{"id":10300,"date":"2025-08-27T11:24:15","date_gmt":"2025-08-27T11:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/08\/27\/no-vale-do-sao-francisco-assentamentos-lutam-por-agua-e-renda-digna-em-meio-a-fruticultura-bilionaria\/"},"modified":"2025-08-27T11:24:17","modified_gmt":"2025-08-27T11:24:17","slug":"no-vale-do-sao-francisco-assentamentos-lutam-por-agua-e-renda-digna-em-meio-a-fruticultura-bilionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoraouja.com.br\/index.php\/2025\/08\/27\/no-vale-do-sao-francisco-assentamentos-lutam-por-agua-e-renda-digna-em-meio-a-fruticultura-bilionaria\/","title":{"rendered":"No Vale do S\u00e3o Francisco, assentamentos lutam por \u00e1gua e renda digna em meio \u00e0 fruticultura bilion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>O Vale do S\u00e3o Francisco \u00e9 uma das regi\u00f5es mais ricas do pa\u00eds quando se trata de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Reconhecida nacional e internacionalmente por sua fruticultura irrigada e vitivinicultura\u00a0\u2014 produ\u00e7\u00e3o de uvas e vinhos\u00a0\u2014, a \u00e1rea movimenta bilh\u00f5es de reais por ano. Segundo dados oficiais, os projetos de irriga\u00e7\u00e3o mantidos pela Codevasf alcan\u00e7aram um Valor Bruto de Produ\u00e7\u00e3o (VBP) de R$ 8,15 bilh\u00f5es em 2024, um aumento de 43% em rela\u00e7\u00e3o a 2023. S\u00e3o mais de 125 mil hectares cultivados, com uma produ\u00e7\u00e3o de 4,42 milh\u00f5es de toneladas de itens agr\u00edcolas, especialmente frutas como manga e uva.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o responde por 90% da manga e 98% da uva exportadas pelo Brasil, ostenta o t\u00edtulo de \u201co\u00e1sis no Nordeste\u201d e \u00e9 tratada como refer\u00eancia mundial em fruticultura irrigada pelas \u00e1guas canalizadas do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Mas, dentro do mesmo territ\u00f3rio que gera bilh\u00f5es para o agroneg\u00f3cio, assentamentos da reforma agr\u00e1ria enfrentam dificuldades para produzir: muitas vezes sem \u00e1gua suficiente, sem regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria completa, sem cr\u00e9dito agr\u00edcola e sem canais diretos de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Estevan Mu\u00f1oz, coordenador do projeto Estudos Estrat\u00e9gicos para as Cadeias de Valor da Reforma Agr\u00e1ria, a produ\u00e7\u00e3o dos assentamentos ainda \u00e9 \u201cinvis\u00edvel\u201d em meio \u00e0 pujan\u00e7a do agroneg\u00f3cio local. Um dos objetivos do estudo \u00e9 justamente iluminar esses contrastes e evidenciar os desafios enfrentados pelas fam\u00edlias assentadas: falta de infraestrutura, problemas com irriga\u00e7\u00e3o, burocracias no acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas e a aus\u00eancia de dados estruturados sobre a produ\u00e7\u00e3o nos assentamentos.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 fruto de uma parceria do Laborat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o do Campo e Estudos da Reforma Agr\u00e1ria (Lecera), que faz parte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com a Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf).<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Depend\u00eancia de atravessadores: pre\u00e7os desiguais e invisibilidade<\/h4>\n<p>A depend\u00eancia quase total de atravessadores para escoar a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos maiores entraves enfrentados pelas fam\u00edlias agricultoras. Sem acesso a canais diretos de comercializa\u00e7\u00e3o, sem caminh\u00f5es ou articula\u00e7\u00e3o com mercados institucionais, os agricultores s\u00e3o obrigados a vender suas frutas a intermedi\u00e1rios que ditam os pre\u00e7os e imp\u00f5em as regras do jogo.