{"id":11939,"date":"2025-10-18T17:24:18","date_gmt":"2025-10-18T17:24:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/10\/18\/o-que-a-fome-no-brasil-tem-a-ver-com-o-acesso-a-terra-brasil-de-fato\/"},"modified":"2025-10-18T17:24:20","modified_gmt":"2025-10-18T17:24:20","slug":"o-que-a-fome-no-brasil-tem-a-ver-com-o-acesso-a-terra-brasil-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/10\/18\/o-que-a-fome-no-brasil-tem-a-ver-com-o-acesso-a-terra-brasil-de-fato\/","title":{"rendered":"o que a fome no Brasil tem a ver com o acesso \u00e0 terra \u2014 Brasil de Fato"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Na quinta-feira, 16 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o \u2014 uma data que refor\u00e7a a ideia de que comer \u00e9 muito mais do que um ato biol\u00f3gico: \u00e9 um ato pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Mesmo com o Brasil fora do mapa da fome, o alerta segue aceso. O que chega ao prato dos brasileiros ainda depende de quem tem terra, de quem planta e das escolhas que o pa\u00eds faz sobre o seu pr\u00f3prio futuro.<\/p>\n<p>Entre a abund\u00e2ncia e a escassez, h\u00e1 um territ\u00f3rio em disputa: o de garantir comida saud\u00e1vel, acess\u00edvel e justa para todos. Mas o que realmente significa alimentar um pa\u00eds? E quais caminhos o Brasil precisa percorrer para que a mesa n\u00e3o seja privil\u00e9gio, mas um direito?<\/p>\n<p>Para refletir sobre essas quest\u00f5es, o \u00a0<em>Bem Viver<\/em>, programa do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>, conversou com Diego Moreira, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organiza\u00e7\u00e3o que h\u00e1 quatro d\u00e9cadas defende a reforma agr\u00e1ria e a constru\u00e7\u00e3o de um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o agroalimentar no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEm todos os pa\u00edses que constru\u00edram alguma perspectiva de soberania alimentar, foi feita a reforma agr\u00e1ria\u201d, afirma o dirigente. \u201cOnde a terra continua concentrada, h\u00e1 fome, mis\u00e9ria e desabastecimento, principalmente nos momentos de crise.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, discutir alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 discutir tamb\u00e9m o projeto de pa\u00eds. \u201cQuanto mais concentrada a terra, mais se avan\u00e7a no monocultivo e na destrui\u00e7\u00e3o da diversidade. E quando se destr\u00f3i a diversidade, destr\u00f3i-se tamb\u00e9m a cultura e a nutri\u00e7\u00e3o dos povos.\u201d<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, o MST analisa os desafios das pol\u00edticas p\u00fablicas de abastecimento, o papel do consumo urbano na consolida\u00e7\u00e3o da agricultura familiar e a urg\u00eancia de vincular o debate da alimenta\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 terra.<\/p>\n<p>Confira a entrevista na \u00edntegra.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">O dirigente nacional do MST Diego Moreira aponta que todos os pa\u00edses que concentraram terra, que n\u00e3o fizeram a reforma agr\u00e1ria, sofrem consequ\u00eancias graves com a fome | Rafa Dotti<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Brasil de Fato \u2013 Qual a rela\u00e7\u00e3o entre a reforma agr\u00e1ria e a soberania alimentar? Ou seja, sem acesso \u00e0 terra, \u00e9 poss\u00edvel democratizar o acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Diego Moreira \u2013 <\/strong>Em todos os pa\u00edses do mundo em que se construiu alguma perspectiva de soberania alimentar, de soberania nutricional e de autonomia dos povos, foi feita a reforma agr\u00e1ria. Mesmo que a reforma agr\u00e1ria num car\u00e1ter cl\u00e1ssico, dentro dos pr\u00f3prios modos do sistema capitalista, para resolver o tema do abastecimento interno, o tema da alimenta\u00e7\u00e3o \u2013 inclusive o tema da alimenta\u00e7\u00e3o como uma dimens\u00e3o importante da vida humana para regulamentar o pr\u00f3prio sal\u00e1rio \u2013 foi important\u00edssimo se fazer a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>E todos os pa\u00edses que concentraram terra, que n\u00e3o fizeram a reforma agr\u00e1ria, mesmo que numa perspectiva capitalista, de desenvolvimento capitalista, esses pa\u00edses sofrem consequ\u00eancias graves com a fome, com a mis\u00e9ria e com o desabastecimento nacional, em especial nos momentos de crise, n\u00e9?