{"id":18777,"date":"2026-06-02T09:24:13","date_gmt":"2026-06-02T09:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2026\/06\/02\/508-infracoes-trabalhistas-e-r-51-milhoes-em-multas-ambientais-quem-e-ferinha-o-empresario-que-mais-aparece-na-lista-do-trabalho-escravo\/"},"modified":"2026-06-02T09:24:14","modified_gmt":"2026-06-02T09:24:14","slug":"508-infracoes-trabalhistas-e-r-51-milhoes-em-multas-ambientais-quem-e-ferinha-o-empresario-que-mais-aparece-na-lista-do-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2026\/06\/02\/508-infracoes-trabalhistas-e-r-51-milhoes-em-multas-ambientais-quem-e-ferinha-o-empresario-que-mais-aparece-na-lista-do-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"508 infra\u00e7\u00f5es trabalhistas e R$ 51 milh\u00f5es em multas ambientais: quem \u00e9 Ferinha, o empres\u00e1rio que mais aparece na lista do trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Na atualiza\u00e7\u00e3o mais recente do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo, uma carvoaria \u00e9 o nome que aparece mais vezes. A Mata Fria, de Graja\u00fa, no sudeste do Maranh\u00e3o, consta cinco vezes na rela\u00e7\u00e3o, mas essa \u00e9 apenas uma parte da complexa rela\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios do empres\u00e1rio Sirlei Martins Amaral, conhecido como Ferinha.<\/p>\n<p>O mapeamento do <strong>Brasil de Fato<\/strong> mostra que empresas do Ferinha acumulam d\u00edvidas trabalhistas que beiram os R$ 19 milh\u00f5es e multas ambientais que ultrapassam R$ 51 milh\u00f5es, e algumas delas aparecem ao menos dez vezes na atual vers\u00e3o da Lista Suja.<\/p>\n<p>Opera\u00e7\u00f5es conduzidas pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) resgataram ao menos 16 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o das propriedades de Ferinha e no sistema do minist\u00e9rio constam ao menos 508 autos de infra\u00e7\u00e3o \u00e0s leis trabalhistas.<\/p>\n<p>O <strong>Brasil de Fato<\/strong> investigou os artif\u00edcios utilizados por Ferinha para operar uma m\u00e1quina com ao menos 12 CNPJs, representantes laranjas e fornecimento de carv\u00e3o para a Viena Sider\u00fargica S\/A, empresa de A\u00e7ail\u00e2ndia (MA), que figura entre as maiores produtoras de ferro-gusa do pa\u00eds e tem receita l\u00edquida anual superior a R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Baterias de fornos destinadas \u00e0 carboniza\u00e7\u00e3o de madeira nativa em fazenda explorada pelo grupo Mata Fria | Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/MTE<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegetal j\u00e1 vem, ao longo da s\u00e9rie hist\u00f3rica, desde 1995, com mais de 4 mil trabalhadores resgatados. Est\u00e1 entre as atividades com mais resgates no pa\u00eds\u201d, afirma Luciano Arag\u00e3o, procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) no Maranh\u00e3o e coordenador nacional de Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo e Tr\u00e1fico de Pessoas.\u00a0<\/p>\n<p>Para Arag\u00e3o, o carv\u00e3o vegetal tamb\u00e9m deve ser lido dentro da l\u00f3gica de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio sobre o Cerrado. \u201cEsse carv\u00e3o est\u00e1 associado \u00e0 expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola sobre o Cerrado maranhense para o plantio da soja\u201d, diz.<\/p>\n<p>No ch\u00e3o das fazendas, as viola\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas a Ferinha incluem manter pessoas trabalhando por mais de um m\u00eas sem folga, trabalhadores que n\u00e3o podem dormir e o desmatamento ilegal de floresta nativa para alimentar as carvoarias.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"3b2729\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #3b2729;\" decoding=\"async\" width=\"824\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 824px) 100vw, 824px\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0-824x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-979512 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0-824x1024.webp 824w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0-241x300.webp 241w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0-768x955.webp 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0-1235x1536.webp 1235w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0-1647x2048.webp 1647w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo1-3053cfe0.webp 1800w\"\/><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O carbonizador n\u00e3o dorme<\/h4>\n<p>O trabalho nas carvoarias ligadas a Sirlei Martins Amaral era organizado em ciclos longos, de 30 a 45 dias, nos quais os trabalhadores permaneciam nas fazendas at\u00e9 a chamada \u201cbaixada\u201d, per\u00edodo curto de folga em que recebiam o pagamento e podiam voltar para casa. At\u00e9 l\u00e1, segundo fiscaliza\u00e7\u00f5es do MTE, a rotina avan\u00e7ava sobre domingos, feriados, noites e madrugadas.