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a distor\u00e7\u00e3o de valor \u00e9 profunda: entre 92% e 93% do que \u00e9 produzido \u00e9 comercializado por atravessadores. Na pr\u00e1tica, assentados recebem migalhas pelo que produzem, enquanto toda a margem de lucro fica fora dos seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cA forma de escoamento at\u00e9 hoje s\u00e3o os atravessadores, que entram no assentamento, levam carradas e carradas de fruta, de produ\u00e7\u00e3o, e passa ali a pre\u00e7o que a gente sabe que n\u00e3o \u00e9 o pre\u00e7o justo\u201d, relata Naiara Santos, do assentamento Vale da Conquista, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Sobradinho (BA). <\/p>\n<p>A aus\u00eancia de cooperativas organizadas, de estrutura de transporte e de pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o agrava esse cen\u00e1rio. \u201cA gente n\u00e3o tem articula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem caminh\u00e3o, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de ir pra fora\u201d, completa ela.<\/p>\n<p>No Assentamento Safra, em Santa Maria da Boa Vista (PE), Robson Silva presencia essa realidade de forma concreta. Ele exemplifica: uma caixa de manga vendida pelo equivalente a R$ 2 o quilo chega a custar R$ 12,57 o quilo no supermercado \u2014 uma diferen\u00e7a superior a 500%, mesmo com uma manga de \u201cqualidade inferior\u201d \u00e0quela que sai da ro\u00e7a. \u201cAqui, se for feia, a gente d\u00e1 pro porco. L\u00e1, no mercado, t\u00e3o vendendo a R$ 12 o quilo\u201d, conta Robson.<\/p>\n<p>Supermercados e atravessadores lucram enquanto, sem organiza\u00e7\u00e3o, agricultores vendem pelo pre\u00e7o que d\u00e1. \u201cTem atravessador que s\u00f3 mexe na caixa se ganhar R$ 10 por unidade. Eles pegam 200, 300, 500 caixas por dia\u201d, afirma. Enquanto isso, o agricultor familiar n\u00e3o consegue ter sequer uma bicicleta com o que ganha em um ano. \u201cSe comprar uma bicicleta, levanta a m\u00e3o pro c\u00e9u. O atravessador troca de carro todo ano\u201d, resume Robson.<\/p>\n<p>Naiara confirma essa percep\u00e7\u00e3o: os pr\u00f3prios produtores sabem que est\u00e3o sendo explorados, mas se veem sem alternativas. \u201cA gente v\u00ea a nossa produ\u00e7\u00e3o no mercado com valor exorbitante, e a gente sabe que a gente vendeu por muito menos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 o desperd\u00edcio. Como os atravessadores compram apenas as frutas mais vistosas, grande parte da colheita acaba sendo perdida ou jogada fora. \u201cEles selecionam. O que \u00e9 de segunda ou terceira categoria, eles n\u00e3o levam. Fica na ro\u00e7a, apodrece\u201d, conta Robson.<\/p>\n<p> E mesmo quando o produto vai para o mercado, ele chega sem identidade: \u201cOs agricultores n\u00e3o se reconhecem na embalagem. Vem um caminh\u00e3o, embalam com caixa de papel\u00e3o com o nome de uma fazenda qualquer. A fruta deles sai com outro nome\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mangueiras do Assentamento Safra, no lado pernambucano do Vale do S\u00e3o Francisco (Foto: Robson Silva)<\/figcaption><\/figure>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00c1gua do Velho Chico n\u00e3o \u00e9 para todos<\/h4>\n<p>Em uma das regi\u00f5es mais conhecidas do Brasil pela agricultura irrigada, o acesso \u00e0 \u00e1gua ainda \u00e9 um privil\u00e9gio restrito. Apesar da abund\u00e2ncia h\u00eddrica no Vale do S\u00e3o Francisco, muitos assentamentos da reforma agr\u00e1ria enfrentam um cen\u00e1rio cr\u00edtico: sistemas prec\u00e1rios de abastecimento, infraestrutura insuficiente e altos custos operacionais.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 resultado de um processo hist\u00f3rico desigual. As grandes obras realizadas no Rio S\u00e3o Francisco, como barragens e canais de irriga\u00e7\u00e3o, priorizaram grandes empreendimentos e acabaram impactando negativamente agricultores familiares. