{"id":13854,"date":"2025-12-20T15:24:13","date_gmt":"2025-12-20T15:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/12\/20\/da-invasao-no-panama-a-recolonizacao-1989-2025\/"},"modified":"2025-12-20T15:24:16","modified_gmt":"2025-12-20T15:24:16","slug":"da-invasao-no-panama-a-recolonizacao-1989-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/12\/20\/da-invasao-no-panama-a-recolonizacao-1989-2025\/","title":{"rendered":"Da invas\u00e3o no Panam\u00e1 \u00e0 recoloniza\u00e7\u00e3o (1989\u20132025)"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Em 22 de dezembro de 2024 o ent\u00e3o presidente eleito pela segunda vez nos Estados Unidos, Donald Trump, amea\u00e7ou \u201crecuperar\u201d o controle total do Canal do Panam\u00e1 sob argumento de que seu pa\u00eds o construiu e, portanto, nunca permitiria que este ca\u00edsse \u201cem m\u00e3os equivocadas\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 China, que nada tinha a ver com a administra\u00e7\u00e3o do canal.<\/p>\n<div class=\"brasi-apos-paragrafo-1\" id=\"brasi-1523643970\">\n<div style=\"margin-left: auto;margin-right: auto;text-align: center;\" id=\"brasi-175410835\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, ele considerava muito altas as tarifas cobradas pela administra\u00e7\u00e3o do canal, que est\u00e1 nas m\u00e3os dos panamenhos desde 1999, data acordada nos tratados assinados pelo ex-presidente americano James Carter e pelo general panamenho Omar Torrijos em 1977.<\/p>\n<p>Entre outros argumentos falsos, alegava que 38 mil norte-americanos morreram na constru\u00e7\u00e3o do Canal do qual se apoderou os Estados Unidos. Na realidade, os milhares de mortos eram jamaicanos, escravizados negros e ind\u00edgenas, os mais pobres entre os pobres. Nenhum panamenho firmou o infame Tratado de 1903 para os EUA construir o canal e apoderar-se colonialmente do pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode analisar o presente sem recordar que em 1989 os Estados Unidos invadiram o Panam\u00e1 e que desde ent\u00e3o este pa\u00eds esteve sob controle de Washington e especialmente do Pent\u00e1gono.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"480\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/12\/image_processing20241223-2385620-z7urtd.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-238848\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/12\/image_processing20241223-2385620-z7urtd-300x180.webp 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/12\/image_processing20241223-2385620-z7urtd-768x461.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/12\/image_processing20241223-2385620-z7urtd.webp 800w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Presidente do Panam\u00e1, Jose Raul Mulino, e dos EUA, Donald Trump <span class=\"credit-separator\">|<\/span> <span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: AFP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A decis\u00e3o de Trump de apropriar-se do canal n\u00e3o surpreende e foi transmitida diretamente pelo secret\u00e1rio de Estado Marco Rubio, de sinistros antecedentes, j\u00e1 que pertence ao lobby cubano de Miami e da funda\u00e7\u00e3o M\u00e1s Canosa, a cara pol\u00edtica do terrorismo cubano-americano, que atua n\u00e3o somente contra Cuba, como contra todos os governos n\u00e3o submissos da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O atual governo do direitista e pr\u00f3-estadunidense, Jos\u00e9 Ra\u00fal Mulino, firmou acordos que significam um processo escancarado de recoloniza\u00e7\u00e3o do Panam\u00e1, provocando rebeli\u00f5es do povo panamenho que durante anos lutou heroicamente contra a ocupa\u00e7\u00e3o colonial da chamada Zona do Canal (Canal Zone) pelos Estados Unidos e contra a presen\u00e7a das bases militantes do Comando Sul, tristemente c\u00e9lebre em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o governo de Mulino a repress\u00e3o tem sido a resposta, produzindo feridos e detidos em diversos lugares e \u00e9 evidente que a nova pol\u00edcia \u2014 depois de ter destru\u00eddo durante a invas\u00e3o de 1989 as nascentes Fuerzas de Defensa de Panam\u00e1, educadas para a seguran\u00e7a do pa\u00eds \u2014, no \u00e2mbito da Doutrina de Seguran\u00e7a estadunidense, que semeou ditaduras em toda a Am\u00e9rica Latina durante o s\u00e9culo XX.