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o mais marcada por esse desgaste \u00e9 a do carbonizador, respons\u00e1vel por acompanhar a queima da madeira nos fornos. \u201cO carbonizador \u00e9 respons\u00e1vel por um processo que tem que ser monitorado por 24 horas\u201d, afirma o auditor-fiscal do trabalho Ivano Rodrigues Sampaio, que participou de fiscaliza\u00e7\u00f5es em carvoarias ligadas a Ferinha no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, segundo ele, a estrutura encontrada pelas equipes n\u00e3o permitia descanso regular. \u201cTinha que ter no m\u00ednimo quatro carbonizadores para fazer turnos de 12 por 36 [horas], mas l\u00e1 s\u00f3 tinha um carbonizador em cada UPC\u201d, afirma, em refer\u00eancia \u00e0s unidades de produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. Esses trabalhadores eram respons\u00e1veis por monitorar baterias que podiam reunir dezenas de fornos, em rondas sucessivas ao longo do dia e da noite.<\/p>\n<p>\u201cO carbonizador n\u00e3o dorme para controlar a qualidade do carv\u00e3o\u201d, afirmam Mariana de la Fuente, secret\u00e1ria-executiva do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascar\u00e1n (CDVDH\/CB), organiza\u00e7\u00e3o que atua na regi\u00e3o e ajuda a organizar as den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es dos direitos dos trabalhadores. Segundo ela, o trabalho precisa ser constante para impedir que a produ\u00e7\u00e3o seja perdida e, ao mesmo tempo, cumprir padr\u00f5es de qualidade exigidos pela cadeia compradora.<\/p>\n<p>Luciano Arag\u00e3o, procurador do MTE, descreve a priva\u00e7\u00e3o de sono como um dos elementos centrais dos resgates em carvoarias. \u201cO carbonizador tem que ficar atento o tempo todo, visitando os fornos de hora em hora. Esses trabalhadores ficavam 15 a 20 dias numa sequ\u00eancia sem dormir, sendo respons\u00e1veis pela queima\u201d, descreve.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"84847e\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #84847e;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"303\" height=\"367\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foto-do-carbonizador-raimundo-nonato-de-oliveira-rodrigues-no-seu-local-de-trabalho-fazenda-sao-paulo-grajau-copia-88959d08.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-979718 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foto-do-carbonizador-raimundo-nonato-de-oliveira-rodrigues-no-seu-local-de-trabalho-fazenda-sao-paulo-grajau-copia-88959d08.webp 303w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foto-do-carbonizador-raimundo-nonato-de-oliveira-rodrigues-no-seu-local-de-trabalho-fazenda-sao-paulo-grajau-copia-88959d08-248x300.webp 248w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carbonizador da Fazenda S\u00e3o Paulo, em Graja\u00fa (MA), resgatado de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de escravo. O trabalhador, embora n\u00e3o fumante, apresentou \u2018idade pulmonar\u2019 de 65 anos em exames m\u00e9dicos, reflexo da inala\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de fuma\u00e7a densa e da exaust\u00e3o f\u00edsica provocada por um esquema de trabalho sem descansos  | Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/MTE<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m dos carbonizadores, as opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o resgataram as cozinheiras dos empreendimentos de Ferinha. No caso da Fazenda Mirador, Lindalva de Ara\u00fajo Rocha, pessoa com defici\u00eancia auditiva, era a \u00fanica respons\u00e1vel pela cozinha e pela higieniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o usado por dezenas de trabalhadores. Sua jornada de trabalho se estendia das 4h \u00e0s 19h, com um intervalo ap\u00f3s o almo\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cResgatamos