<\/p>\n<p>Como n\u00f3s estamos vivendo no momento do capitalismo globalizado, as crises \u2013 sejam elas clim\u00e1ticas, civilizat\u00f3rias, conflitos localizados \u2013 interferem diretamente no pre\u00e7o dos alimentos e, sendo assim, na soberania alimentar. E como que essa concentra\u00e7\u00e3o de terras interfere tamb\u00e9m naquilo que a gente come, na concentra\u00e7\u00e3o de oferta de alimento de qualidade ou sem qualidade.<\/p>\n<p>\u00c9 porque quanto mais concentrada a terra, mais se avan\u00e7a no monocultivo. Ent\u00e3o s\u00e3o grandes monoculturas, uma cultura \u00fanica, em que a sua maioria \u00e9 baseada em mercado internacional, em exporta\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o commodities, n\u00e9? Commodities que fazem parte de um conjunto de produtos que est\u00e3o tabelados em pre\u00e7o, em ofertas internacionais. E \u00e0 medida que a maioria das terras cultiv\u00e1veis est\u00e3o voltadas para commodities para exporta\u00e7\u00e3o, destr\u00f3i-se a diversidade. Ao se destruir a diversidade, n\u00e3o se permite a diversidade de alimento, vai se destruindo a cultura alimentar desses povos, vai se diminuindo a capacidade nutricional desses povos do ponto de vista da alimenta\u00e7\u00e3o, e isso vai interferindo diretamente no processo da soberania e da seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quanto mais monocultivo, quanto mais \u00e1reas extensivas, quanto mais latif\u00fandio \u2013 mesmo que em alguns momentos se julgue essa produ\u00e7\u00e3o moderna, uma produ\u00e7\u00e3o que \u00e9 para exporta\u00e7\u00e3o, para equilibrar a balan\u00e7a comercial, para resolver a quest\u00e3o do d\u00e9ficit prim\u00e1rio \u2013, mas isso n\u00e3o resolve o problema da alimenta\u00e7\u00e3o, o problema da oferta da comida. Isso interfere diretamente na soberania alimentar dos povos.<\/p>\n<p><strong>Agora, qual a diferen\u00e7a entre esses dois projetos de produ\u00e7\u00e3o agroalimentar, uma produ\u00e7\u00e3o voltada para a exporta\u00e7\u00e3o e outra voltada para alimentar o povo? Qual \u00e9 a principal diferen\u00e7a que voc\u00ea destacaria entre esses dois projetos?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais diferen\u00e7as \u00e9 o modo de produzir. Ent\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o do monocultivo \u00e9 baseada em grandes extens\u00f5es de terra de propriedade, baseada na maquinaria pesada e no agroqu\u00edmico pesado \u2013 ent\u00e3o, cada vez mais dependente do pacote tecnol\u00f3gico hoje controlado pelas grandes empresas transnacionais, que controlam o pacote tecnol\u00f3gico, que controlam a maquinaria pesada. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem o m\u00ednimo de equil\u00edbrio com a quest\u00e3o ambiental. Produz-se monocultivo a qualquer custo para exporta\u00e7\u00e3o, destruindo praticamente a natureza.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos convivendo, infelizmente, nos dias de hoje com v\u00e1rios desequil\u00edbrios ambientais no Brasil inteiro, no mundo inteiro, n\u00e9, provocando muito mais \u00eaxodo rural, provocando imigra\u00e7\u00f5es como nunca se viu em instantes na hist\u00f3ria da humanidade. Ent\u00e3o, esse modelo \u00e9 um modelo que est\u00e1 nos levando a uma fal\u00eancia do ponto de vista humanit\u00e1rio, uma fal\u00eancia do ponto de vista humano, n\u00e9? Produz a qualquer custo, produz apenas para ter lucro e n\u00e3o olhando para a quest\u00e3o do equil\u00edbrio, a quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o alimentar e da vida humana.