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a\/>Consequ\u00eancias da invas\u00e3o<\/h2>\n<p>\u201cO interesse estadunidense no Panam\u00e1 sempre se concentrou em um ponto: a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do canal. Ele tem sido crucial para suas opera\u00e7\u00f5es globais, como a penetra\u00e7\u00e3o capitalista na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1sia, e para sua capacidade de deslocar for\u00e7as militares de forma agressiva por todas as partes do mundo\u201d, assinala um artigo publicado em espanhol e em ingl\u00eas intitulado \u201cLa Neta de la Revoluci\u00f3n\u201d.[1]<\/p>\n<p>O artigo tamb\u00e9m avalia que, \u201cpor meio da invas\u00e3o de 1989, os Estados Unidos intensificaram sua domina\u00e7\u00e3o sobre o Panam\u00e1 e sobre toda a Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p>Tratou-se de uma das primeiras a\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos para se impor como a \u00fanica superpot\u00eancia ap\u00f3s o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. No ano seguinte, o pa\u00eds lan\u00e7aria a Primeira Guerra do Golfo P\u00e9rsico (1990\u20131991), segundo o mesmo artigo ao se referir \u00e0 opera\u00e7\u00e3o \u201cTempestade no Deserto\u201d contra o Iraque, que deixou milhares de mortos e antecipou o que viria a ser a invas\u00e3o de 2003 para ocupar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este artigo que expressa uma opini\u00e3o de investigadores estadunidenses menciona que \u201cA invas\u00e3o do Panam\u00e1 foi uma guerra ianque vergonhosa e mentirosa\u201d, referindo-se ao fato de que as tropas norte-americanas n\u00e3o fizeram o menor esfor\u00e7o por limitar-se a alvos militares, como demonstrou a quantidade de casas e edifica\u00e7\u00f5es que foram afetadas, como o caso do bairro El Chorrillo, de casas de madeira que haviam sobrevivido desde a constru\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1, totalmente destru\u00eddo pelo inc\u00eandio provocado pelos bombardeios. Nada foi feito para evitar a destrui\u00e7\u00e3o e outros efeitos produzidos por atacar um bairro t\u00e3o popular nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-220032-0ed614-1024x570.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-691740\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-220032-0ed614-300x200.jpg 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-220032-0ed614-768x512.jpg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-220032-0ed614-1024x570.jpg 1024w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Camponeses participam de um protesto contra a constru\u00e7\u00e3o de um reservat\u00f3rio na bacia do rio Indio, prov\u00edncia de Col\u00f3n, Panam\u00e1, em 16 de maio de 2025 <span class=\"credit-separator\">|<\/span> <span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: MARTIN BERNETTI \/ AFP<\/p>\n<p><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA invas\u00e3o teve objetivos pol\u00edticos encobertos. Os militares norte-americanos seguiam a t\u00e1tica do general Colin Powell, chefe do Estado-Maior em Washington, de fazer uso m\u00e1ximo da for\u00e7a para esmagar o inimigo. No caso do Panam\u00e1, essa t\u00e1tica era desnecess\u00e1ria e, al\u00e9m disso, cruel, j\u00e1 que as For\u00e7as de Defesa n\u00e3o dispunham de avi\u00f5es nem de tropas de combate\u201d, escreveu Marco A. Gand\u00e1segui, professor da Universidade do Panam\u00e1 e pesquisador associado do Centro de Estudios Latinoamericanos (CELA), em 20 de dezembro de 2007.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o e o saque que desmantelou os com\u00e9rcios de todo tipo, ao que se somou a perda de moradias para milhares de fam\u00edlias nas cidades de Panam\u00e1 e Col\u00f3n, aumentaram a trag\u00e9dia. Tamb\u00e9m os Estados Unidos haviam realizado una guerra encoberta para destruir a Iniciativa de Contadora (Panam\u00e1, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Venezuela) de 1983, que a seguir derivou na de Esquipulas[2], para tratar de reduzir\u00a0os valiosos elementos que indicavam terminar com as verdadeiras e injustas causas que originaram os conflitos na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>A iniciativa de Paz de Contadora (referente \u00e0 ilha panamenha de mesmo nome), liderada por pa\u00edses como Argentina, Brasil e Col\u00f4mbia, foi permanentemente sabotada pelos Estados Unidos, com documentos e dados irrefut\u00e1veis, como demonstramos juntamente com o tamb\u00e9m jornalista (uruguaio) Rafael Cribari, ambos correspondentes de imprensa no Panam\u00e1, no texto \u201cLa guerra encubierta contra Contadora\u201d, publicado naquele pa\u00eds quando se completou o primeiro ano dessa iniciativa, t\u00e3o importante de ser conhecida a fundo em qualquer processo de unidade latino-americana.