cozinheiras por jornada exaustiva porque havia uma \u00fanica mulher para fazer caf\u00e9, almo\u00e7o e janta para 50 ou 60 trabalhadores, al\u00e9m de lavar lou\u00e7a e limpar o alojamento e os banheiros\u201d, afirma Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es encontradas nas carvoarias revelam uma mudan\u00e7a na forma como o trabalho escravo aparece nas fiscaliza\u00e7\u00f5es. Nem sempre o alojamento \u00e9 o primeiro sinal da viola\u00e7\u00e3o. \u201cHoje o trabalho escravo est\u00e1 maquiado. Voc\u00ea chega e v\u00ea uma hospedagem, tem ar-condicionado, internet, sim, mas s\u00e3o os trabalhadores que pagam e est\u00e3o numa jornada de 45 dias sem folga, com mais de 18 horas di\u00e1rias\u201d, afirma Fuente.<\/p>\n<p>Segundo medi\u00e7\u00f5es realizadas pelo MPT em carvoarias do grupo, os trabalhadores tamb\u00e9m estavam submetidos a respirar fuma\u00e7a e fuligem muito acima dos \u00edndices saud\u00e1veis. Os n\u00edveis de material particulado fino atingiram 999,9 microgramas por metro c\u00fabico, valor 66 vezes acima do limite di\u00e1rio de 15 microgramas por metro c\u00fabico recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"686050\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #686050;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"687\" height=\"456\" sizes=\"auto, (max-width: 687px) 100vw, 687px\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/carvoaria-mirador-trabalhador-amarrado-560a7614.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-979713 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/carvoaria-mirador-trabalhador-amarrado-560a7614.webp 687w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/carvoaria-mirador-trabalhador-amarrado-560a7614-300x199.webp 300w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cTrabalhador agredido e amarrado pelos pulsos e pernas em uma coluna de alojamento na Carvoaria Mirador. Segundo o relat\u00f3rio de fiscaliza\u00e7\u00e3o, a imagem foi registrada por um encarregado e exibida por ele em outras unidades de produ\u00e7\u00e3o do grupo como forma de intimida\u00e7\u00e3o, acompanhada da frase: \u2018assim que eu fa\u00e7o com quem n\u00e3o quer trabalhar\u2019. A hist\u00f3ria foi contada pela Rep\u00f3rter Brasil, em reportagem publicada em 2025 | Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/MTE<\/figcaption><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Um grupo, v\u00e1rios CNPJs<\/h4>\n<p>A estrutura operada por Sirlei Martins Amaral n\u00e3o se resume a uma carvoaria. Segundo investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal (PF), relat\u00f3rios trabalhistas e apura\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), empresas formalmente separadas atuavam como partes de uma mesma engrenagem produtiva. Em representa\u00e7\u00e3o enviada \u00e0 Justi\u00e7a Federal para pedir a pris\u00e3o de Ferinha, a PF foi direta ao afirmar que, embora aparecesse como 12 pessoas jur\u00eddicas distintas, \u201ctrata-se de uma empresa s\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 poss\u00edvel conferir nas rela\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias, no compartilhamento de trabalhadores, na concentra\u00e7\u00e3o administrativa em Graja\u00fa (MA) e no destino da produ\u00e7\u00e3o. \u201cTodo mundo falava: \u2018A carvoaria aqui \u00e9 do Sirlei\u2019. Quem \u00e9 o patr\u00e3o? \u2018\u00c9 o Sirlei\u2019. Quem vende o carv\u00e3o? \u2018\u00c9 o Sirlei\u2019\u201d, relata Ivano Rodrigues Sampaio.\u00a0<\/p>\n<p>Para o auditor, a pulveriza\u00e7\u00e3o empresarial funcionava como forma de diluir responsabilidades. \u201cEm uma carvoaria, tinha empregado de oito empresas diferentes. Ele poderia ter uma empresa para transportar e outra para refei\u00e7\u00e3o, mas ele tinha o carbonizador de uma e o forneiro de outra para pulverizar a responsabilidade.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os documentos analisados pela reportagem, diferentes empresas funcionavam a partir de um mesmo endere\u00e7o em Graja\u00fa (MA), e gerentes vinculados \u00e0 Mata Fria administravam trabalhadores de outras unidades produtoras. Em alguns resgates, mesmo quando a carvoaria estava formalmente registrada em outro nome, o pagamento de verbas rescis\u00f3rias saiu de uma conta banc\u00e1ria da Mata Fria.