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do S\u00e3o Francisco e do Parna\u00edba (Codevasf), \u00f3rg\u00e3o federal respons\u00e1vel pelo desenvolvimento da regi\u00e3o, facilitou historicamente o acesso \u00e0 \u00e1gua para empresas e projetos privados \u2014 enquanto os assentamentos populares ficaram com \u201cpouqu\u00edssima aten\u00e7\u00e3o\u201d, como define Estevan Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o dos assentamentos \u00e9 invisibilizada, a gente n\u00e3o consegue perceber, n\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel. Porque o que \u00e9 divulgado \u00e9 a agricultura do agroneg\u00f3cio\u201d, critica Naiara, formada em Direito pelo Programa Nacional de Educa\u00e7\u00e3o na Reforma Agr\u00e1ria (Pronera) \u2014 uma pol\u00edtica p\u00fablica voltada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de filhos e filhas de assentados \u2014 e hoje atua na milit\u00e2ncia institucional e na articula\u00e7\u00e3o com o poder p\u00fablico.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Luta invis\u00edvel no vale das frutas<\/h4>\n<p>A trajet\u00f3ria de Naiara Santos, militante do MST desde os 15 anos, \u00e9 um espelho dos dilemas e da resist\u00eancia que marcam a agricultura familiar no semi\u00e1rido irrigado do Brasil. \u201cMeu pai era humilhado na fazenda onde trabalhava com manga. Chorava ao chegar em casa\u201d, lembra. Ela encorajou a fam\u00edlia a deixar a fazenda e ocupar uma \u00e1rea improdutiva. A ocupa\u00e7\u00e3o aconteceu em abril de 2007, no Projeto Salitre, em Juazeiro (BA), onde centenas de fam\u00edlias resistiram at\u00e9 que, em 2008, foi firmado um acordo para que fossem transferidas para Sobradinho.<\/p>\n<p>Assim nasceu o assentamento Vale da Conquista, que hoje re\u00fane as 153 fam\u00edlias previstas, mas apenas 103 delas foram formalmente reconhecidas pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra). Naiara ainda \u00e9 considerada \u201cpr\u00e9-assentada\u201d. A falta de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria impede o acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas essenciais, como cr\u00e9dito agr\u00edcola, assist\u00eancia t\u00e9cnica e programas de compra de alimentos. Seus pais, j\u00e1 assentados oficialmente, cultivam no lote produtivo do quintal, mas n\u00e3o t\u00eam acesso pleno \u00e0 infraestrutura de \u00e1gua prometida na cria\u00e7\u00e3o do assentamento.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o deveria ter sido beneficiada com uma mini-adutora para irrigar 80 hectares destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o coletiva. Mas, segundo Naiara, o que chegou n\u00e3o d\u00e1 conta nem do b\u00e1sico.<\/p>\n<p>\u201cHoje, s\u00f3 5% das fam\u00edlias conseguem produzir, e mesmo assim, em lotes coletivos\u201d, relata. A maioria dos moradores n\u00e3o tem como irrigar seus quintais ou ro\u00e7ados individuais. O fornecimento de \u00e1gua \u00e9 racionado: cada agrovila recebe \u00e1gua por apenas dois ou tr\u00eas dias, com limite de duas horas por agricultor. \u201cA demanda atual exigiria uma estrutura h\u00eddrica tr\u00eas, quatro vezes maior do que a que temos hoje\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O assentamento est\u00e1 \u00e0s margens da barragem de Sobradinho, uma das maiores do pa\u00eds, mas falta \u00e1gua at\u00e9 para irrigar o b\u00e1sico. \u201c\u00c9 uma das maiores barragens do Brasil. E a gente n\u00e3o consegue produzir. Isso mostra a falta de pol\u00edtica p\u00fablica concreta para a reforma agr\u00e1ria\u201d, denuncia Naiara.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 vi agricultor chorar, literalmente, por n\u00e3o ter como tirar a safra por conta da falta d\u2019\u00e1gua\u201d, conta ela.