<\/p>\n<p>Um dos principais defensores dessa iniciativa foi o general Manuel Antonio Noriega, chefe de Seguran\u00e7a de Torrijos desde o in\u00edcio, em 1968. Tamb\u00e9m em 1983, o general Noriega, ent\u00e3o chefe das For\u00e7as de Defesa panamenhas, determinou o fechamento da Escola das Am\u00e9ricas no Comando Sul, cumprindo o que havia sido pactuado nos tratados assinados por James Carter e pelo governante panamenho assassinado.<\/p>\n<p>Na Escola das Am\u00e9ricas eram treinados militares latino-americanos em guerras de car\u00e1ter contrainsurgente, que inclu\u00edam ensinamentos de tortura e outras pr\u00e1ticas, como parte das estrat\u00e9gias da Guerra Fria na luta contra o comunismo, muitos dos quais se converteram nos mais cru\u00e9is ditadores da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Embora Noriega nunca tenha sido presidente do Panam\u00e1 \u2014 como afirmam n\u00e3o apenas desinformadores de direita, mas tamb\u00e9m alguns setores da esquerda que, ao que parece, n\u00e3o se ajustam \u00e0 hist\u00f3ria de pa\u00edses t\u00e3o esquecidos como os centro-americanos \u2014, o general panamenho era, sim, o homem forte do pa\u00eds, especialmente depois que a CIA foi responsabilizada pelo atentado contra um pequeno avi\u00e3o panamenho que transportava o general Omar Torrijos Herrera em um voo muito curto, de apenas 15 minutos, no interior do Panam\u00e1, quando a aeronave explodiu e se chocou contra uma montanha, em 31 de maio de 1981.<\/p>\n<p>O mesmo havia ocorrido em 24 de maio daquele mesmo ano com um avi\u00e3o de linha, neste caso carregado de passageiros, no qual viajavam o ex-presidente do Equador, Jaime Rold\u00f3s Aguilera, e sua esposa, Martha Bucaram. A aeronave caiu pouco depois de decolar do aeroporto, em um epis\u00f3dio que a vers\u00e3o oficial atribuiu a erro do piloto e a um mau tempo inexistente, e que p\u00f4s fim \u00e0 vida de um governante progressista e amado por seu povo, difamado e perseguido pelo governo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Vale lembrar que ambos figuravam como l\u00edderes de esquerda \u201ccomunistas\u201d inc\u00f4modos para os Estados Unidos, como cita o Documento 1 de Santa F\u00e9, elaborado pelos \u201cthink tanks\u201d das funda\u00e7\u00f5es de direita daquele pa\u00eds, ao qual qualquer pesquisador \u2014 ou mesmo qualquer interessado no tema \u2014 pode ter acesso.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a\/>Os mitos<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"717171\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #717171;\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"529\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/invasion-de-panama-por-estados-unidos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-906256 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/invasion-de-panama-por-estados-unidos-300x198.jpg 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/invasion-de-panama-por-estados-unidos-768x508.jpg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/invasion-de-panama-por-estados-unidos.jpg 800w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estados Unidos invade Panam\u00e1 no dia 20 de dezembro de 1989 \u2013 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o www.zendalibros.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em c\u00edrculos restritos, tanto no Panam\u00e1 quanto nos Estados Unidos, tecem-se mitos em torno das raz\u00f5es pelas quais a maior pot\u00eancia militar do mundo se lan\u00e7ou contra o Panam\u00e1.<\/p>\n<p>O mito mais repetido refere-se \u00e0 figura do general Noriega, que teria se indisposto com os Estados Unidos, embora alguns analistas assegurem que ele constava nas folhas de pagamento da CIA, sob a suspeita de que, na realidade, informava ao governo do general Omar Torrijos sobre os planos desse organismo contra o Panam\u00e1.<\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a com o Iraque \u00e9 \u00f3bvia demais. O mesmo filme, com os mesmos atores, em outro cen\u00e1rio. Se algo foi uma inven\u00e7\u00e3o grosseira, foi a alega\u00e7\u00e3o de porta-vozes da CIA de que o Panam\u00e1 havia declarado guerra aos Estados Unidos, o que n\u00e3o merece sequer coment\u00e1rio, tamanha \u00e9 a sua carga de cinismo e canalhice.