<\/p>\n<p>Mariana de la Fuente afirma que a cria\u00e7\u00e3o de CNPJs em nome de terceiros faz parte do modo de opera\u00e7\u00e3o atribu\u00eddo a Ferinha. \u201cEle estimula chefes de grupos de trabalhadores a abrirem CNPJs novos em seus nomes para que fiquem no controle dele\u201d, dizem.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Itamar Ribeiro da Costa, um ex-funcion\u00e1rio de Amaral. De acordo com dados da Receita Federal, Costa passou a constar, a partir de 31 de julho de 2024, como \u00fanico s\u00f3cio da Mata Fria, empresa que colocou Ferinha cinco vezes na Lista Suja do Trabalho Escravo. Durante uma fiscaliza\u00e7\u00e3o ocorrida em 2025 em uma das carvoarias da Mata Fria, a encarregada pelo local afirmou que Ferinha era o verdadeiro dono do neg\u00f3cio e que havia conhecido Costa em outra fazenda, onde atuava como carbonizador.<\/p>\n<p>De acordo com apura\u00e7\u00e3o do <strong>Brasil de Fato<\/strong>, nesse per\u00edodo, a Mata Fria e ao menos outras duas empresas de Amaral passaram para o nome de Costa. No final de 2025, todas voltaram a pertencer juridicamente a Ferinha.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"2d1d1e\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #2d1d1e;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518-780x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-979513 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518-780x1024.webp 780w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518-229x300.webp 229w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518-768x1008.webp 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518-1171x1536.webp 1171w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518-1561x2048.webp 1561w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/20260602-ruralistainfo2-c4ca7518.webp 1800w\"\/><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Pris\u00e3o e volta \u00e0s mesmas condutas<\/h4>\n<p>Em 2022, a Pol\u00edcia Federal pediu a pris\u00e3o preventiva de Sirlei Martins Amaral e a suspens\u00e3o das atividades de empresas ligadas a ele no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Sem Descanso. O pedido apontava reitera\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de submiss\u00e3o de trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, mesmo ap\u00f3s fiscaliza\u00e7\u00f5es e autua\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>Ferinha foi preso preventivamente em 10 de novembro de 2022. No dia 22 do mesmo m\u00eas, o Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF1) substituiu a pris\u00e3o preventiva pela domiciliar com uso de tornozeleira eletr\u00f4nica, proibi\u00e7\u00e3o de contato com outros investigados e fian\u00e7a de R$ 100 mil.\u00a0<\/p>\n<p>Em 2 de mar\u00e7o de 2023, o juiz federal Cl\u00e1udio Cezar Cavalcantes revogou a pris\u00e3o domiciliar e a monitora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica. A decis\u00e3o manteve, no entanto, a obriga\u00e7\u00e3o de acompanhar os atos processuais, manter endere\u00e7o atualizado e n\u00e3o manter contato com os demais indiciados da Opera\u00e7\u00e3o Sem Descanso, salvo familiares tamb\u00e9m investigados.\u00a0<\/p>\n<p>Nos autos, a PF aponta que a rede atribu\u00edda a Ferinha se apoiava em uma estrutura familiar, na qual parentes pr\u00f3ximos apareciam como s\u00f3cios, administradores ou representantes formais de empresas do grupo.<\/p>\n<p>No per\u00edodo a partir de 2023, empresas ligadas a Amaral receberam 240 autos de infra\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, segundo levantamento do <strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"6f6553\" data-has-transparency=\"true\" style=\"--dominant-color: #6f6553;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"510\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/montagem-9b1e013b-1024x510.