{"id":1836,"date":"2024-11-09T05:24:07","date_gmt":"2024-11-09T05:24:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/11\/09\/9-anos-depois-comunidades-atingidas-pelo-rompimento-de\/"},"modified":"2024-11-09T05:24:08","modified_gmt":"2024-11-09T05:24:08","slug":"9-anos-depois-comunidades-atingidas-pelo-rompimento-de","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2024\/11\/09\/9-anos-depois-comunidades-atingidas-pelo-rompimento-de\/","title":{"rendered":"9 anos depois, comunidades atingidas pelo rompimento de"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Em 2024, o m\u00eas de novembro traz, novamente, a lembran\u00e7a dolorosa do maior desastre-crime socioambiental do Brasil. H\u00e1 exatos nove anos, no dia 5 de novembro, o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Bento Rodrigues, a 26 quil\u00f4metros de Mariana, em Minas Gerais, ceifava vidas e destru\u00eda comunidades inteiras, deixando um rastro de perdas e afli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diante da cont\u00ednua busca por justi\u00e7a, a partir da repara\u00e7\u00e3o integral dos danos socioambientais ao longo da bacia do Rio Doce, a Comiss\u00e3o de Atingidos e Atingidas pela Barragem de Fund\u00e3o (CABF), a C\u00e1ritas MG e movimentos sociais organizaram uma programa\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00f5es e partilha.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\">&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p>Os atos, que tiveram como mote a pergunta \u201cComo contar o tempo que n\u00e3o volta?\u201d, convidaram pessoas atingidas, entidades parceiras e moradores de Mariana a refletirem sobre os impactos do dia 5 de novembro de 2015 e, principalmente, as constantes viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e ambientais provocadas pelo rompimento da barragem de Fund\u00e3o.<\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es, que se dividiram entre Bento Rodrigues e Mariana, tiveram como pauta tamb\u00e9m a sobreposi\u00e7\u00e3o de danos provocados por empreendimentos miner\u00e1rios na regi\u00e3o, somados \u00e0 letargia e \u00e0 inefici\u00eancia do processo de repara\u00e7\u00e3o conduzido pela Funda\u00e7\u00e3o Renova, entidade criada para recuperar danos socioambientais, mas que tem gerado constantes traumas a milhares de pessoas atingidas ao longo da bacia.<\/p>\n<p>:: Leia tamb\u00e9m: 9 anos depois, inseguran\u00e7a ainda marca a vida de atingidos por barragem em Mariana (MG) ::<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as atingidas manifestaram, ainda, a resist\u00eancia ao Acordo de Repactua\u00e7\u00e3o, conduzido sem a participa\u00e7\u00e3o das pessoas atingidas de modo efetivo, e ao Projeto a Longo Prazo, da mineradora Samarco, que pretende ampliar a capacidade produtiva da empresa a 100%, com o prazo de atua\u00e7\u00e3o estabelecido at\u00e9 o ano de 2042.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Fragmentos dos tempos nas v\u00e9speras do marco dos 9 anos<\/p>\n<p>Na noite do dia 4 de novembro, durante a abertura de uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, quem esteve no corredor do Instituto de Ci\u00eancias Humanas e Sociais (ICHS), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), foi convidado a observar algumas visualidades atingidas.<\/p>\n<p>Cada registro apresentado prop\u00f4s um mergulho na complexidade e na dor de um desastre-crime cujos danos desafiam os modos de vida de in\u00fameras fam\u00edlias, mesmo ap\u00f3s quase uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Divididas entre se\u00e7\u00f5es intituladas \u201cMem\u00f3ria\u201d, \u201cReligiosidade\u201d, \u201cSer Atingido\u201d, \u201cCaminhos de Luta\u201d e \u201cTerrit\u00f3rios Atingidos\u201d, as imagens buscaram tornar vis\u00edvel os lugares e costumes que, embora transformados, ainda pulsam e resistem, assim como as pessoas que neles vivem.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a visita\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, uma roda de conversa reuniu pessoas atingidas, membros da CABF, representantes da C\u00e1ritas MG, ativistas e parceiros. O encontro serviu como um espa\u00e7o de fala e escuta onde os participantes puderam compartilhar suas mem\u00f3rias, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do lembrar para seguir resistindo.