<\/p>\n<p>Muitos argumentos foram apresentados, inclusive o de que, como narra este livro, teria sido utilizado um casal de agentes da CIA rondando o Quartel Central em um momento de graves tens\u00f5es. Eles foram detidos pelas For\u00e7as de Defesa panamenhas, que comunicaram imediatamente o fato ao Comando Sul, tentando evitar que essa situa\u00e7\u00e3o servisse de pretexto para uma interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que disse George Bush ao povo dos Estados Unidos? Que uma militar norte-americana havia sido maltratada e at\u00e9 abusada por militares panamenhos. Uma mentira absoluta, como podem confirmar correspondentes estrangeiros convocados pelos membros das For\u00e7as Armadas panamenhas para informar que o casal detido, suspeito de ser formado por agentes da CIA especialmente enviados, havia sido tratado com cortesia enquanto se aguardava que fossem buscados pelo Comando Sul na zona do Canal.<\/p>\n<p>O presidente Bush tamb\u00e9m falou de um tratado inexistente que o autorizaria a uma poss\u00edvel invas\u00e3o, ou de uma suposta autoriza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. J\u00e1 em pleno curso da invas\u00e3o, Bush alegou que havia agido para \u201cproteger\u201d vidas de norte-americanos, que jamais estiveram em perigo.<\/p>\n<p>Menos cr\u00edvel ainda era a ideia de que se tratava de proteger o Canal, que nunca esteve desguarnecido, ou de deter um grande narcotraficante, que, segundo eles, seria Noriega.<\/p>\n<p>Em 23 de dezembro de 1989, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, composto por 15 pa\u00edses, acolheu a proposta da Iugosl\u00e1via que condenava a invas\u00e3o militar dos Estados Unidos ao Panam\u00e1. Apenas Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e Estados Unidos se opuseram, mas, por deterem poder de veto, derrotaram a proposta.<\/p>\n<p>Para uma s\u00e9rie de analistas panamenhos, a raz\u00e3o da invas\u00e3o s\u00f3 pode ser encontrada se forem estudadas as contradi\u00e7\u00f5es internas da pol\u00edtica norte-americana, as fragilidades de um presidente inseguro, acuado pela oposi\u00e7\u00e3o e incapaz de apresentar um programa de governo coerente.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a\/>Mudan\u00e7a democr\u00e1tica?<\/h2>\n<p>Vinte anos ap\u00f3s a invas\u00e3o do Panam\u00e1, e depois de uma sucess\u00e3o de governos de direita (e do Partido Revolucion\u00e1rio Democr\u00e1tico), assumiu o governo Ricardo Martinelli, que firmaria um acordo com os Estados Unidos para construir no Panam\u00e1 entre quatro e nove bases militares ao longo do Atl\u00e2ntico e do Pac\u00edfico, mas tamb\u00e9m no sul e no norte, nas zonas de fronteira, o que significou uma recoloniza\u00e7\u00e3o encoberta do pa\u00eds istmeano.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o somente coloca o Panam\u00e1 como um pa\u00eds ocupado, como se integra totalmente as bases do Plano M\u00e9rida (2006) e do Plano Colombia[3] (2001).<\/p>\n<p>Ricardo Martinelli, um empres\u00e1rio milion\u00e1rio gra\u00e7as a neg\u00f3cios obscuros, pelos quais responde judicialmente nos dias de hoje, foi o presidente ideal para os novos projetos de Washington para a regi\u00e3o. Ao anunciar seu programa de governo, havia afirmado que n\u00e3o assinaria nenhum tratado com os Estados Unidos, nem militar nem comercial.<\/p>\n<p>Contudo, apenas tr\u00eas meses ap\u00f3s assumir o governo, em 2009, anunciou: \u201cIniciaremos conversa\u00e7\u00f5es para trazer de volta ao Panam\u00e1 a presen\u00e7a do mecanismo FOL (Forward Operating Location) do Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos, \u2018para combater o narcotr\u00e1fico e o terrorismo, entre outros\u2019\u201d. Martinelli tinha a inten\u00e7\u00e3o de colaborar com os Estados Unidos no combate ao terrorismo, \u00e0 guerrilha e ao narcotr\u00e1fico, sustenta o analista internacional, ex-assessor de pol\u00edtica externa e escritor Julio Yao Villalaz, que perguntava, em 2009, \u00e0 embaixada dos Estados Unidos:<\/p>\n<p>1. Os Estados Unidos t\u00eam o direito de ingressar livremente no espa\u00e7o terrestre, a\u00e9reo, lacustre e mar\u00edtimo do Panam\u00e1?