<\/p>\n<p>O Vale da Conquista \u00e9 exemplo das contradi\u00e7\u00f5es do semi\u00e1rido irrigado: uma \u00e1rea com grande potencial, mas que sofre com a falta de \u00e1gua, a falta de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e a aus\u00eancia de pol\u00edticas que fortale\u00e7am a produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar. O \u201csonho mais dif\u00edcil\u201d, como ela define, foi conquistar a terra. Agora, o novo sonho \u00e9 transform\u00e1-la num espa\u00e7o estruturado, produtivo e digno.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Organizar a produ\u00e7\u00e3o e gerar valor<\/h4>\n<p>Mesmo diante de tantos desafios estruturais, a organiza\u00e7\u00e3o coletiva aparece como uma das maiores ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o para os assentamentos da reforma agr\u00e1ria. No entanto, a formaliza\u00e7\u00e3o de cooperativas e o acesso a projetos estruturantes esbarram na burocracia, desinforma\u00e7\u00e3o e falta de apoio institucional. Sem documentos, sem pol\u00edticas p\u00fablicas; sem pol\u00edticas p\u00fablicas, sem infraestrutura produtiva.<\/p>\n<p>No lado pernambucano do S\u00e3o Chico, as fam\u00edlias do Assentamento Safra buscam romper com essa l\u00f3gica. Uma cooperativa foi fundada em 2015 e legalizada em mar\u00e7o de 2024. Inicialmente, o objetivo \u00e9 aproveitar a parte da produ\u00e7\u00e3o que seria perdida, com a instala\u00e7\u00e3o de uma agroind\u00fastria para processamento de polpas e outros derivados. \u201cA cooperativa vai ser o cora\u00e7\u00e3o da nossa agroind\u00fastria. Mas at\u00e9 ela sair do papel foi uma novela. Falta apoio t\u00e9cnico, falta assessoria jur\u00eddica, falta quase tudo\u201d, diz Robson.<\/p>\n<p>\u201cNo meio do caminho vimos que poder\u00edamos tamb\u00e9m criar um <em>packing house<\/em> para selecionar, embalar e exportar diretamente, sem atravessador\u201d, explica.<\/p>\n<p>No assentamento, cada fam\u00edlia disp\u00f5e de um lote irrigado de at\u00e9 5 hectares, abastecido por uma adutora constru\u00edda com recursos federais e do governo estadual. O sistema permitiu aos agricultores avan\u00e7ar em suas produ\u00e7\u00f5es, diversificar culturas e planejar a instala\u00e7\u00e3o de uma agroind\u00fastria.<\/p>\n<p>Mas nem tudo s\u00e3o facilidades. \u201cO custo de bombeamento e da energia el\u00e9trica \u00e9 muito alto. A bomba puxa do canal para a caixa, e da caixa vai para os lotes. Isso exige energia o tempo inteiro\u201d, explica Robson. A ideia de implantar energia solar foi discutida pela comunidade, mas o investimento ainda \u00e9 invi\u00e1vel. \u201cFizemos or\u00e7amento com uma empresa da Bahia, mas era coisa de R$ 90 mil por fam\u00edlia. Imposs\u00edvel pra n\u00f3s\u201d, relata.<\/p>\n<p>Por conta disso, muitos produtores preferem plantar em pequenas \u00e1reas mais pr\u00f3ximas do rio, onde o custo com energia \u00e9 menor. \u201cA gente vai adaptando, mas sabe que n\u00e3o \u00e9 o ideal. O sonho \u00e9 conseguir usar todo o lote, com irriga\u00e7\u00e3o regular, sem medo de faltar energia ou quebrar a bomba\u201d, completa Robson.<\/p>\n<p>No Vale da Conquista, do lado baiano do S\u00e3o Francisco, a realidade \u00e9 outra. \u201cInfelizmente, a gente n\u00e3o tem ainda essa cooperativa, n\u00e3o tem nenhuma forma de coopera\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o mesmo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta Naiara.<\/p>\n<p>O projeto Estudos Estrat\u00e9gicos para as Cadeias de Valor da Reforma Agr\u00e1ria busca justamente romper esse ciclo. A proposta \u00e9 entregar projetos t\u00e9cnicos executivos de agroind\u00fastrias e packing houses que possam ser financiados por institui\u00e7\u00f5es como o BNDES, Banco do Brasil e secretarias estaduais.