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias contadas, al\u00e9m de emocionarem, reafirmaram um compromisso coletivo de n\u00e3o deixar que narrativas de governos e de mineradoras cessem a luta por justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que o rompimento da barragem seja um cap\u00edtulo muito triste da hist\u00f3ria dos territ\u00f3rios, \u00e9 apenas uma parte e n\u00e3o deve ser ele a definir o curso de mais de 300 anos de viv\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/c99d85d97fb38957a043f027b277540f.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">\u201cEu estou aqui\u201d<\/p>\n<p>O encontro em Bento Rodrigues, realizado na manh\u00e3 do dia 5 de novembro, reuniu moradores, familiares, autoridades e representantes de movimentos dos atingidos de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo para um ato de mem\u00f3ria e protesto que destacou, principalmente, a aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas na elabora\u00e7\u00e3o do Acordo de Repactua\u00e7\u00e3o, homologado pelo Superior Tribunal Federal em 6 de novembro de 2024.<\/p>\n<p>O movimento foi iniciado com acolhida realizada pelo Padre Marcelo, da Par\u00f3quia Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, de Mariana, que aben\u00e7oou os presentes e fez a leitura do Evangelho. Em seguida, os nomes das pessoas vitimadas tanto no dia do rompimento, quanto nos anos subsequentes, foram lembrados em honra \u00e0s suas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s isso, M\u00f4nica dos Santos, moradora de Bento Rodrigues, e Flora Passos, professora da UFOP e integrante do Grupo Conterra, abordaram os riscos do Projeto de Longo Prazo da Samarco, alertando sobre as amea\u00e7as que a iniciativa representa para as comunidades locais.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/f69f853c7ed0f1487fc4adabe8b964d4.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p>Em caminhada pela comunidade, foram plantadas mudas com os nomes das v\u00edtimas fatais, um tributo aos 19 falecidos e um natimorto. Ao chegarem aos arredores da pra\u00e7a central, os moradores expressaram que seguem na luta pelos espa\u00e7os sagrados e mencionaram que as ru\u00ednas de S\u00e3o Bento e a Capela Nossa Senhora das Merc\u00eas atualmente est\u00e3o fechadas para limpeza e restauro.<\/p>\n<p>O cuidado com os templos \u00e9 fruto de muita luta da comunidade ao longo do processo de repara\u00e7\u00e3o. Nesse momento, os moradores pediram ao Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais para assegurar a reconstru\u00e7\u00e3o das capelas de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira.<\/p>\n<p>:: Leia tamb\u00e9m: Atingidos entram com peti\u00e7\u00e3o no STF contra falhas no novo acordo de repactua\u00e7\u00e3o de Mariana (MG) ::<\/p>\n<p>\u201cHoje, por exemplo, dever\u00edamos estar celebrando l\u00e1 dentro [da Capela de S\u00e3o Bento]. Mesmo destru\u00edda, continua sendo o melhor lugar do mundo e o nosso lugar,\u201d afirmou M\u00f4nica.<\/p>\n<p>O promotor Daniel Campos, representando o MPMG, refor\u00e7ou que a reconstru\u00e7\u00e3o das capelas faz parte do Acordo de Repactua\u00e7\u00e3o e destacou que o tombamento municipal da \u00e1rea impedir\u00e1 que as mineradoras tenham posse ou propriedade dos im\u00f3veis locais.<\/p>\n<p>\u201cEsses lugares s\u00e3o s\u00edmbolos vitais da hist\u00f3ria e da identidade da comunidade. O tombamento municipal garante a preserva\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o do que restou, impedindo qualquer interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja de prote\u00e7\u00e3o. Essa medida assegura que a comunidade mantenha a conserva\u00e7\u00e3o da capela, atendendo \u00e0 demanda dos atingidos contra a permuta de im\u00f3veis com as mineradoras,\u201d explicou o promotor.<\/p>\n<p>O ato no territ\u00f3rio de origem foi conclu\u00eddo na quadra de Bento Rodrigues, onde, em um \u00faltimo momento de uni\u00e3o, os presentes realizaram uma ora\u00e7\u00e3o e entoaram palavras de ordem contra a minera\u00e7\u00e3o e em defesa dos direitos dos atingidos.<\/p>\n<p>Ergueram suas vozes clamando contra a minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e em defesa do direito \u00e0 vida. Um momento de mem\u00f3ria para reafirmar a determina\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel de preservar a hist\u00f3ria de todos os que sofrem com o rompimento.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/fdd96b55b90b9005faf72d27ae6834e6.