<\/p>\n<p>2. Os Estados Unidos t\u00eam o direito de perseguir, capturar e\/ou destruir embarca\u00e7\u00f5es ou aeronaves dentro do territ\u00f3rio nacional, incluindo o direito de conduzir tripulantes detidos diretamente ao territ\u00f3rio norte-americano e de reter a carga apreendida, sem ingressar em territ\u00f3rio panamenho nem solicitar autoriza\u00e7\u00e3o do Panam\u00e1?<\/p>\n<p>3. Os Estados Unidos t\u00eam o direito de abordar embarca\u00e7\u00f5es de bandeira panamenha em alto-mar sem a aprova\u00e7\u00e3o do Panam\u00e1?<\/p>\n<p>4. Os Estados Unidos det\u00eam direitos extraterritoriais e imunidade frente \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o panamenha?<\/p>\n<p>5. Os Estados Unidos possuem direitos, privil\u00e9gios, isen\u00e7\u00f5es e outras prerrogativas superiores \u00e0s reconhecidas a diplomatas estrangeiros?<\/p>\n<p>6. Os Estados Unidos t\u00eam o direito de n\u00e3o submeter seus funcion\u00e1rios civis e militares acusados de crimes de guerra aos tribunais panamenhos e de impedir que o Panam\u00e1 os submeta a terceiros Estados ou ao Tribunal Penal Internacional?<\/p>\n<p>7. Os Estados Unidos t\u00eam o direito de aplicar o Acordo Complementar de 2002 (Tratado Salas-Becker) para obter acesso \u00e0s bases aeronavais que ser\u00e3o constru\u00eddas em ambos os oceanos?<\/p>\n<p>8. Os Estados Unidos t\u00eam a prerrogativa legal de ingressar e manter for\u00e7as armadas no Panam\u00e1 com base no Tratado de Neutralidade?<\/p>\n<p>9. Qual acordo com o Panam\u00e1 autoriza as Manobras Panamax[4], realizadas no pa\u00eds todos os anos desde 2003?<\/p>\n<p>E segue tratando do tema dos direitos dos Estados Unidos na Col\u00f4mbia. Nesse caso, o presidente \u00c1lvaro Uribe (2002\u20132010) havia estabelecido que as bases militares pactuadas com os Estados Unidos em 30 de outubro de 2009 seriam usadas \u201cexclusivamente dentro do territ\u00f3rio colombiano\u201d. No entanto, um documento da For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos, entregue ao Senado daquele pa\u00eds, aponta outra dire\u00e7\u00e3o, segundo a investiga\u00e7\u00e3o de Yao.<\/p>\n<p>1. A base militar de Palanquero \u201cgarante a capacidade de conduzir opera\u00e7\u00f5es de espectro completo por toda a Am\u00e9rica do Sul\u201d (for\u00e7as terrestres, navais e a\u00e9reas dos Estados Unidos).<\/p>\n<p>2. As bases militares servir\u00e3o para combater \u201ca amea\u00e7a constante de governos antiestadunidenses\u201d (Venezuela, Equador, Bol\u00edvia, Argentina e Brasil).<\/p>\n<p>3. O acordo de 30 de outubro permite \u201co acesso e o uso de outras instala\u00e7\u00f5es e localidades\u201d em todo o territ\u00f3rio colombiano, sem restri\u00e7\u00f5es, incluindo o uso de aeroportos comerciais.<\/p>\n<p>4. Os Estados Unidos investir\u00e3o cerca de 46 milh\u00f5es de d\u00f3lares para adequar a pista a\u00e9rea, as rampas e outras instala\u00e7\u00f5es, convertendo-as em uma Localidade de Coopera\u00e7\u00e3o em Seguran\u00e7a (CSL), a partir da qual poder\u00e3o enfrentar amea\u00e7as de governos considerados antiestadunidenses.<\/p>\n<p>5. \u201cO acesso \u00e0 Col\u00f4mbia aprofundar\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com os Estados Unidos. A s\u00f3lida coopera\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a tamb\u00e9m oferece a oportunidade de conduzir opera\u00e7\u00f5es de espectro completo por toda a Am\u00e9rica do Sul.\u201d A base de Palanquero \u201ccontribui para a miss\u00e3o de mobilidade ao garantir acesso a todo o continente sul-americano, com exce\u00e7\u00e3o do Cabo Horn\u201d.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o e suas consequ\u00eancias, hoje evidentes, configuraram a maior trai\u00e7\u00e3o a um povo que tanto lutou para se libertar do colonialismo do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>As bases militares transformaram todo o territ\u00f3rio do Panam\u00e1 em uma zona colonial e representam uma anexa\u00e7\u00e3o virtual, como a da Col\u00f4mbia, al\u00e9m da continuidade de uma ocupa\u00e7\u00e3o que vem se expandindo desde que o Plano M\u00e9rida, imposto ao M\u00e9xico em 2006, transformou o rio Bravo no ponto inicial do novo tra\u00e7ado do projeto geoestrat\u00e9gico de recoloniza\u00e7\u00e3o conhecido como Plano Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>As quatro grandes bases aeronavais norte-americanas em territ\u00f3rio panamenho, entre as nove de outros tipos que acabaram sendo acordadas, somam-se \u00e0s sete bases existentes na Col\u00f4mbia, al\u00e9m de duas novas, e ao tra\u00e7ado do Plano Puebla-Panam\u00e1. Para viabilizar