<\/p>\n<p>\u201cA infraestrutura \u00e9 essencial, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. Se voc\u00ea entrega uma agroind\u00fastria para uma comunidade sem cooperativa consolidada e sem forma\u00e7\u00e3o para gest\u00e3o, vira um elefante branco. A chave \u00e9 consolidar as cooperativas e capacitar as pessoas que v\u00e3o toc\u00e1-las\u201d, explica Estevan Mu\u00f1oz, coordenador do projeto.<\/p>\n<p>Segundo o professor, essas estruturas tamb\u00e9m poder\u00e3o alimentar redes pr\u00f3prias de varejo, como os Armaz\u00e9ns do Campo, ligados ao MST. \u201cOs armaz\u00e9ns s\u00e3o uma pot\u00eancia muito grande para mostrar que a reforma agr\u00e1ria pode alimentar o Brasil com qualidade e pre\u00e7os justos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com Robson, a ideia inclui implantar um Armaz\u00e9m do Campo no mesmo espa\u00e7o da packing house na margem do entroncamento da BR 428 com a PE 574, na \u00e1rea do Assentamento Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, aproveitando o fluxo intenso de ve\u00edculos e turistas. <\/p>\n<p>\u201cA gente quer um ponto de venda direto, com produto fresco e pre\u00e7o mais acess\u00edvel. N\u00e3o precisa passar por supermercado, que s\u00f3 quer pagar o m\u00ednimo para o produtor e ainda vende produtos de qualidade duvidosa\u201d, defende.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Agrot\u00f3xicos: o peso de uma cultura enraizada<\/h4>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de frutas nos assentamentos da reforma agr\u00e1ria no Vale do S\u00e3o Francisco convive diariamente com um dilema: como romper com a l\u00f3gica do modelo convencional, fortemente dependente de agrot\u00f3xicos, e avan\u00e7ar rumo \u00e0 agroecologia? A transi\u00e7\u00e3o para pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis enfrenta barreiras culturais, t\u00e9cnicas e estruturais, agravadas pela proximidade do agroneg\u00f3cio, que dita o ritmo e os padr\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>\u201cA gente j\u00e1 vem de uma constru\u00e7\u00e3o de que o produto s\u00f3 vai dar certo, se tiver o agrot\u00f3xico. Se n\u00e3o for, n\u00e3o vai\u201d, resume Naiara. Apesar de reconhecer os impactos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente, muitos agricultores ainda veem o uso de veneno como uma \u201cgarantia\u201d de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naiara conta que nos quintais produtivos do Vale da Conquista, voltados para o consumo das fam\u00edlias, j\u00e1 existem pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas consolidadas. No entanto, na fruticultura de maior escala, como a manga, ainda predomina o uso de produtos qu\u00edmicos. <\/p>\n<p>\u201cA gente tem dialogado com as fam\u00edlias para, por exemplo, separar 50 p\u00e9s de manga e fazer a experi\u00eancia agroecol\u00f3gica. Mas \u00e9 dif\u00edcil convencer. J\u00e1 tem tanta dificuldade com \u00e1gua, com comercializa\u00e7\u00e3o\u2026 d\u00e1 medo arriscar mais.\u201d<\/p>\n<p>Estevan refor\u00e7a esse diagn\u00f3stico: \u201cA maior parte das produ\u00e7\u00f5es nos assentamentos ainda segue o pacote da chamada revolu\u00e7\u00e3o verde. \u00c9 um modelo vulner\u00e1vel, dependente de insumos externos, e que gera custos elevados e impactos graves.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da dificuldade de mudan\u00e7a interna, os assentamentos precisam lidar com a contamina\u00e7\u00e3o vinda de fora. Muitas \u00e1reas s\u00e3o vizinhas de grandes empreendimentos do agroneg\u00f3cio que usam avi\u00f5es e drones para pulverizar veneno sobre suas lavouras.<\/p>\n<p>\u201cA gente t\u00e1 aos arredores do agroneg\u00f3cio. Tem a cana, a manga, a uva\u2026 Eles jogam veneno com drone, e a gente sente o cheiro aqui. J\u00e1 teve peixe morrendo no rio, caso de c\u00e2ncer crescendo, tudo isso por causa do veneno\u201d, denuncia Naiara.