<\/p>\n<p>E a segunda, que n\u00f3s estamos propondo, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o em diversidade, respeitando as culturas alimentares de cada povo; produzir em diversidade, produzir respeitando a natureza e os bens da natureza \u2013 a \u00e1gua, a terra, o ar e os outros seres vivos que vivem na natureza. Uma produ\u00e7\u00e3o que tenha como objetivo principal abastecer o mercado interno, segurar o pre\u00e7o dos alimentos, construir uma pol\u00edtica nacional de abastecimento e manter os homens e mulheres no campo e na agricultura, desenvolvendo inclusive outras perspectivas: perspectiva educacional, cultural, de g\u00eanero. Ou seja, as v\u00e1rias dimens\u00f5es que envolvem a vida humana.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que n\u00f3s estamos propondo de reforma agr\u00e1ria popular, de modelo de abastecimento, de novo programa nutricional da cesta b\u00e1sica \u2013 que deveria ser a cesta m\u00e1xima brasileira \u2013, seria nessa perspectiva de apostar numa produ\u00e7\u00e3o coletiva, uma produ\u00e7\u00e3o modernizada tamb\u00e9m do ponto de vista da agroind\u00fastria, do ponto de vista das m\u00e1quinas \u2013 m\u00e1quinas adequadas para esse tipo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u2013 e que tamb\u00e9m ajude a potencializar as outras dimens\u00f5es da vida, que permite elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia e o n\u00edvel de humanismo nosso enquanto seres humanos, que precisamos viver cada vez mais tempo nessa atmosfera e nessa humanidade.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" data-od-replaced-sizes=\"(max-width: 1023px) 100vw, 1023px\" src=\"\/HTML\/BODY\/DIV[@class='jeg_viewport']\/*[5][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[5][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[23][self::FIGURE]\/*[1][self::IMG]\" decoding=\"async\" width=\"1023\" height=\"682\" sizes=\"auto, (width &lt;= 480px) 372px, (max-width: 1023px) 100vw, 1023px\" alt=\"\" class=\"wp-image-691209\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-051645-d8b5ae-300x200.jpg 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-051645-d8b5ae-768x512.jpg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-051645-d8b5ae-750x536.jpg 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-051645-d8b5ae-600x400.jpg 600w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/05\/bdf-20250516-051645-d8b5ae-1023x570.jpg 1023w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os bancos de alimentos recebem itens da agricultura familiar e tamb\u00e9m compras de produtos industrializados para a distribui\u00e7\u00e3o com fam\u00edlias em inseguran\u00e7a alimentar | H\u00e9lia Scheppa \/ Prefeitura do Recife<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Do ponto de vista do consumidor, como \u00e9 que a gente explica para o consumidor urbano que consumir os alimentos da reforma agr\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um ato de solidariedade ao movimento social, mas \u00e9 um investimento nesse modelo que voc\u00ea acaba de explicar?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s estamos infelizmente convivendo com situa\u00e7\u00f5es de endemias, pandemias e uma situa\u00e7\u00e3o de adoecimento das sociedades e, no nosso caso em especial, da sociedade brasileira. Ent\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 comprovado cientificamente, n\u00e9, que muitas doen\u00e7as, muitas enfermidades derivam desse modelo alimentar, desse modelo alimentar imposto por um padr\u00e3o alimentar que desconsidera o que \u00e9 a diversidade alimentar, a cultura alimentar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que que n\u00f3s estamos dizendo? N\u00f3s precisamos conscientizar a sociedade brasileira de que fortalecer a agricultura familiar, a reforma agr\u00e1ria popular, \u00e9 fortalecer a possibilidade de produzir alimento saud\u00e1vel, de