esse projeto, o governo dos Estados Unidos promoveu um golpe de Estado em Honduras, em junho de 2009, com o objetivo de proteger suas bases e estruturas militares no pa\u00eds, que n\u00e3o se concentram apenas em Soto Cano e Palmerola, mas tamb\u00e9m em outras instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Anunciava-se que a primeira base aeronaval seria instalada na Ilha Chapera, no Arquip\u00e9lago das P\u00e9rolas, pr\u00f3xima \u00e0 Ilha Contadora, utilizada como espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o da paz regional na d\u00e9cada de 1980. A segunda base ficaria em Rambala, na prov\u00edncia de Bocas del Toro, \u00e1rea promovida para o turismo internacional. A terceira, em Punta Coco, na prov\u00edncia de Veraguas, e a quarta e \u00faltima, na Ba\u00eda Pi\u00f1a, na prov\u00edncia de Dari\u00e9n, a poucos quil\u00f4metros da fronteira com a Col\u00f4mbia. Esse quadro evidencia a gravidade do avan\u00e7o dos Estados Unidos sobre a Am\u00e9rica Latina, no marco dos projetos de Seguran\u00e7a Hemisf\u00e9rica do s\u00e9culo XXI, que se consolidam como a maior amea\u00e7a das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A rede de bases, assim como as instaladas em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e infraestruturas militares como as existentes no Paraguai, pass\u00edveis de r\u00e1pida ocupa\u00e7\u00e3o por tropas de invas\u00e3o, revela a pol\u00edtica de cerco imposta a pa\u00edses cujos governos foram eleitos por amplas maiorias populares e que t\u00eam o direito de recuperar sua independ\u00eancia real no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/AFP__20250411__423789J__v1__Preview__PanamaUsPanamax2025CanalSecurity-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-679231\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/AFP__20250411__423789J__v1__Preview__PanamaUsPanamax2025CanalSecurity-300x200.jpg 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/AFP__20250411__423789J__v1__Preview__PanamaUsPanamax2025CanalSecurity-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/AFP__20250411__423789J__v1__Preview__PanamaUsPanamax2025CanalSecurity-768x513.jpg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/04\/AFP__20250411__423789J__v1__Preview__PanamaUsPanamax2025CanalSecurity.jpg 1200w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marines estadunidenses em base no Panam\u00e1 <span class=\"credit-separator\">|<\/span> <span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: Mauricio Valenzuela \/ AFP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em s\u00edntese, a invas\u00e3o do Panam\u00e1 em dezembro de 1989 levou a uma reinstala\u00e7\u00e3o colonial por meio de uma invas\u00e3o silenciosa de funda\u00e7\u00f5es e ONGs em nossos pa\u00edses, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de bases que hoje cercam o territ\u00f3rio panamenho entre os dois oceanos. Essas bases ganharam ainda mais relev\u00e2ncia diante das amea\u00e7as permanentes de invas\u00e3o \u00e0 Venezuela, mantidas de forma cont\u00ednua, e do fracasso sucessivo de governos republicanos e democratas em conter o ressurgimento do pensamento contra-hegem\u00f4nico do s\u00e9culo 21, representado pelo bolivarianismo.<\/p>\n<p>Isso nos remete ao que pode ser chamado de \u201ccastra\u00e7\u00e3o das independ\u00eancias conquistadas nas lutas do s\u00e9culo 19\u201d, ap\u00f3s a formula\u00e7\u00e3o, nos Estados Unidos, da colonialista Doutrina Monroe de 1823, sintetizada na express\u00e3o \u201cAm\u00e9rica para os americanos\u201d, isto \u00e9, a Am\u00e9rica do Sul subordinada aos norte-americanos. Essa doutrina permitiu impedir que pot\u00eancias europeias ou outras disputassem o suposto \u201cdireito\u201d dos Estados Unidos de controlar nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo 21, foi elaborado o Documento Santa F\u00e9 IV, cujo texto \u00e9 encabe\u00e7ado pela express\u00e3o \u201cDoutrina Monroe\u201d. Essa diretriz foi confirmada pelo pr\u00f3prio presidente Donald Trump, que, no final de 2019 e novamente em 2024 e 2025, declarou publicamente que a pol\u00edtica aplicada por seu pa\u00eds na Am\u00e9rica Latina segue a Doutrina Monroe, recolocando o continente no mesmo cen\u00e1rio de 1823. Diante disso, uma das figuras centrais da luta independentista contra o imp\u00e9rio espanhol, o general venezuelano Sim\u00f3n Bol\u00edvar, j\u00e1 havia convocado, em 1826, as jovens na\u00e7\u00f5es de Nossa Am\u00e9rica ao Congresso Anficti\u00f4nico do Panam\u00e1, concebido como um espa\u00e7o estrat\u00e9gico de uni\u00e3o entre os povos do continente.