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-979721 has-transparency\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/montagem-9b1e013b-1024x510.webp 1024w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/montagem-9b1e013b-300x149.webp 300w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/montagem-9b1e013b-768x383.webp 768w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/montagem-9b1e013b.webp 1050w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Interior e exterior da moradia improvisada onde vivia o casal resgatado de trabalho escravo em unidade do grupo Mata Fria. Sem ventila\u00e7\u00e3o e sob sol forte, os trabalhadores utilizavam garrafas PET com \u00e1gua (detalhe \u00e0 direita) para molhar o corpo durante a noite e tentar amenizar o calor sufocante dentro do barraco | Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/MTE<\/figcaption><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O carv\u00e3o do desmatamento<\/h4>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegetal nas unidades ligadas a Sirlei Martins Amaral ainda aparece associada ao avan\u00e7o sobre \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. A l\u00f3gica descrita por fiscais e procuradores \u00e9 simples: a carvoaria transforma em produto comercial a madeira retirada de \u00e1reas que ser\u00e3o abertas para outras atividades econ\u00f4micas, especialmente soja e pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Principalmente a partir dos anos 2000, o Maranh\u00e3o passa a figurar como uma das frentes mais intensas de convers\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para o agroneg\u00f3cio. Dados do MapBiomas mostram que 7,1 milh\u00f5es de hectares foram desmatados at\u00e9 2024. No mesmo per\u00edodo, a soja, que praticamente inexistia no estado, passou a ser plantada em 1,3 milh\u00e3o de hectares. A pastagem para cria\u00e7\u00e3o de gado mais que dobrou no per\u00edodo, alcan\u00e7ando uma \u00e1rea de 9,5 milh\u00f5es de hectares em 2023.<\/p>\n<p>Linha de frente do chamado Matopiba, o estado ocupa o primeiro lugar no ranking dos estados que mais desmatam no Brasil h\u00e1 tr\u00eas anos consecutivos, desde 2023. Este \u00e9 o cen\u00e1rio em que o neg\u00f3cio da carvoaria figura. \u201cOs custos do desmatamento de \u00e1rea nativa, em vez de serem suportados pelo propriet\u00e1rio, s\u00e3o custeados pela pr\u00f3pria atividade econ\u00f4mica da carvoaria que limpa a \u00e1rea para a soja\u201d, afirma Luciano Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos documentos de fiscaliza\u00e7\u00e3o analisados pelo <strong>Brasil de Fato<\/strong>, h\u00e1 contratos para supress\u00e3o vegetal em \u00e1reas extensas, como os 990 hectares na Fazenda Brejo do Meio e os 1.851 hectares na Fazenda Ferreira e Godoy. Para o MPT, esse modelo ajuda a explicar por que a carvoaria segue sendo economicamente vi\u00e1vel mesmo em contextos de forte irregularidade trabalhista e ambiental: a madeira retirada da terra vira carv\u00e3o, e o carv\u00e3o alimenta a siderurgia.<\/p>\n<p>A tentativa de dar apar\u00eancia legal \u00e0 extra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece nos relatos de fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u201cAs carvoarias exibiam licen\u00e7as para explora\u00e7\u00e3o de \u2018floresta plantada\u2019, como de eucalipto, mas, quando cheg\u00e1vamos no local, eram todas florestas nativas\u201d, diz Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>O auditor-fiscal Ivano Rodrigues Sampaio aponta ainda um mecanismo de circula\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o que dificulta o rastreamento da origem do produto. \u201cO carv\u00e3o sai da carvoaria clandestina e chega na sider\u00fargica com nota fiscal de outra. Lava o carv\u00e3o e empurra para a sider\u00fargica\u201d, explica.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dos mais de R$ 50 milh\u00f5es devidos em autos de infra\u00e7\u00e3o aplicados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), h\u00e1 autua\u00e7\u00f5es por vender carv\u00e3o sem origem legal com documentos falsos, lan\u00e7ar transa\u00e7\u00f5es fict\u00edcias no sistema de controle e at\u00e9 explora\u00e7\u00e3o de carvoaria dentro de terra ind\u00edgena. Este \u00faltimo ocorreu em 2007, dentro da TI Porquinhos dos Canela-Ap\u00e3njekra \u2014 a mais desmatada do Brasil nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>As primeiras infra\u00e7\u00f5es ambientais no nome de Amaral s\u00e3o de 1999 e 2001, por transporte ilegal de carv\u00e3o vegetal.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"84766d\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #84766d;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"632\" height=\"393\" sizes=\"auto, (max-width: 632px) 100vw, 632px\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/interior-do-dormitorio-04-onde-pernoitava-dentre-outros-o-empregado-fazenda-brejo-do-meio-7e819aef.