consumir alimento saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos tamb\u00e9m disputar, junto \u00e0 sociedade brasileira, a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas que possibilitem que esse produto tenha subs\u00eddio para que os produtores, os trabalhadores e as trabalhadoras que est\u00e3o na terra possam produzir esse produto com melhores condi\u00e7\u00f5es e garantia de comercializa\u00e7\u00e3o. Mas que esses produtos tamb\u00e9m possam chegar em boas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e boas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para serem consumidos pela grande classe trabalhadora urbana que est\u00e1 no meio urbano produzindo a sua vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a conscientiza\u00e7\u00e3o passa pela import\u00e2ncia de quem consome entender a import\u00e2ncia de democratizar a terra e os meios de produ\u00e7\u00e3o; a import\u00e2ncia de ter produtos cada vez mais diversos, cada vez mais saud\u00e1veis; ter pol\u00edticas p\u00fablicas que possibilitem que quem est\u00e1 na terra tenha seguran\u00e7a em produzir e comercializar; e ter pol\u00edticas p\u00fablicas de abastecimento que garantam que esses produtos cheguem em melhores condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e econ\u00f4micas para o consumo de quem est\u00e1 na cidade.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o, do andamento dessas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para reforma agr\u00e1ria? Principalmente o PAA (Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos), que \u00e9 important\u00edssimo para aquisi\u00e7\u00e3o dos alimentos, os estoques p\u00fablicos, o PNAE (Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar). Ou seja, que  avalia\u00e7\u00e3o voc\u00ea faz desse conjunto de pol\u00edticas que existe no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Eu penso que \u00e9 imposs\u00edvel analisar essas pol\u00edticas p\u00fablicas sem analisar a ofensiva que essas pol\u00edticas p\u00fablicas sofreram p\u00f3s-golpe, n\u00e9? Ent\u00e3o, o golpe contra a presidenta Dilma, contra a democracia, foi tamb\u00e9m \u2013 ou principalmente \u2013 para destruir essas pol\u00edticas p\u00fablicas que proporcionaram que o povo brasileiro elevasse um pouco as suas condi\u00e7\u00f5es de vida. O golpe tamb\u00e9m serviu para desestruturar o Estado brasileiro que tentou construir essas pol\u00edticas p\u00fablicas nos governos anteriores.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00f3s precisamos analisar as pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m tentando [entender] o tamanho do desmonte que o golpe e os governos p\u00f3s-golpe provocaram no Estado brasileiro e nessas pol\u00edticas p\u00fablicas. Por\u00e9m, passado tr\u00eas anos de governo, isso n\u00e3o pode ficar no nosso retrovisor. J\u00e1 precisa estar saindo do retrovisor, porque n\u00f3s j\u00e1 estamos com tr\u00eas anos de governo democr\u00e1tico popular, tr\u00eas anos de um governo que reeditou v\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Mas eu digo o seguinte: n\u00e3o s\u00f3 as pol\u00edticas p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma agr\u00e1ria, mas me parece que todos os programas e pol\u00edticas p\u00fablicas que foram reeditados, eles n\u00e3o tiveram e n\u00e3o est\u00e3o tendo o mesmo alcance e sucesso que tiveram outrora. Eu n\u00e3o estou dizendo que eles n\u00e3o sejam importantes \u2013 important\u00edssimos \u2013, mas eles est\u00e3o sendo insuficientes diante do desmanche do Estado brasileiro, diante das mudan\u00e7as sociais, demogr\u00e1ficas e econ\u00f4micas que houve na sociedade brasileira e na classe trabalhadora nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, me parece que n\u00f3s, os movimentos de esquerda, mas principalmente o governo, precisamos reinterpretar melhor essas pol\u00edticas p\u00fablicas e redimension\u00e1-las para que, de fato, elas