<\/p>\n<p>Ali proclamou a necessidade da uni\u00e3o das novas rep\u00fablicas, ainda em gesta\u00e7\u00e3o em alguns casos, e convocou a concretiza\u00e7\u00e3o da unidade latino-americana como a \u00fanica forma de enfrentar o nascente imp\u00e9rio do Norte.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 casual que os Estados Unidos tenham se lan\u00e7ado agora a recuperar essa cintura continental onde se ergueu o chamado extraordin\u00e1rio \u00e0 unidade para defender nossos povos e os riqu\u00edssimos territ\u00f3rios do sul diante do mandato do Norte de colonizar tudo o que estivesse ao sul do rio Bravo, ou seja, do M\u00e9xico \u00e0 Terra do Fogo, na Argentina.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a\/>35 anos depois<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"c5948c\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #c5948c;\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-17.46.39-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-906255 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-17.46.39-300x300.jpeg 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-17.46.39-150x150.jpeg 150w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em 2026, Editora Coragem lan\u00e7a a tradu\u00e7\u00e3o do livro Panam\u00e1, Pequena Hiroshima, de Stella Calloni, no Brasil \u2013 Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Hoje, passados 35 anos da invas\u00e3o do Panam\u00e1, assistimos a uma ocupa\u00e7\u00e3o militar pela frota naval dos Estados Unidos, em posi\u00e7\u00e3o de guerra, amea\u00e7ando n\u00e3o apenas todo o Caribe e a Am\u00e9rica Central, a poucos dias da comemora\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o que assolou um pa\u00eds de apenas dois milh\u00f5es de habitantes naquele momento. A ofensiva come\u00e7ou pouco antes da meia-noite de 19 de dezembro de 1989, quando a Zona do Canal ainda dividia o pequeno pa\u00eds em dois. Bastou, ent\u00e3o, levantar voo e, em dez minutos, helic\u00f3pteros e avi\u00f5es norte-americanos passaram a bombardear, num primeiro momento, a cidade capital, que contava com apenas 600 mil habitantes. Eu estava ali e sou testemunha do horror e da morte.<\/p>\n<p>Trinta e cinco anos depois, um imp\u00e9rio em irrevers\u00edvel decad\u00eancia amea\u00e7a invadir a Venezuela, onde, diferentemente do Panam\u00e1, h\u00e1 milh\u00f5es de habitantes e for\u00e7as armadas poderosas, n\u00e3o incipientes como as panamenhas, abastecidas pela R\u00fassia e pela China. Isso ocorre porque o presidente dos Estados Unidos e seus conselheiros, os piores da hist\u00f3ria presidencial daquele pa\u00eds, ordenam ao presidente Nicol\u00e1s Maduro que abandone o governo com todo o seu gabinete, equivocando-se no marco dos novos tempos, no in\u00edcio do fim da chamada Nova Ordem Mundial, imposta pela maior pot\u00eancia do mundo, que deixou de s\u00ea-lo.<\/p>\n<p>E num momento em que o selvagismo das guerras que esse imp\u00e9rio sustenta pelo mundo, com brutalidade, arrog\u00e2ncia e impunidade j\u00e1 insustent\u00e1veis, mesmo diante da censura midi\u00e1tica mundial imposta, se torna cada vez mais evidente.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"776c6b\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #776c6b;\" decoding=\"async\" width=\"413\" height=\"567\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/eua.png\" alt=\"Protesto nos EUA contra amea\u00e7as \u00e0 Venezuela\" class=\"wp-image-899630 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/eua-219x300.png 219w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/12\/eua.png 413w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Protesto nos EUA contra amea\u00e7as \u00e0 Venezuela <span class=\"credit-separator\">|<\/span> <span class=\"image-credit\">Cr\u00e9dito: answer Coallition<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A evid\u00eancia crescente do desmascaramento e do colapso imperial \u00e9 vis\u00edvel a cada dia, no maior genoc\u00eddio visto neste s\u00e9culo 21 depois do nazismo no s\u00e9culo 20, executado de forma impune e selvagem pelo governo da ultradireita sionista de Israel contra o povo palestino. Uma viol\u00eancia televisionada por mais de dois anos, que exp\u00f4s os horrores de uma guerra que n\u00e3o \u00e9 propriamente uma guerra, pois se trata de um Estado agindo contra uma popula\u00e7\u00e3o encurralada no \u00faltimo peda\u00e7o de terra da Palestina ocupada e saqueada pelo agressor.