>\n<p>A abertura de novas casas \u00e9 fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o e o crescimento do samba na capital. Daniel Felipe, conhecido como Daniel Raiz, fundador da casa, entende o ritmo como algo vivo, espiritual e transcendental.<\/p>\n<p>\u201cEu entendo o samba como um ser espiritual, uma entidade. Eu sinto energia, sinto ax\u00e9, sinto inspira\u00e7\u00f5es e vejo que as pessoas conseguem sentir a mesma coisa. \u00c9 algo muito vivo que pulsa nos nossos cora\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m tem algo ancestral, que vem dos nossos antepassados\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n<p>Pensando em toda essa for\u00e7a, ele cita nomes como Mandruv\u00e1, Fabinho do Terreiro, Fernando Bento e Geraldo Magnata como pessoas que ajudaram a construir o samba na capital e \u00a0fala das mudan\u00e7as que v\u00ea na nova gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO que eu vejo de diferente entre os mais antigos e a nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o. M\u00fasicos mais antigos t\u00eam uma pegada um pouco mais \u2018reta\u2019 que m\u00fasicos mais novos. Os m\u00fasicos mais novos querem se adaptar, pegar m\u00fasicas de outros ritmos, trazendo para o samba\u201d, comenta.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O samba \u00e9 matriarcal, mas ainda \u00e9 desafiador para mulheres<\/p>\n<p>Para os sambistas, o samba \u00e9 sagrado. E como canta Dona Ivone Lara, \u201c\u00e9 ch\u00e3o para se pisar devagarinho\u201d. Adriana Ara\u00fajo, cantora e um dos maiores expoentes do samba da capital, faz quest\u00e3o de destacar que o samba est\u00e1 em seu DNA, enquanto heran\u00e7a ancestral que ela aprendeu a amar com sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u201cO samba sempre fez parte da minha hist\u00f3ria musical. Minha m\u00e3e sempre escutou grandes nomes do samba e aprendi com ela a amar am\u00e1-lo\u201d, enfatiza.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda que, seguindo as tradi\u00e7\u00f5es africanas, o samba deva ser um espa\u00e7o matriarcal, mulheres encontram dificuldades de entrar e se manter na cena, como afirma Adriana.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSer mulher no samba \u00e9 desafiador, \u00e9 pedreira. \u00c9 preciso ser persistente, ter paci\u00eancia no sofrimento e por a\u00ed vai. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, principalmente sendo preta retinta, com tra\u00e7os negroides, como os que tenho. S\u00e3o muitos anos para obter o respeito dos sambistas nas rodas de BH e, mesmo assim, ainda tenho muito o que fazer. A cena est\u00e1 se abrindo sim, gra\u00e7as a Deus, mas h\u00e1 muito o que melhorar\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo com as dificuldades, nomes como Dona Jandira e Dona Elisa, matriarcas do samba mineiro, seguem inspirando n\u00e3o s\u00f3 Adriana, como diversas outras sambistas, mostrando que o samba \u00e9 raiz, \u00a0resist\u00eancia, ancestralidade e \u00a0futuro.\u00a0<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p class=\"editor\" rel=\"editor\" itemprop=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Ana Carolina Vasconcelos<\/p>\n<p><\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2024\/12\/02\/negritude-e-ancestralidade-marcam-o-cenario-do-samba-em-bh\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; \u201cQuem n\u00e3o gosta de samba, bom sujeito n\u00e3o \u00e9\u201d, j\u00e1 dizia Dorival Caymmi. 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