cheguem do tamanho e na velocidade que n\u00f3s precisamos que elas cheguem na ponta. Vou dizer a exemplo do PAA: \u00e9 um programa muito importante, por\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o conseguimos melhorar os n\u00fameros, n\u00e3o conseguimos fazer com que o PAA tivesse a mesma dinamiza\u00e7\u00e3o e o mesmo alcance na diversifica\u00e7\u00e3o e na oferta de produtos que teve em outro per\u00edodo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 culpa do fulano, do sicrano e do beltrano. \u00c9 culpa de um conjunto de quest\u00f5es objetivas que n\u00f3s n\u00e3o estamos conseguindo interpretar. E esse n\u00e3o saber interpretar n\u00e3o est\u00e1 permitindo que as pol\u00edticas p\u00fablicas tenham o alcance que elas poderiam ter e deveriam ter para n\u00f3s disputarmos um projeto pol\u00edtico popular e democr\u00e1tico na nossa cidade, como n\u00f3s precisamos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tanto n\u00f3s, os movimentos sociais de esquerda, n\u00f3s do MST que lutamos pela reforma agr\u00e1ria, quanto o pr\u00f3prio governo, precisa fazer um balan\u00e7o mais qualificado sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas, a reedi\u00e7\u00e3o delas e o verdadeiro alcance que elas est\u00e3o tendo, e o que que e qual o alcance que elas precisariam ter para que, de fato, n\u00f3s consegu\u00edssemos mudar a realidade da sociedade brasileira nesse terceiro governo Governo Lula.<\/p>\n<p><strong>Diego, a gente fala do sistema da alimenta\u00e7\u00e3o, sempre vem a discuss\u00e3o sobre soberania e seguran\u00e7a alimentar. A gente tem visto que o Brasil saiu do mapa da fome agora. De certa forma houve um esfor\u00e7o para garantir a soberania alimentar, a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o nesse momento. Mas \u00e9 poss\u00edvel a gente pensar numa soberania alimentar sem pensar em modificar esse modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola?<\/strong><\/p>\n<p>Muito dif\u00edcil. Eu penso que\u2026 e \u00e9 louv\u00e1vel, consider\u00e1vel, mais uma vez \u2013 \u00e9 pela segunda vez \u2013 o Brasil ter sa\u00eddo do mapa da fome. Isso reconhecido pela ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), reconhecido pela FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura). \u00c9 muito importante que isso mais uma vez tenha acontecido num governo do Partido dos Trabalhadores. Ent\u00e3o, isso \u00e9 muito consider\u00e1vel e precisa ser dado os votos de confian\u00e7a ao governo nessa perspectiva, porque parece simples, mas n\u00e3o \u00e9 simples voc\u00ea tirar novamente um pa\u00eds do mapa da fome, como \u00e9 o caso do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ainda n\u00f3s estamos no debate da seguran\u00e7a alimentar. Se n\u00f3s formos analisar a concep\u00e7\u00e3o de cesta b\u00e1sica no Brasil, ainda ela \u00e9 da d\u00e9cada de 1930, do governo Get\u00falio Vargas. N\u00f3s n\u00e3o conseguimos, de l\u00e1 para c\u00e1 \u2013 n\u00f3s fomos entre governos e governo, golpes e golpes \u2013, n\u00f3s fomos nos sustentando. E isso \u00e9 muito importante em tirar o Brasil do mapa da fome, tirar as pessoas da inseguran\u00e7a alimentar. Mas n\u00f3s n\u00e3o conseguimos imprimir, como parte da disputa de um projeto de pa\u00eds, o tema da soberania alimentar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, me parece \u2013 e eu diria \u2013 que sem reforma agr\u00e1ria, que sem a democratiza\u00e7\u00e3o da terra, que, sem a democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, sem uma mudan\u00e7a no modelo econ\u00f4mico de desenvolvimento nacional, dificilmente n\u00f3s vamos avan\u00e7ar na perspectiva tamb\u00e9m da soberania alimentar.