<\/p>\n<p>Trata-se n\u00e3o apenas da maior trai\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas do Holocausto nazista, mas tamb\u00e9m ao pr\u00f3prio povo israelense e aos milhares e milhares de aut\u00eanticos judeus religiosos que, como os povos de todo o mundo, se manifestam diariamente, desafiando repress\u00f5es e amea\u00e7as. Uma invas\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina, nessas circunst\u00e2ncias, ser\u00e1 um suic\u00eddio, o disparo final que o maior imp\u00e9rio da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea dar\u00e1 contra si mesmo.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><sup>[1]<\/sup> <em>Em http:\/\/revcom.us (Cartas: Box 3486, Merchandise Mart, Chicago).<\/em><\/p>\n<p><sup>[2]<\/sup> <em>O Acordo de Paz de Esquipulas foi uma iniciativa do Grupo de Contadora, nos anos 1980, para resolver os conflitos militares que flagelavam a Am\u00e9rica Central por muitos anos. O Grupo de Contadora foi criado por M\u00e9xico, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia e Venezuela como resposta \u00e0 retomada da pol\u00edtica intervencionista norte-americana na regi\u00e3o durante o mandato do presidente norte-americano Ronald Reagan. Com o Grupo de Apoio \u00e0 Contadora formado por Argentina, Brasil, Peru e Uruguai, anos depois, em 2010, surgiria a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). [N. do E.]<\/em><\/p>\n<p><sup>[3]<\/sup> <em>O Plano Col\u00f4mbia (2001) e o Plano M\u00e9rida (2006) foram programas de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o\u201d militar e de seguran\u00e7a impulsionados pelos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina, apresentados oficialmente como iniciativas de combate ao narcotr\u00e1fico e ao crime organizado, mas que tiveram profundas implica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, militares e sociais na regi\u00e3o. Sob justificativa baseada na l\u00f3gica da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, foram mais duas iniciativas estadunidenses com evidente objetivo de controle territorial, pol\u00edtico e estrat\u00e9gico. [N. do E.]<\/em><\/p>\n<p><sup>[4]<\/sup> <em>\u201cManobras Panamax\u201d s\u00e3o exerc\u00edcios militares peri\u00f3dicos com objetivo de defender o Canal do Panam\u00e1, envolvendo treinamento a\u00e9reo, mar\u00edtimo e terrestre das for\u00e7as panamenhas e de outros pa\u00edses aliados, principalmente do Comando Sul do ex\u00e9rcito dos Estados Unidos. [N. do E.]<\/em><\/p>\n<p><em>* Stella Calloni, nascida em Entre R\u00edos, 1935, \u00e9 uma jornalista e escritora argentina especializada em pol\u00edtica internacional, cujos trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o centraram-se nas ditaduras militares latino-americanas e nos processos pol\u00edticos relacionados. Seus livros Los a\u00f1os del lobo: la Operaci\u00f3n C\u00f3ndor (1999) e Operaci\u00f3n C\u00f3ndor, pacto criminal (2006) re\u00fanem parte de suas investiga\u00e7\u00f5es sobre a opera\u00e7\u00e3o conhecida como o Plano Condor e foram traduzidos para v\u00e1rios idiomas.<\/em><\/p>\n<p><em>** Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente representa a linha editorial do\u00a0<strong>Brasil do Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/12\/20\/da-invasao-no-panama-a-recolonizacao-1989-2025\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 22 de dezembro de 2024 o ent\u00e3o presidente eleito pela segunda vez nos Estados Unidos, Donald Trump, amea\u00e7ou \u201crecuperar\u201d o controle total do Canal do Panam\u00e1 sob argumento de que seu pa\u00eds o construiu e, portanto, nunca permitiria que este ca\u00edsse \u201cem m\u00e3os equivocadas\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 China, que nada tinha a ver com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13855,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_daextrevop_audio_file_url":"","_daextrevop_audio_file_creation_date":"","_daextrevop_text_to_speech":"","_daextrevop_document_type":"","footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-13854","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-cultura"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.6 - 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