<\/p>\n<p>Essa proximidade tamb\u00e9m alimenta a ideia de que, se os grandes produtores usam determinado produto, ele deve funcionar. \u201c\u00c0s vezes o t\u00e9cnico da empresa \u00e9 parente do assentado. A\u00ed o mesmo produto que ele aplica l\u00e1, ele recomenda aqui. \u00c9 dif\u00edcil competir com isso\u201d, lamenta.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Agroecologia: as sementes de mudan\u00e7a<\/h4>\n<p>Apesar das dificuldades, existem sementes de mudan\u00e7a. Nos quintais, os exemplos agroecol\u00f3gicos ganham for\u00e7a e servem como ponto de partida. No assentamento Safra, experi\u00eancias de cultivo sem agrot\u00f3xicos j\u00e1 foram testadas com sucesso, segundo Robson Silva, mas ainda com produ\u00e7\u00e3o modesta.<\/p>\n<p>Para Naiara Santos, a transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3 vir\u00e1 com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e pol\u00edtica. \u201cAs pessoas entendem. Muitas dizem que querem produzir agroecologicamente no futuro. Mas falta capacita\u00e7\u00e3o. Falta saber como fazer. E falta seguran\u00e7a pra tentar.\u201d<\/p>\n<p>A proposta do projeto do Lecera em parceria com a Univasf inclui a\u00e7\u00f5es formativas voltadas justamente \u00e0 transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, ao lado da infraestrutura produtiva. \u201cSem forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a poss\u00edvel. Precisamos de assist\u00eancia t\u00e9cnica cont\u00ednua, acess\u00edvel e com vis\u00e3o agroecol\u00f3gica\u201d, conclui Estevan Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p>\u201cO sonho mais dif\u00edcil era a gente sonhar em um dia ter a terra para produzir. E hoje a gente j\u00e1 tem\u201d, afirma Naiara . O que falta agora, segundo ela, \u00e9 o apoio necess\u00e1rio para fazer com que essa produ\u00e7\u00e3o deixe de ser invis\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cTirar esses assentamentos da invisibilidade \u00e9 o primeiro passo. O segundo \u00e9 estruturar um caminho vi\u00e1vel e cont\u00ednuo de apoio \u2014 da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o\u201d, resume.<\/p>\n<p>Naiara sonha com um espa\u00e7o que valorize os produtos da agricultura familiar, cultivados por fam\u00edlias que lutaram por terra para produzir e que hoje, mesmo com dificuldades, agarram com as m\u00e3os aquilo que antes parecia apenas um sonho vago. \u201cHoje \u00e9 poss\u00edvel\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo ela, o sonho mais dif\u00edcil,  conquistar a terra para produzir, j\u00e1 foi realizado. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 avan\u00e7ar at\u00e9 obter a valoriza\u00e7\u00e3o justa da produ\u00e7\u00e3o de quem \u201ctodas as manh\u00e3s acorda sonhando e pensando em dias melhores, atrav\u00e9s do seu trabalho, atrav\u00e9s da terra\u201d.<\/p>\n<p>Para Robson Silva, o sonho \u00e9 real e palp\u00e1vel: \u201cQueremos deixar de vender a manga por R$ 2 e ver ela a R$ 12 no mercado. Queremos vender com nosso nome, nossa marca. Queremos viver da nossa produ\u00e7\u00e3o com dignidade\u201d.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Google search engine\" src=\"https:\/\/agoraouja.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anuncio_728x109px.jpg\" width=\"728\" height=\"90\"\/><\/a><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/08\/27\/no-vale-do-sao-francisco-assentamentos-lutam-por-agua-e-renda-digna-em-meio-a-fruticultura-bilionaria\/\">Fonte Original <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Vale do S\u00e3o Francisco \u00e9 uma das regi\u00f5es mais ricas do pa\u00eds quando se trata de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Reconhecida nacional e internacionalmente por sua fruticultura irrigada e vitivinicultura\u00a0\u2014 produ\u00e7\u00e3o de uvas e vinhos\u00a0\u2014, a \u00e1rea movimenta bilh\u00f5es de reais por ano. 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