<\/p>\n<p>A soberania alimentar est\u00e1 vinculada diretamente ao modelo econ\u00f4mico, est\u00e1 vinculada diretamente \u00e0 cultura da propriedade privada \u2013 a cultura da propriedade privada inclusive do Estado brasileiro \u2013, aonde embora n\u00f3s ganhamos governo, mas n\u00e3o ganhamos o poder do Estado. Est\u00e1 a\u00ed o tanto que n\u00f3s estamos ref\u00e9m da taxa de juro, o tanto que n\u00f3s estamos ref\u00e9m do capital financeiro, o tanto que n\u00f3s estamos ref\u00e9m de um poder legislativo totalmente voltado para seus interesses umbilicais, n\u00e3o \u00e9 interesse da popula\u00e7\u00e3o, nem de quem votou neles.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se n\u00f3s queremos construir um debate, construir uma perspectiva de soberania alimentar nesse pa\u00eds \u2013 inclusive reatualizando o conceito de n\u00e3o s\u00f3 de encher a barriga, mas inclusive o conceito nutricional, o conceito de ter uma concep\u00e7\u00e3o de cesta m\u00e1xima, n\u00e3o s\u00f3 de cesta b\u00e1sica \u2013, como \u00e9 que, de fato, nutre e resolve o tema da soberania alimentar que est\u00e1 vinculado\u2026 A gente sabe que o tema da alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 vinculado \u00e0 quest\u00e3o educacional, a nossa capacidade educacional, a capacidade cultural, a capacidade de viver em sociedade, inclusive a capacidade civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu acredito que, para n\u00f3s enfrentarmos esses temas, n\u00f3s vamos precisar enfrentar o tema da soberania alimentar. Mas esse debate da soberania alimentar vem de um debate de projeto de sociedade, projeto de pa\u00eds. E n\u00f3s n\u00e3o vamos enfrentar esse projeto de pa\u00eds se n\u00f3s n\u00e3o enfrentarmos algumas feridas hist\u00f3ricas que n\u00f3s temos, como \u00e9 o caso da propriedade privada da terra, a propriedade privada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a propriedade privada dos aparelhos educacionais.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu acho que esses s\u00e3o os temas que n\u00f3s precisamos enfrentar no pr\u00f3ximo per\u00edodo. E espero que n\u00f3s da esquerda, que n\u00f3s do MST, permane\u00e7amos perseguindo esse debate, que ele \u00e9 t\u00e3o hist\u00f3rico, mas tamb\u00e9m t\u00e3o atual para a classe trabalhadora brasileira e para o nosso pa\u00eds. Para que o nosso pa\u00eds possa se firmar como um pa\u00eds democr\u00e1tico, mas olhar no espelho e dizer: \u201cN\u00f3s somos um pa\u00eds democr\u00e1tico porque n\u00f3s tivemos a capacidade de, num determinado per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria, enfrentar e curar as principais feridas que elas t\u00eam, em se abrir em cada tempo da nossa hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p><strong>No ano passado, o presidente Lula lan\u00e7ou, antes do G20, a Alian\u00e7a Global contra a Fome e a Pobreza. Como \u00e9 que o MST avalia esse ano de uma certa intencionalidade do governo brasileiro de liderar esse debate mundialmente?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho certeza que nenhuma lideran\u00e7a no mundo tem a moral e a autoridade que o presidente Lula tem para liderar um processo como esse, da Alian\u00e7a Global contra a Fome. Tanto que foi no primeiro governo dele que n\u00f3s tiramos, pela primeira vez na hist\u00f3ria, o Brasil do mapa da fome; no terceiro governo dele, agora, novamente. Ent\u00e3o, ele tem autoridade suficiente para isso.<\/p>\n<p>Agora, como n\u00f3s j\u00e1 dissemos, n\u00e3o basta s\u00f3 achar que n\u00f3s vamos resolver o problema da fome resolvendo o problema da comida no prato \u2013 muito important\u00edssimo, porque quem n\u00e3o tem comida no prato n\u00e3o tem disposi\u00e7\u00e3o de trabalhar, n\u00e3o tem disposi\u00e7\u00e3o de estudar, n\u00e3o tem disposi\u00e7\u00e3o de lutar, n\u00e3o tem disposi\u00e7\u00e3o de ter a pr\u00f3pria autoestima. Ent\u00e3o, esse passo \u00e9 muito importante. Por\u00e9m, o Brasil precisa dar exemplo para fora do Brasil da import\u00e2ncia de enfrentar essas quest\u00f5es que n\u00f3s enfrentamos aqui: o tema da concentra\u00e7\u00e3o da fome, o tema da concentra\u00e7\u00e3o da terra, o tema da