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-979727 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/interior-do-dormitorio-04-onde-pernoitava-dentre-outros-o-empregado-fazenda-brejo-do-meio-7e819aef.webp 632w, https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/interior-do-dormitorio-04-onde-pernoitava-dentre-outros-o-empregado-fazenda-brejo-do-meio-7e819aef-300x187.webp 300w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alojamento de carvoaria de Ferinha em S\u00e3o Raimundo das Mangabeiras (MA). A fiscaliza\u00e7\u00e3o constatou que o empregador n\u00e3o fornecia camas, redes ou roupas de cama, obrigando os trabalhadores a custearem o pr\u00f3prio equipamento de repouso. O ambiente operava em desacordo com as normas de seguran\u00e7a e sa\u00fade, sem arm\u00e1rios individuais e com instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias prec\u00e1rias, marcadas pela falta de higiene, bacias sem tampo e aus\u00eancia total de material para limpeza das m\u00e3os | Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/MTE<\/figcaption><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O elo bilion\u00e1rio da cadeia<\/h4>\n<p>O carv\u00e3o produzido nas carvoarias ligadas a Sirlei Martins Amaral alimenta a ind\u00fastria de ferro-gusa. Segundo documentos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, depoimentos colhidos pela Pol\u00edcia Federal e relatos de auditores, a maior parte da produ\u00e7\u00e3o abastecia a Viena Sider\u00fargica S\/A.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o, segundo os documentos analisados, n\u00e3o era apenas de compra. Depoimentos registrados na investiga\u00e7\u00e3o apontam que funcion\u00e1rios da Viena visitavam as unidades produtivas mensalmente, verificavam estoque de carv\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de alojamento, uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs), folhas de ponto, organiza\u00e7\u00e3o e limpeza. A PF tamb\u00e9m registrou relatos de que toda a produ\u00e7\u00e3o era vendida \u00e0 sider\u00fargica.<\/p>\n<p>Para Luciano Arag\u00e3o, esse tipo de rela\u00e7\u00e3o imp\u00f5e responsabilidade \u00e0s empresas compradoras. \u201cAs sider\u00fargicas se beneficiam do baixo custo do insumo e exercem controle. Algumas financiavam a montagem de fornos e realizavam fiscaliza\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas constantes nas carvoarias do grupo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O auditor-fiscal Ivano Rodrigues Sampaio descreve a rela\u00e7\u00e3o entre carvoarias e sider\u00fargicas como uma cadeia marcada por depend\u00eancia econ\u00f4mica. \u201cOs donos de carvoaria reclamam que n\u00e3o t\u00eam poder de negocia\u00e7\u00e3o com a sider\u00fargica. A empresa diz: \u2018Eu pago tanto\u2019. O pre\u00e7o do carv\u00e3o \u00e9 ditado de cima para baixo e eles dizem que n\u00e3o cobre os custos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, segundo os entrevistados, ajuda a explicar por que a simples consulta \u00e0 Lista Suja n\u00e3o \u00e9 suficiente para interromper viola\u00e7\u00f5es. \u201cSimplesmente deixar de comprar de quem est\u00e1 na lista n\u00e3o previne viola\u00e7\u00f5es. Isso acaba fomentando a mudan\u00e7a de fornecedores ou a cria\u00e7\u00e3o de laranjas para comercializar aquele carv\u00e3o\u201d, afirma Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>Mariana de la Fuente, do CDVDH\/CB, diz que a Viena buscou apresentar uma imagem de regulariza\u00e7\u00e3o, mas seguiu vinculada a carv\u00e3o produzido em cadeias denunciadas por trabalho escravo. \u201cA Viena fez uma \u2018lavadinha de cara\u2019. Eles fazem parte do pacto das empresas contra o trabalho escravo, mas continuam comprando carv\u00e3o que vem dele\u201d, afirmam.