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Projeto a Longo Prazo da mineradora Samarco<\/p>\n<p>Visando a expans\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es entre Mariana e Ouro Preto, o Projeto a Longo Prazo, da Samarco, prop\u00f5e a instala\u00e7\u00e3o de novas pilhas de est\u00e9ril e rejeito em \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0s comunidades de Bento Rodrigues e Camargos, j\u00e1 atingidas pelo rompimento em 2015.<\/p>\n<p>O objetivo da mineradora \u00e9 atingir grande capacidade produtiva at\u00e9 2042, com a constru\u00e7\u00e3o das estruturas de lavra, correia transportadora e duas novas pilhas de rejeitos: PDER-M e PDER-C.<\/p>\n<p>Ao fim das instala\u00e7\u00f5es, a PDER-M dever\u00e1 alcan\u00e7ar 221 metros de altura e acumular 62 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito. J\u00e1 a PDER-C ser\u00e1 dividida em duas partes, com alturas de 130 e 210 metros, e um volume total que ultrapassa 172 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/7d524e8da19cbd4683e88eef0bdacaf7.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p>Apesar das restri\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a para barragens previstas na Lei 12.334\/2010 (nacional) e na Lei 23.291\/2019 (estadual), a Samarco aproveita a aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre pilhas de rejeito, que cont\u00eam percentual de \u00e1gua, para propor a instala\u00e7\u00e3o das estruturas em \u00e1reas ainda n\u00e3o totalmente reparadas, como Bento Rodrigues e Camargos.<\/p>\n<p>Em 17 de janeiro de 2024, o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Mariana (Codema) aprovou a anu\u00eancia ao projeto com 12 votos favor\u00e1veis, majoritariamente do executivo municipal, e apenas dois votos contr\u00e1rios, vindos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associa\u00e7\u00e3o dos Guias de Turismo.<\/p>\n<p>Autoridades locais, como o prefeito Celso Cota, o secret\u00e1rio de Planejamento Germano Zanforlim e o secret\u00e1rio de Meio Ambiente Anderson Aguilar, enfatizaram a depend\u00eancia econ\u00f4mica de Mariana da minera\u00e7\u00e3o, o que impulsionou a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do aval do Codema, a implementa\u00e7\u00e3o do projeto ainda aguarda o parecer do Conselho Estadual de Pol\u00edtica Ambiental (Copam) , que dever\u00e1 decidir sobre a viabilidade da instala\u00e7\u00e3o das novas estruturas.<\/p>\n<p>No entanto, a aus\u00eancia de uma data para essa decis\u00e3o tem mobilizado movimentos e associa\u00e7\u00f5es de pessoas atingidas para que os danos do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, bem como outros desastres miner\u00e1rios em Minas Gerais, n\u00e3o sejam esquecidos e sirvam como alerta para evitar novas cat\u00e1strofes.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/357ab1bd37ac877e08e7ea499e60f764.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Lutar e organizar para os direitos conquistar<\/p>\n<p>Sob o lema \u201cLutar e organizar para os direitos conquistar\u201d, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) organizou uma plen\u00e1ria na Arena Mariana, onde foram discutidos os termos do Acordo de Repactua\u00e7\u00e3o recentemente firmado. O evento refor\u00e7ou a demanda por justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o integral para os atingidos da Bacia do Rio Doce, incluindo munic\u00edpios de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo, que ainda aguardam reconhecimento oficial como atingidos.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/97a9e66cc950e835285719d8f80a20d5.webp\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ C\u00e1ritas MG<\/p>\n<p>Pela primeira vez, uma caravana de moradores do sul da Bahia, vindos das proximidades do Parque Nacional de Abrolhos, integrou as manifesta\u00e7\u00f5es, reivindicando reconhecimento como atingidos. Junto a delega\u00e7\u00e3o de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo, as pessoas atingidas exigiram justi\u00e7a e criticaram a falta de participa\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es de repactua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nenhuma autoridade municipal esteve presente nas mobiliza\u00e7\u00f5es realizadas no dia 5 de novembro, entretanto, a plen\u00e1ria contou com a participa\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es de mandatos legislativos estaduais, como da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) e dos deputados Padre Jo\u00e3o (PT) e Leleco Pimentel (PT).