taxa de juros, o tema do desemprego, o tema da soberania alimentar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu acho que o governo do presidente Lula \u00e9 um governo que, nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos, tender\u00e1 a enfrentar essas quest\u00f5es. Mas s\u00f3 enfrentar\u00e1 essas quest\u00f5es junto ao povo brasileiro desde que o povo brasileiro entenda a import\u00e2ncia de enfrentar essas quest\u00f5es. Por isso, n\u00f3s da esquerda precisamos ser mais did\u00e1ticos na forma de como se comunicar e na forma de como levar essas quest\u00f5es ao povo, para que o povo nos ajude a buscar solu\u00e7\u00f5es. E tenho certeza que o Brasil, enfrentando isso com essa grandeza e esse tamanho e a lideran\u00e7a do presidente Lula, n\u00f3s vamos apresentar para o mundo formas de como enfrentar quest\u00f5es semelhantes \u00e0s que temos no Brasil, assim como tem no mundo inteiro, nos v\u00e1rios continentes, nos v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-od-replaced-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" src=\"\/HTML\/BODY\/DIV[@class='jeg_viewport']\/*[5][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[5][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[47][self::FIGURE]\/*[1][self::IMG]\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" alt=\"\" class=\"wp-image-234769\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/11\/image_processing20241116-603166-h03fco-300x200.webp 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/11\/image_processing20241116-603166-h03fco-768x513.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/11\/image_processing20241116-603166-h03fco-750x534.webp 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/11\/image_processing20241116-603166-h03fco.webp 800w\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Presidente Lula na C\u00fapula Social do G20, no Rio de Janeiro, ocasi\u00e3o em que lan\u00e7ou a Alian\u00e7a Global Contra a Fome e a Pobreza | G20 Social<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Qual que \u00e9 a mensagem que o MST enviaria ent\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o brasileira, para o povo brasileiro, no Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, sobre a urg\u00eancia de vincular esse debate da alimenta\u00e7\u00e3o com o debate do acesso \u00e0 terra?<\/strong><\/p>\n<p>Ah, que n\u00f3s pud\u00e9ssemos continuar, enquanto movimento, mas enquanto sociedade brasileira, entendendo a import\u00e2ncia da ocupa\u00e7\u00e3o da terra. Porque todo esse elemento que n\u00f3s vamos estar fazendo \u2013 estamos fazendo os banqueta\u00e7os, a\u00e7\u00e3o de solidariedade, as doa\u00e7\u00f5es \u2013, ele s\u00f3 existe porque um dia o movimento ocupou terra. E foi atrav\u00e9s da ocupa\u00e7\u00e3o da terra que foi poss\u00edvel fazer assentamento e, atrav\u00e9s do assentamento, fazer a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, todos aqueles e aquelas que apoiam a produ\u00e7\u00e3o do MST, apoiam o MST ser o maior produtor de arroz org\u00e2nico da Am\u00e9rica Latina, tamb\u00e9m deve ser pessoas que apoiem a ocupa\u00e7\u00e3o da terra como uma forma de garantir a produ\u00e7\u00e3o desses alimentos. E que n\u00f3s possamos continuar espraiando por esse pa\u00eds esperan\u00e7a, espraiando dignidade, \u00e1rvores plantadas, \u00e1guas cultivadas e muito sonho e esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o do povo brasileiro. Para que um dia n\u00f3s possamos nos abra\u00e7ar pelas pra\u00e7as, pelos rinc\u00f5es desse pa\u00eds, pelo campo, e comemorar a vit\u00f3ria \u2013 n\u00e3o s\u00f3 da reforma agr\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 do MST \u2013, mas a vit\u00f3ria do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que possamos ter um Dia Internacional da Alimenta\u00e7\u00e3o Saud\u00e1vel que nos chame a aten\u00e7\u00e3o de que todo brasileiro e toda brasileira merece se alimentar de forma digna. Mas para isso, ele precisa ter a garantia da terra, a garantia do trabalho e a garantia da educa\u00e7\u00e3o, para que possamos, quem sabe um dia, construir o nosso Brasil popular e soberano.