<\/p>\n<p>Segundo ela, o carv\u00e3o produzido no Maranh\u00e3o alimenta uma cadeia de exporta\u00e7\u00e3o que leva ferro-gusa a mercados internacionais. \u201cToda a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 para exporta\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos, \u00c1sia e Europa. O produto \u00e9 altamente vinculado ao trabalho escravo, ao desmatamento vegetal e ainda tem todos os impactos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o com a polui\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Outro lado<\/h4>\n<p>A Viena Sider\u00fargica enviou uma nota ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>, que est\u00e1 divulgada na \u00edntegra abaixo: <\/p>\n<p><em>\u201cEsclarecemos que toda a rela\u00e7\u00e3o comercial de compra e venda de produtos advindos do fornecedor eram provenientes de unidades (carvoarias) e de empresas devidamente licenciadas e autorizadas pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos competentes, incluindo a licen\u00e7a municipal de uso e ocupa\u00e7\u00e3o de solo da atividade industrial na respectiva unidade de produ\u00e7\u00e3o e licen\u00e7a ambiental respectiva, cujo s\u00f3cio era o Sr. Sirlei Martins Amaral, desconhecendo a Viena o rol de outras empresas e\/ou unidades produtivas que seriam de propriedade do referido senhor, uma vez que a rela\u00e7\u00e3o comercial ocorrida era em rela\u00e7\u00e3o a determinada e espec\u00edfica unidade produtiva, sempre pagando o pre\u00e7o de mercado, com Notas Fiscais emitidas a partir desse local contratado, em fun\u00e7\u00e3o de seu licenciamento e n\u00e3o com todas unidades do mesmo, estando as demais livres para comercializar com quem quer que seja.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 de conhecimento, que o mesmo comercializava o seu produto com outras empresas adquirentes, inclusive para outros estados da federa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havendo nenhum v\u00ednculo de fidelidade, inger\u00eancia e sequer conhecimento em rela\u00e7\u00e3o as outras empresas do seu relacionamento. Justifica-se, ainda, que, quando a empresa tomou conhecimento das fiscaliza\u00e7\u00f5es e de seus teores, somente ap\u00f3s c\u00f3pia fornecida pelo MPT, a mesma descredenciou imediatamente a rela\u00e7\u00e3o comercial existente advinda da sociedade do Sr. Sirlei M. Amaral, independentemente de quais unidades ou empresas envolvidas na fiscaliza\u00e7\u00e3o, anteriormente \u00e0s datas de inclus\u00f5es de empresas do mesmo no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas a de escravo, haja vista ainda que, a teor dos relat\u00f3rios acessados, impl\u00edcita e objetivamente houve a permiss\u00e3o das referidas empresas e unidades fiscalizadas, a continuarem produzindo e vendendo os seus produtos, n\u00e3o tendo ocorrido, em nenhum momento, nenhum impedimento da continuidade ou determina\u00e7\u00e3o de paraliza\u00e7\u00e3o\/embargo das atividades por parte das autoridades p\u00fablicas que se fizeram presentes ao local. Mesmo assim, o fornecedor foi descredenciado.<\/em><\/p>\n<p><em>Como medidas de controles, a Viena realiza auditorias nas unidades com as quais tem v\u00ednculo contratual com as empresas, para apurar o cumprimento do contrato entre as partes e da legisla\u00e7\u00e3o vigente, assumida pelas mesmas, cuja obriga\u00e7\u00e3o prevista na legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 do empregador da referida unidade, que se compromete ao cumprimento das normas trabalhistas, ambientais e da legisla\u00e7\u00e3o vigente, na forma de cl\u00e1usula contratual estabelecida. Assim, a mesma nunca faz inger\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es empregat\u00edcias existentes, cuja limita\u00e7\u00e3o legal, n\u00e3o lhe permite tudo conhecer, principalmente quando recebe da empresa, formalmente e n\u00e3o se limitando, o compromisso do cumprimento da jornada laboral e da n\u00e3o exposi\u00e7\u00e3o de seus trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas a de escravo.<\/em><\/p>\n<p><em>Como um dos elementos de \u201cdue diligence\u201d, efetuado pela empresa, \u00e9 feita a verifica\u00e7\u00e3o e acompanhamento da inser\u00e7\u00e3o do nome de empresas no Cadastro de Empregadores do Minist\u00e9rio do Trabalho, conhecida como \u201cLista Suja\u201d, que tenham submetido trabalhadores \u00e0s condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas a de escravo.<\/em>\u201c<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js\" id=\"facebook-embed-js\"><\/script><\/p>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/06\/02\/508-infracoes-trabalhistas-e-r-51-milhoes-em-multas-ambientais-quem-e-ferinha-o-empresario-que-mais-aparece-na-lista-do-trabalho-escravo\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na atualiza\u00e7\u00e3o mais recente do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo, uma carvoaria \u00e9 o nome que aparece mais vezes. 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