<\/p>\n<p>\u00c0 tarde, os participantes da plen\u00e1ria do MAB deixaram a Arena Mariana a caminho da Pra\u00e7a Minas Gerais, no Centro da cidade, e se juntaram aos manifestantes que haviam participado do ato em Bento Rodrigues pela manh\u00e3.<\/p>\n<p>O grupo marchou pelas ruas centrais de Mariana, passando em frente \u00e0 Prefeitura e seguindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a Minas Gerais. \u00c0s 16h20, hora aproximada do rompimento da barragem em 2015, os sinos das igrejas de S\u00e3o Francisco, de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e de Nossa Senhora do Carmo soaram em ritmo f\u00fanebre em homenagem \u00e0s v\u00edtimas da trag\u00e9dia, marcando o momento de maneira solene.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Acordo de repactua\u00e7\u00e3o \u00e9 formulado sem participa\u00e7\u00e3o popular<\/p>\n<p>Com o valor total de R$ 170 bilh\u00f5es para a repara\u00e7\u00e3o e R$ 100 bilh\u00f5es destinados ao pagamento pelas empresas em 20 anos, o acordo de repactua\u00e7\u00e3o foi assinado em 25 de outubro, com a presen\u00e7a do presidente da Rep\u00fablica, do vice-presidente e de representantes dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade, Mulheres, Igualdade Racial, Povos Ind\u00edgenas, Casa Civil, Minas e Energia, al\u00e9m de representantes da Advocacia Geral da Uni\u00e3o, das Institui\u00e7\u00f5es de Justi\u00e7a e do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>:: Leia tamb\u00e9m:\u00a0 Entenda o acordo de repactua\u00e7\u00e3o para reparar os danos do crime da Samarco em Mariana (MG)::<\/p>\n<p>O documento foi homologado um dia ap\u00f3s o marco de nove anos do rompimento de Fund\u00e3o.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es do novo acordo de repactua\u00e7\u00e3o aconteceram entre 2022 e 2024, sem a participa\u00e7\u00e3o efetiva das comunidades atingidas. A mesa de repactua\u00e7\u00e3o, criada em 2023, estabeleceu novos acordos, novamente sem a participa\u00e7\u00e3o das pessoas atingidas, a partir de investidas dos governadores de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo, junto \u00e0 Justi\u00e7a Federal e ao Conselho Nacional de Justi\u00e7a, buscando um novo acordo com base no firmado ap\u00f3s o rompimento de Brumadinho.<\/p>\n<p>Por atribuir car\u00e1ter de ampla repercuss\u00e3o e possibilidade de instaura\u00e7\u00e3o de conflitos entre os entes federados, a mesa de repactua\u00e7\u00e3o submeteu \u00e0 Suprema Corte do pa\u00eds o texto das tratativas, para que a sua homologa\u00e7\u00e3o fosse feita por este \u00f3rg\u00e3o, que aceitou a incumb\u00eancia.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es do novo acordo visavam resolver quest\u00f5es n\u00e3o contempladas anteriormente. O objetivo era negociar todas as medidas, programas, responsabilidades e obriga\u00e7\u00f5es assumidas pela Samarco, pela Funda\u00e7\u00e3o Renova e pela BHP Billiton em decorr\u00eancia do rompimento e seus desdobramentos.<\/p>\n<p>O acordo prev\u00ea que a ades\u00e3o dos munic\u00edpios ou a participa\u00e7\u00e3o nas iniciativas de indeniza\u00e7\u00e3o individual s\u00e3o facultativas, mas em caso de aceite, pressup\u00f5em a desist\u00eancia, retirada e\/ou extin\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es judiciais ajuizadas relacionadas ao rompimento, inclusive no exterior.<\/p>\n<p>Em um atropelo \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o tardia do TAC Governan\u00e7a e sem participa\u00e7\u00e3o efetiva dos atingidos e atingidas, o acordo reduz o espa\u00e7o anteriormente garantido para a participa\u00e7\u00e3o social e a governan\u00e7a, de modo a enfraquecer a centralidade e protagonismo das v\u00edtimas na busca pela repara\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 detalhamento dos R$ 38 bilh\u00f5es j\u00e1 gastos no processo reparat\u00f3rio, tampouco uma auditoria independente que explique a aplica\u00e7\u00e3o desses valores.<\/p>\n<p class=\"editor\" rel=\"editor\" itemprop=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Ana Carolina Vasconcelos<\/p>\n<p><\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2024\/11\/08\/9-anos-depois-comunidades-atingidas-pelo-rompimento-de-mariana-convivem-com-medos-e-incertezas\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2024, o m\u00eas de novembro traz, novamente, a lembran\u00e7a dolorosa do maior desastre-crime socioambiental do Brasil. 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