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">E tem mais\u2026<\/h4>\n<p>O Bem Viver traz tamb\u00e9m a vida das agricultoras no agreste pernambucano. Mulheres que antes passavam longas jornadas em frente \u00e0s m\u00e1quinas de costura, nas chamadas fac\u00e7\u00f5es do polo t\u00eaxtil, est\u00e3o voltando a trabalhar na terra. No S\u00edtio Carneirinho, em Caruaru (PE), o retorno para a agricultura familiar tem mudado hist\u00f3rias e resgatado a dignidade dessas mulheres, impulsionada por pol\u00edticas p\u00fablicas que garantem renda e autonomia. <\/p>\n<p>E pra matar a fome de doce, a chef Gema Sotto ensina uma receita criativa e sustent\u00e1vel: um delicioso pudim de casca de mexerica!<\/p>\n<p>O trabalho do grupo Amarantos, no interior de S\u00e3o Paulo, que ensina estudantes a plantar com prop\u00f3sito, longe dos venenos.<\/p>\n<p>E em Porto Alegre (RS), exploramos a for\u00e7a do Museu do Hip Hop, onde o rap ecoa como voz de resist\u00eancia e poesia das ruas.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Quando e onde assistir?<\/h4>\n<p>No YouTube do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0todo s\u00e1bado \u00e0s 13h30, tem programa in\u00e9dito.\u00a0Basta clicar aqui.<\/p>\n<p>Na TVT: s\u00e1bado \u00e0s 13h; com reprise domingo \u00e0s 6h30 e ter\u00e7a-feira \u00e0s 20h no canal 44.1 \u2013 sinal digital HD aberto na Grande S\u00e3o Paulo e canal 512 NET HD-ABC.<\/p>\n<p>Na TV Brasil (EBC), sexta-feira \u00e0s 6h30.<\/p>\n<p>Na TVE Bahia: s\u00e1bado \u00e0s 12h30, com reprise quinta-feira \u00e0s 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.\u00a0<\/p>\n<p>Na TVCom Macei\u00f3: s\u00e1bado \u00e0s 10h30, com reprise domingo \u00e0s 10h, no canal 12 da NET.\u00a0<\/p>\n<p>Na TV Floripa: s\u00e1bado \u00e0s 13h30, reprises ao longo da programa\u00e7\u00e3o, no canal 12 da NET.\u00a0<\/p>\n<p>Na TVU Recife: s\u00e1bados \u00e0s 12h30, com reprise ter\u00e7a-feira \u00e0s 21h, no canal 40 UHF digital.\u00a0<\/p>\n<p>Na UnBTV: sextas-feiras \u00e0s 10h30 e 16h30, em Bras\u00edlia no Canal 15 da NET.\u00a0<\/p>\n<p>TV UFMA Maranh\u00e3o: quinta-feira \u00e0s 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.\u00a0<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sintonize<\/h4>\n<p>No r\u00e1dio, o programa Bem Viver vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h \u00e0s 8h, com reprise aos domingos, \u00e0s 10h, na\u00a0<strong>R\u00e1dio Brasil de Fato<\/strong>. A sintonia \u00e9 98,9 FM na Grande S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m de ser transmitido pela\u00a0R\u00e1dio Ag\u00eancia Brasil de Fato.<\/p>\n<p>O programa conta tamb\u00e9m com uma vers\u00e3o especial em\u00a0<em>podcast<\/em>, o\u00a0<em>Conversa Bem Viver\u00a0<\/em>, transmitido pelas plataformas Spotify, Google Podcasts, iTunes, Pocket Casts e Deezer.<\/p>\n<p>Assim como os demais conte\u00fados, o\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0disponibiliza o programa\u00a0<em>Bem Viver<\/em>\u00a0de forma gratuita para r\u00e1dios comunit\u00e1rias, r\u00e1dios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conte\u00fado. Para ser inclu\u00eddo na nossa lista de distribui\u00e7\u00e3o,\u00a0entre em contato por meio do formul\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/10\/18\/18-bv-reforma-agraria-e-prato-o-que-a-fome-no-brasil-tem-a-ver-com-o-acesso-a-terra\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na quinta-feira, 16 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o \u2014 uma data que refor\u00e7a a ideia de que comer \u00e9 muito mais do que um ato biol\u00f3gico: \u00e9 um ato pol\u00edtico. Mesmo com o Brasil fora do mapa da fome, o alerta segue aceso. 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